Impermeabilização de Piscinas

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Os especialistas são unânimes:  toda impermeabilização exige um projeto que irá definir a melhor solução a ser empregada conforme as características topográficas e construtivas do local. Segundo Eliene Ventura, engenheira colaboradora do Instituto Brasileiro de Impermeabilização (IBI), antes mesmo da fundação de um edifício é preciso haver um projeto de impermeabilização já definido. E no caso da piscina, “o sistema mais indicado vai depender de vários fatores, como as condições do terreno. Por exemplo, se é um aclive ou um declive, e se a área tem um lençol freático alto ou não”, aponta.

Os sistemas de impermeabilização mais utilizados em piscinas, conforme Eliene, são as argamassas com aditivos impermeabilizantes, as argamassas poliméricas e as conhecidas mantas asfálticas (não indicadas, segundo a engenheira, em áreas com lençol freático alto). Somente as piscinas de PVC ou de fibra de vidro dispensam impermeabilização. Estas, porém, segundo pondera o engenheiro Jerônimo Cabral Fagundes Neto, “são materiais de vida útil bem menor do que as piscinas de estrutura de concreto revestidas com placas cerâmicas ou pastilhas”. Pós-graduado em avaliações e perícias de Engenharia e mestre na área Tecnologia das Edificações, Jerônimo recomenda alguns cuidados na manutenção dessas piscinas de estrutura de concreto, incluindo iluminação e luminárias, instalações elétricas, ligações hidráulicas e rejuntes, já que um vazamento só é facilmente percebido em casos em que a garagem fica no subsolo. “Em piscinas enterradas é mais complicado descobrir um vazamento”. Ele somente acaba percebido quando ocorre uma variação muito grande do volume da água ou promove um afundamento, “com recalque em volta da piscina ou no seu próprio interior”, explica o engenheiro.

Eliene Ventura observa, por sua vez, que para evitar o escoamento da água por trás das paredes da piscina, que podem fazer pressão causando danos ao sistema, existem soluções simples, como a colocação de grelhas no piso circundante à área, que também deve ter uma caída adequada evitando infiltrações causadas pelas chuvas ou lavagens. “Juntas de dilatação devem ser previstas, apresentando superfícies planas e paralelas, e a estrutura não pode ser objeto de trincas”, atesta Eliene.

Jerônimo complementa que, do projeto à execução de uma piscina, devem ser seguidos os procedimentos corretos para que a área seja efetivamente aproveitada pelos moradores: “Já vi casos de piscinas em prédios seminovos que nunca puderam ser utilizadas pelos moradores, porque apresentam vazamentos. Depois de impermeabilizada, a piscina deve passar por um teste de estanqueidade de 72 horas. Só depois disso é que está liberada para receber o revestimento, e tomando-se todos os cuidados para não perfurar a manta asfáltica.”

Para o também engenheiro André Fornasaro, conselheiro do IBI, o síndico deve contratar um projeto de impermeabilização, qualquer que seja a área a ser trabalhada. “Uma orientação técnica especializada diminui riscos que podem parecer banais, mas que, no futuro, trazem um transtorno enorme a todas as partes envolvidas, até porque juridicamente não existe agilidade para a apuração das responsabilidades, para o ressarcimento de prejuízos e para a re-execução do que foi mal feito e está vazando”, finaliza.

Matéria publicada na edição Nº 156 em abril de 2011 na Revista Direcional Condomínios.