Quarta, 24 Maio 2017 00:00

Manutenção e tratamento de revestimentos (fachada e piso) em granilite ou fulget

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O uso de materiais compostos por agregados materiais é muito comum nas edificações de São Paulo, Capital, não apenas em prédios comerciais quanto residenciais.

Vamos falar de dois dos principais, o granilite e o fulget.

granilite é uma massa de cimento com pedaços de “pedras” como mármore, calcário, quartzo, dentre outros, em vários tamanhos ou ´granulometrias´ diferentes. Quando elaborado apenas com o uso da pedra de mármore, recebe o nome de marmorite.

Este tipo de material é muito parecido com o cimento queimado, porém, é mais resistente devido à presença de minérios em sua composição e deixa os ambientes mais elegantes. O revestimento possui uma vida longa, sendo forte e duradouro, entretanto, sabe-se que está sujeito ao surgimento de fissuras ou trincas, que fazem parte de sua natureza. Essas "rachas" podem ser imperceptíveis e não incomodar, mas é importante que os síndicos e condôminos estejam atentos a essas ocorrências. A instalação e manutenção desses sistemas por profissionais qualificados, com certeza, diminui o risco das fissuras. Além do mais, os fabricantes não recomendam a sua utilização em andares muito altos ou em ruas muito movimentadas.

Demais aplicações do granilite

Existem outros dois tipos de granilite no mercado: o granilite polido e o granilite fulgê (ou fulget). Muitas pessoas pensam que as duas nomenclaturas se referem ao mesmo tipo de revestimento, porém, eles são praticamente opostos, um do outro. Confira as diferenças:

- Granilite polido: É o granilite propriamente dito. Esse revestimento é polido e recebe um acabamento liso com camadas de resina. Ao ser impermeabilizado, o piso se torna antiderrapante quando seco e, escorregadio, quando molhado. Por ser liso, deve ser utilizado preferencialmente em ambientes internos.

- Granilite fulgê (ou fulget): No granilite fulgê a textura dos pedriscos está completamente visível. Esse revestimento recebe um acabamento de relevo dos pedriscos e é lavado para a retirada do excesso de argamassa. Devido à sua textura, o fulgê é totalmente antiderrapante, tornando-se ideal, principalmente, para áreas externas. É muito utilizado em calçadas e piscinas.

Pontos positivos:

- Resistência, beleza, de fácil limpeza e manutenção;

Onde usar:

- Recomenda-se o uso de granilite polido em áreas internas e granilite fulgê em áreas externas.

Aplicações mais comuns:

- Granilite polido: Aplicado em armazéns, escadas, escritórios, escolas, frigoríficos, hospitais, incubatórios, pátios, postos de saúde, salas, shoppings, teatros e outros lugares;

- Granilite Fulgê: utilizado em escadas, rampas, arredores de piscinas, salas, paredes e calçadas.

Porém, tanto o granilite polido quanto o granilite fulgê podem ser utilizados em quaisquer ambientes (internos ou externos) desde que sejam seguidos alguns procedimentos de segurança, como, por exemplo: se o piso de granilite polido for aplicado em ambientes externos, é necessária a colocação de faixas antiderrapantes, para evitar escorregamentos.

Cuidados:

- Para pisos

A limpeza das superfícies com esses materiais deve ser feita com água, detergente neutro ou sabão em pó. Para ter vida longa, são exigidos cuidados semelhantes aos pisos de cimento: não podendo ter contato com produtos abrasivos ou químicos (não utilizar Cloro, Cândida ou Ácidos).

O piso granilite fulgê (ou fulget) pode ser limpo com lavadora a jato, com o bico regulado no modo "leque". A reaplicação de resina deve seguir a recomendação do fabricante. Já o granilite polido deve receber aplicação de cera, executando o polimento com enceradeira a fim de obter uma melhor cristalização. A frequência de aplicação de cera é determinada em função do uso (trânsito no local).

 - Para Fachadas

Na aplicação original do material, é importante que o construtor tenha seguido as instruções dos fabricantes em termos de preparo da parede, espessura, composição etc. Além disso, sua aplicação deve ter sido feita no sentido de cima para baixo e, “uma vez descido o balancim ou andaime, a parte já feita não poderá sofrer qualquer ação que possa manchá-lo, raspá-lo ou danificá-lo”. “Não poderá em hipótese alguma faltar água na obra, pois na ocorrência deste fato, todo o material em aplicação na parede estará perdido.”

Ou seja, tendo havido uma boa execução da obra, sua durabilidade pode chegar a trinta anos, a exemplo do Edifício Itália, em São Paulo, Capital, datado de 1964. 

Já o reparo, ao longo do tempo, especialmente se houve negligência na manutenção, poderá ser complicado, O reparo é complicado e a pátina do tempo e diferenças de tonalidades serão um problema, por causa da oxidação provocada pela ação do tempo e também pela diferença na tonalidade das cores quando um material tiver que ser recomposto.

Por isso, ao síndico ou demais gestores condominiais, será fundamental contratar mão de obra especializada para o serviço.

Mas seguem dicas para a reforma do fulgê (ou fulget):

- O material é sempre trabalhado de cima para baixo e, em caso de reparos em pontos isolados da fachada, terão que ser feitas proteções. Outro aspecto fundamental é  manter a água constante para que os resíduos do fulget não estraguem o restante do revestimento.

Quanto à cor do fulget, antes da execução dos serviços, recomenda-se fazer amostras para que o cliente as compare na obra antes da aprovação. Lembre o fulget restaurado apresenta relativa diferença na tonalidade, com relação ao original aplicado, devido ao seu desgaste natural.

No próximo artigo, iremos abordar os cuidados e problemas dos andaimes balancim e cadeirinhas durante a execução de obras na fachada.

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Roberto Boscarriol Jr.

Graduado em Engenharia pelo Instituto Mauá de Tecnologia. Formado em 1972, atua desde essa época na área da Construção Civil, tendo construído um milhão de metros quadrados nas áreas industriais, comerciais, escolares e residenciais, acumulando grande experiência na análise de propostas e gestão de obras. No espaço de sua coluna, o articulista irá abordar os vários aspectos da manutenção necessária nos prédios, com dicas, comentários e sugestões.

Mais informações: boscarriol@pbr.com.br