Quarta, 06 Maio 2015 00:00

Água da chuva e reuso: Soluções ajudam a diminuir consumo da rede potável

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O aproveitamento de água da chuva tem sido cada vez mais uma opção para os condomínios, devido à crise hídrica e pelo benefício altamente sustentável que o sistema oferece. A água da chuva pode ser utilizada para inúmeras finalidades, porém, todas não potáveis. Ou seja, não é possível beber, tomar banho, lavar louças ou roupas com essa água, uma vez que ela vem de um contato direto com o telhado, jardins e pisos.

O sistema exige principalmente uma filtragem primária de partículas como folhas, galhos, dentre outros detritos que ela carrega consigo. Após a filtragem, a água é armazenada em uma cisterna, que a envia para uma torneira ou reservatório superior, através de uma bomba submersível. Todo este processo é automático.

O aproveitamento de águas pluviais mostra-se solução inovadora tanto do ponto de vista técnico quanto econômico. Todavia, para se obter o resultado desejado de um projeto é necessário que este possua preocupação com dois fatores fundamentais:

1. Dimensionamento: É preciso calcular o volume estimado de coleta com base em área destinada ao consumo, com vistas a dimensionar os equipamentos;

2. Qualidade: É indispensável projetar ainda os sistemas de tratamento, armazenamento e cuidados com a água coletada. Neste item são definidos os equipamentos de filtragem pré-reserva, para a remoção de todos os elementos que possam degradar a água depois de reservada numa cisterna; a qualidade e tipo de reservatório a ser utilizado; sistemas de tratamento pré-consumo; além de aparatos como filtro de areia, processos de desinfecção, bombeamento etc.

Uma vez observados estes fatores, o projeto de aproveitamento da água da chuva oferecerá um produto de excelente qualidade para uso em fins menos nobres como limpeza de pisos e equipamentos em geral, irrigação, entre outros. Além de cuidados normais de qualquer projeto de engenharia, recomenda-se que as diretrizes da NBR 15.527/2007, norma da ABNT relativa ao aproveitamento de águas pluviais, sejam observadas a fim de se ter um sistema seguro e eficiente.

ÁGUA DA CHUVA VERSUS REUSO

Mas outras soluções devem ser pensadas paralelamente pelos síndicos. Juntamente com o controle e gestão do consumo, é necessária atenção especial ao reuso da água tratada, aquela que vem da rede pública ou da concessionária, caso dos descartes das torneiras do banheiro, chuveiros e máquinas de lavar roupas, entre outros.

As palavras aproveitamento e reuso são muitas vezes confundidas. O termo aproveitamento está ligado à água da chuva, uma vez que esta ainda não foi utilizada. Mas além deste sistema, existe o de reuso, o qual permite tratar água cinza, fazendo uma espécie de “reciclagem” da mesma, destinando-a a aplicações não potáveis (mesmos usos da água da chuva). No entanto, o custo de um sistema de reuso de água cinza depende inteiramente do projeto, não havendo ainda uma escala fixa de valores. Já para o sistema de aproveitamento da água pluvial é possível fazer uma projeção.

No final de 2014, projetávamos, considerando- se a incidência de chuvas e a tarifa da água, um investimento de R$ 8.500,00 em média para um sistema completo (captação, tratamento e armazenamento). O valor deve servir apenas como um parâmetro, pois tudo depende do projeto. O retorno sobre o investimento, neste caso, é calculado de acordo com a economia que a solução gera, podendo chegar, em grande parte, a uma redução de 50% do volume de água potável consumida da rede municipal/ local para a rega dos jardins e a limpeza das áreas comuns.

Matéria publicada na edição - 201 de mai/2015 da Revista Direcional Condomínios

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Roberto Boscarriol Jr.

Graduado em Engenharia pelo Instituto Mauá de Tecnologia. Formado em 1972, atua desde essa época na área da Construção Civil, tendo construído um milhão de metros quadrados nas áreas industriais, comerciais, escolares e residenciais, acumulando grande experiência na análise de propostas e gestão de obras. No espaço de sua coluna, o articulista irá abordar os vários aspectos da manutenção necessária nos prédios, com dicas, comentários e sugestões.

Mais informações: boscarriol@pbr.com.br