A chamada Internet das Coisas – IoT, derivado do inglês Internet of Things, já está presente no sistema de proteção dos condomínios, afirma Marcelo Okuma, consultor em desenvolvimento de softwares para o segmento.

Pesquisa divulgada no final de julho passado pelo Instituto Sou da Paz, em parceria com o jornal O Estado de São Paulo, mapeou um ranking nos bairros da Capital Paulista relacionado ao Índice de Exposição a Crimes Violentos, apurado sobre o registro de latrocínios, homicídios, roubos, roubos a veículos, entre outros, nos Distritos Policiais de cada região.

A região do Parque da Mooca registrou, no último dia 16 de agosto, tentativa frustrada de invasão de um condomínio por três bandidos, dois dos quais foram baleados em confronto com a polícia (um deles veio a óbito em seguida) e um terceiro acabou preso.

Os equipamentos evoluem para acompanhar as necessidades crescentes de segurança física e patrimonial nas grandes cidades. Enquanto isso, os condomínios reforçam seus sistemas com tecnologia de ponta, treinamento e novos procedimentos de controle de acesso, para vencer a astúcia dos criminosos.

Situações de violência no condomínio representam importante termômetro social, expressam a urbanização caótica que vivemos em uma das regiões mais violentas do mundo, conforme apontam as estatísticas. Esse contexto caracteriza o jeito do viver presente, dado em pequenas comunidades protegidas. E quando as câmeras não dão conta da criatividade dos furtadores, passamos a colocá-las em todos os corredores e nas portas de nossas casas, talvez blindadas. Que cultura produzimos com estes encaminhamentos?

O serviço de portaria e controle de acesso de pessoas, veículos e mercadorias de um condomínio é realizado em regra por um ou mais porteiros. Este serviço pode ser facilitado ou dificultado dependendo, dentre outras coisas, dos meios de apoio que este profissional possua a sua disposição. Estamos falando de radiocomunicadores, sistemas de interfones, circuito fechado de TV (CFTV), sistema de identificação eletrônico dos veículos, além dos cadastros. Sim, cadastros de moradores, de veículos, empregados domésticos, prestadores de serviço habituais etc. Vamos nos atentar ao cadastro de moradores.

Percebi que vocês tem câmeras pra todo lado! ...

A tecnologia de segurança está em sua 3ª geração e deve apresentar em maio, em São Paulo, durante feira do setor, câmeras em altíssima resolução, em Full HD. Porém, 90% dos mais de 60 casos de invasão em condomínio registrados na cidade em 2014 ocorreram pelos acessos da frente, reforçando a necessidade de integrar equipamentos, treinamento e procedimentos.

Quatro condomínios residenciais da Vila Formosa, na Zona Leste de São Paulo, se uniram a estabelecimentos comerciais e escolas do seu entorno e resolveram abraçar o Programa Vizinhança Solidária, coordenado pelo 8º Batalhão da Polícia Militar e apoiado pelo Lions Clube e o Conseg local. A experiência de unir moradores, comerciantes e prestadores de serviço de um bairro em favor de um programa preventivo de segurança foi iniciada há cinco anos na região do Itaim Bibi (zona Sul) e passou antes por um piloto no ABC, para começar a ser replicada em outras áreas da Capital paulista.

O corredor de ônibus da Av. 9 de julho, no trecho compreendido entre as avenidas São Gabriel e Cidade Jardim, é uma conquista recente dos síndicos agrupados em um dos bolsões que compõem o programa Vizinhança Solidária do Itaim Bibi, em São Paulo. O programa se notabiliza pelo pioneirismo de uma iniciativa que começa a replicar em outras regiões da cidade. Ele representa a mobilização de um coletivo de condomínios - no caso, mais de cem -, em prol da segurança do bairro, com apoio da PM local e do Conselho de Segurança (Conseg).

Os arrastões contra condomínios em São Paulo estão diminuindo, algumas quadrilhas foram presas e os próprios criminosos preferem aplicar hoje golpes mais sutis e pontuais, avalia José Elias de Godoy. Oficial da Polícia Militar de São Paulo, consultor de segurança para condomínios e autor de livros na área, José Elias orienta os síndicos a se prepararem para evitar essas armadilhas.

Um trecho da Vila Mariana que compreende as imediações do Parque do Ibirapuera, a Avenida Brigadeiro Luís Antônio, a Rua Vergueiro e a Rua Sena Madureira registra hoje a participação de pelo menos 40 condomínios no Programa Vizinhança Solidária, coordenado pela 2ª Companhia do 12º Batalhão da Polícia Militar na Capital. O projeto começou a ser articulado no local há cerca de cinco meses e agora abrange também casas, comércio, escolas e o Consulado da Bolívia, além de contar com a participação do Conselho Comunitário de Segurança (Conseg).

As cenas dos arrastões nos condomínios diminuíram no noticiário de 2014, mas cederam espaço a golpes dados contra as portarias, visando a apartamentos que acumulam valores. Especialistas insistem que se invista em melhorias nos equipamentos, procedimentos e em treinamento.

Condomínios em quadrinhos

Possuir câmeras instaladas em lugares estratégicos representa, sem dúvida, um recurso importante para que o condomínio reforce sua segurança. Mas as câmeras, por si só, têm poder preventivo limitado se não estiverem apoiadas em outros mecanismos de prevenção, como o armazenamento das imagens em local seguro; a existência de eclusas; o ponto de localização das portarias, de forma a proteger o seu funcionário; a adoção de vaga de pânico na garagem; de regras firmes de acesso, e que sejam acatadas pelos condôminos; a blindagem da guarita; e até mesmo o posicionamento correto do circuito de CFTV.

Neste ano pudemos acompanhar no Brasil um dos maiores shows do planeta, a Copa FIFA 2014. O evento esteve presente em várias cidades do País, movimentando um dos maiores patrimônios em encontros internacionais desta magnitude, que são os turistas, e em sua maioria representados pelos próprios brasileiros.

Sistemas eletrônicos de segurança são cada vez mais comuns nos condomínios, residências, empresas, veículos e até nas ruas. A Abese (Associação Brasileira das Empresas de Segurança Eletrônica) estima que haja no País cerca de 710 mil imóveis monitorados por sistemas eletrônicos. O diretor de comunicação da entidade, Rogério Reis, afirma que pelo menos onze mil empresas atuam no segmento. Elas fabricam e instalam conjuntos de alarmes, sensores, circuitos fechados de TV, controles de acesso, portas e portões automáticos, detectores de metais e explosivos, dispositivos de identificação por biometria e de rastreamento de veículos e pessoas, entre outros. São diversos modelos e marcas, que Rogério Reis divide em quatro categorias:

A manutenção do sistema de segurança deve ser pensada desde a concepção do projeto e atuar para que haja uma efetiva integração entre os equipamentos eletrônicos, os procedimentos de acesso e a estrutura física.

Cercas, câmeras, alarmes, blindagem, sensores, monitoramento. A tecnologia avança a passos largos, com sistemas que contribuem para a segurança dos condomínios. No entanto, nada disso tem efeito se não houver o principal: funcionários e moradores devidamente treinados para lidar com os equipamentos e adotar condutas preventivas no dia a dia. Tanto é verdade que a maioria dos arrastões que aconteceram em São Paulo este ano foi decorrência de falha humana. Os meliantes sabem que existe uma fragilidade nesse aspecto e contam com ela nas suas ações, adotando as mais variadas formas de ludibriar e render porteiros.

Além da infraestrutura física e do investimento em tecnologia, é preciso buscar procedimentos e hábitos mais cautelosos para proteger os condomínios da onda de arrastões.

Primeiro foi a modernização tecnológica dos elevadores de serviço. Depois veio a reforma das bombas d’água, a readequação dos para-raios e das lâmpadas da garagem, para então instalar um sistema de CFTV, com 32 câmeras distribuídas conforme o planejamento realizado por empresa especializada. O próximo investimento recairá sobre a implantação de um programa de monitoramento para reforçar a segurança dos moradores dos edifícios Flávia e Fernanda, localizado no bairro da Aclimação, em São Paulo.

Especialistas em segurança condominial alertam que os bandidos acessam os condomínios especialmente pela porta da frente, em falhas de procedimentos, ou mesmo na total ausência deles. Apesar dessa tendência, o perímetro não pode ser descuidado. “Há dois tipos de invasão a condomínios: a entrada autorizada, quando o porteiro abre o portão para o bandido entrar, ou a forçada, menos comum. De toda forma, o grande objetivo ao melhorar a segurança do perímetro do condomínio é inibir as invasões”, pondera o especialista Nilton Migdal, graduado em Engenharia Civil pela Universidade de São Paulo, com especialização master em Business Security.

Em um dos mais recentes arrastões a prédios residenciais ocorridos em São Paulo, um porteiro saiu de uma guarita blindada para deixar o lixo na rua, momento em que foi rendido, o que permitiu a entrada dos assaltantes no interior do condomínio. O episódio aconteceu no final do mês de julho, na região do Brooklin, zona Sul da cidade. “São Paulo registra pelo menos um assalto mensal a edifícios de alto e médio padrão”, observa o delegado e consultor na área, Luís Renato Mendonça Davini. Segundo ele, grande parte é motivada por falha humana, o que torna vulnerável todo um aparato físico e sofisticado de proteção.

Cuidados especiais com a proteção perimetral

Quando o assunto é a segurança do condomínio, proteger o perímetro de invasões deve ser uma das principais preocupações. As cercas eletrificadas e as concertinas são os equipamentos mais utilizados para esses casos. Ambos funcionam como barreiras físicas, sendo que a concertina (nome comercial da proteção perimetral perfurante fabricada em aço especial) tem um visual mais agressivo. “Já a cerca elétrica causa menor impacto no ambiente, mas age também psicologicamente sobre o invasor”, admite Carlos Alberto Progianti, vice-presidente da Abese (Associação Brasileira das Empresas de Sistemas Eletrônicos de Segurança).

Equipamentos em dia evitam falsos disparos

O síndico profissional Nilton Savieto, que comanda 12 edifícios na cidade (metade deles residenciais e metade comerciais) é taxativo: os falsos alarmes são um sério problema nos condomínios. “Acredito que 95% dos alarmes, ou até mais, são falsos. As causas são várias: passarinhos, gatos, vento ou plantas que fazem os sensores dispararem o dispositivo”, aponta o síndico.

Não Importa o tamanho do condomínio. Dos pequenos edifícios aos grandes empreendimentos, com várias torres, o controle de acesso de moradores, visitantes e prestadores de serviços é fundamental para a segurança. Segundo o consultor de segurança condominial Eduardo Lauande, independentemente do número de unidades do edifício, deve haver um cadastro de condôminos, para que, em caso de dúvidas, o porteiro possa consultar o banco de dados com o registro fotográfico dos moradores.

É o cabo de aço do portão basculante que quebra, as roldanas do modelo de correr que não aguentam tanto abre e fecha, as fechaduras elétricas que vivem com defeito. Todo síndico sabe bem das exigências cotidianas com a manutenção dos portões, elementos fundamentais na segurança dos edifícios.

OLHARES INTEGRADOS A TODO O SISTEMA

Elizabeth Grabenweger é síndica há pouco mais de três meses e não teve dúvidas de onde deveria começar as melhorias necessárias quando assumiu. A segurança do condomínio foi prioridade. “Há 30 anos não se investia no prédio. Além do mais, estávamos muito defasados em termos de procedimentos. Para se ter uma ideia, ainda era permitida a entrada de entregadores nos andares durante o dia”, conta a síndica. Em relação aos equipamentos, o prédio tinha poucas câmeras, que não gravavam. Hoje, os porteiros já contam com a visualização, no monitor da portaria, de dez pontos do edifício através do CFTV.

Paredes pintadas, equipamentos em ordem. O vandalismo acaba com qualquer manutenção cuidadosa. Saiba como eliminar esse problema do seu condomínio.

Mesmo investindo em equipamentos eletrônicos, o síndico não deve descuidar da formação dos funcionários.

Condôminos descontam sua ira cotidiana especialmente nos funcionários de edifícios. Há casos em que o morador violento pode ser considerado anti-social.

Locais apropriados para a prática de exercícios, espaços de convivência e de relaxamento contribuem para prevenir doenças e trazer qualidade de vida aos moradores.

Algumas serralherias estão às portas da maturidade, completando 40 anos de atividades, e acompanharam toda a transição da mudança no uso da madeira ou ferro nas janelas das edificações pelo alumínio, um material mais leve e que proporciona melhor acabamento. Acompanharam ainda as mudanças da sociedade e passaram a oferecer itens indispensáveis à segurança, como clausuras e automatizações. Outras se lançaram há pouco tempo no mercado, mas estão concentradas no atendimento a toda e qualquer demanda dos condomínios, na qualidade dos serviços e em oferecer preços competitivos para chegar com igualdade de condições ao cliente. Mas todas, de maneira geral, dispõem-se a orientar bem o síndico ou administrador sobre as melhores soluções para cada necessidade, recomendando, por exemplo, a utilização do ferro nos lugares onde é preciso garantir segurança e resistência.

Indispensável à realização dos procedimentos de segurança, especialmente no controle de acesso dos moradores, trabalhadores, visitantes e veículos, o cadastro atualizado dos proprietários e moradores garante o bom andamento da administração do condomínio.

Levantamento nacional realizado junto às escolas públicas pelo Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid), vinculado à Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), e pela Secretaria Nacional Antidrogas (Senad) aponta que o contato com as drogas lícitas, principalmente o álcool, representa a porta de entrada de jovens e adolescentes no vício das ilícitas.

No cockpit do prédio, comando e estrutura invioláveis 

A integração entre alarmes e controle de acesso ou entre equipamentos de prevenção a incêndio confere mais agilidade aos sistemas, diminui riscos por falha humana e dá mais tranquilidade aos condomínios.

Os modernos sensores de presença ajudam na economia de energia. E, com as luzes de emergência em dia, o condomínio fica mais seguro.

É possível deixar o condomínio mais seguro complementando equipamentos adequados, treinamento dos funcionários e procedimentos de segurança.

Um bom projeto de segurança para um condomínio deve somar equipamentos confiáveis, treinamento dos funcionários e colaboração dos moradores. Cerca elétrica, clausuras, câmeras coloridas digitais, interfonia digital, holofotes para clarear a rua, etc., não funcionam se os funcionários e moradores não estiverem devidamente preparados para utilizá-los. A comunicação é parte fundamental no projeto de segurança do condomínio.

Confira abaixo um conjunto de 62 artigos aprovados em assembleia de moradores de um condomínio residencial de São Paulo, os quais estabelecem normas de segurança que devem ser cumpridas por todos.

Muitos condôminos se irritam com medidas restritivas de acesso ao condomínio, especialmente em relação a visitantes, entregadores e prestadores de serviços. Procure encarar esses procedimentos como um mal necessário. Os bandidos se aproveitam justamente de momentos de desatenção ou desleixo na segurança para agir. Elogiar a ação dos funcionários do prédio é fundamental para o aprimoramento do trabalho.

Um sistema eletrônico de segurança tem a função de prevenir; ele detecta e avisa quando alguma irregularidade acontece. Os sistemas eletrônicos envolvem subsistemas, que são as centrais de alarmes, os controles de acesso (videoporteiros, catracas, leitores de cartões) e os CFTV (circuitos fechados de televisão e vídeo). Esses subsistemas trabalham integrados entre si e é fundamental, para seu bom funcionamento, que tenham instalação adequada, feita por pessoal especializado.