Quadras dos condomínios - Pisos: Soluções devem considerar uso mais frequente

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O concreto permanece como uma das soluções mais utilizadas no revestimento das quadras dos condomínios, mas novas opções de mercado, como a borracha em placas intertravadas, também vêm agradando aos síndicos. O importante é pensar em um revestimento conforme o uso que será dado ao local, se mais voltado para a prática esportiva focada no desempenho, se para atividades diversas, incluindo skates, ou, ainda, para recreação. No condomínio Stella Solaris, de Moema, bairro da zona Sul de São Paulo, o síndico e engenheiro Paulo Maccaferri optou pela superfície à base de concreto, polido e regularizado por resina acrílica antiderrapante e revestido com tinta também acrílica, resistente aos raios UV.

“Escolhemos um piso em que as crianças possam fazer um uso mais pesado, com skate, e que nos dê menos custo de manutenção”, relata Paulo. Segundo ele, a expectativa é que somente a pintura seja refeita a cada dois anos e a base resista por muito mais tempo. Se houvesse espaço físico no condomínio, Paulo diz que implantaria áreas específicas para usos diferenciados, como a grama sintética ou o emborrachado com amortecimento para a prática de esportes específicos. A arquiteta Mara Cabral, especializada no assunto, aponta que boas opções de superfície para quadras externas incluem grama natural, sintética, o concreto de alto desempenho pintado, concreto cimentado e pintado, o piso sintético flexível em manta de borracha, a borracha intertravada, além do revestimento asfáltico e pintura com resinas acrílico-vinílicas. Já para os espaços cobertos, a lista pode ser ampliada com o epóxi, o PVC, a madeira, o linóleo, o vinílico e a borracha coberta com poliuretano (PU).

Nos locais destinados à recreação de crianças pequenas, em geral mini quadras, Mara tem observado a aplicação de borracha e areia, pois são antiderrapantes e apresentam bom padrão de absorção de impacto e de reflexão acústica. No entanto, para quadras de uso múltiplo, ocupadas pelos jovens e adolescentes, é preciso um piso mais robusto, que atenda aos padrões de desempenho (como maior ou menor amortecimento ao impacto, dependendo da modalidade praticada), diz.

Existem normas que precisam ser seguidas pelos profissionais, lembra Mara. É o caso da NBR 14050/98, da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), relativa aos procedimentos para projeto, execução e desempenho de superfícies à base de resinas epóxi e agregados minerais. Existem ainda normas europeias tomadas como referência pelos brasileiros e que tratam do desempenho dos pavimentos nos desportos e em atividades como ginástica. “Elas estabelecem critérios quanto à capacidade de deslizamento lateral dos pés, nível de deformação vertical do piso, de brilho e reflexo, módulo de elasticidade, padrões de deflexão, energia de recuperação e reflexão da bola, e ainda citam algumas substâncias químicas proibidas”, explica Mara. Assim, antes de contratar a solução, o síndico precisa estar atento ao perfil dos usuários e contratar o projeto mais adequado, finaliza a arquiteta.

Matéria publicada na Edição 162 - out/11 da Revista Direcional Condomínios.