Quando, como e por que reformar as instalações elétricas nos condomínios

Escrito por 

Quase uma minicidade, o Conjunto Habitacional e Comercial Vila Mariana apresenta problemas compatíveis com seu tamanho: o condomínio misto, localizado na Vila Mariana, em São Paulo, tem 931 apartamentos, 51 lojas, oito blocos de apartamentos e uma população estimada em três mil pessoas. O edifício mais antigo do condomínio foi construído há 42 anos. Não é de se estranhar que as instalações elétricas necessitassem de reforma.

Moradora do local há 37 anos e síndica há quatro, Brígida Paiva Martins avalia que o condomínio vem sendo mantido com esmero. Porém, os centros de medição careciam de maior atenção. “Concluímos a reforma do centro de medição de um bloco, que levou um ano e foi paga em 15 meses. O custo da obra foi de R$ 127 mil, divididos por 135 apartamentos. Trocamos toda a fiação por material antichamas e usamos os disjuntores mais modernos. Fizemos a reforma da portaria até os apartamentos”, resume. A síndica considerou a relação custo benefício da obra excelente, e já contabiliza a economia significativa obtida na conta de luz: o gasto com energia na torre caiu de R$ 4 mil para R$ 1.100 mensais, com dois elevadores. “Além disso, estamos mais seguros e sem qualquer risco de incêndio ou problema causado pelas instalações elétricas. Antes, tínhamos queda constante de energia nos apartamentos. Agora já estamos orçando a obra para outros dois blocos”, comenta.

Situações como a vivida pelo Conjunto Vila Mariana são corriqueiras. Edifícios antigos sofrem com sobrecarga de energia em suas instalações elétricas. “Instalações antigas, com mais de 10 anos, normalmente não foram dimensionadas para atender às atuais necessidades de cargas elétricas, como aparelhos de aquecimento de água e de ambientes com grandes potências, secadores de cabelo, fornos elétricos e outros. Pode ser necessário adequar a instalação, aumentando a seção dos condutores, a quantidade de circuitos e tomadas e chegar até ao aumento da carga elétrica contratada com a empresa distribuidora”, sustenta Eduardo Daniel, superintendente da Certiel Brasil (Associação Brasileira de Certificação de Instalações Elétricas), entidade que defende a certificação na área.

Até mesmo o síndico pode perceber os sinais de sobrecarga e mau dimensionamento da elétrica do prédio. O próprio visual das fiações costuma aparentar superaquecimento e ressecamento. Mas, é claro que qualquer serviço relativo às instalações elétricas deve ser entregue a especialistas. “O projeto e a solicitação de reforma no centro de medição deve ser feito por um profissional legalmente habilitado – engenheiro eletricista ou técnico em eletrotécnica até uma determinada potência, e recolhida a ART – Anotação de Responsabilidade Técnica”, avisa o engenheiro Edson Martinho, diretor executivo da Abracopel (Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade).

APROVAÇÃO E CÁLCULO
A atualização dos centros de medição consiste na reforma das prumadas com a substituição de condutores redimensionados, “importante para dar mais segurança aos moradores”, esclarece Martinho. “O síndico deve sugerir e argumentar aos condôminos que, com a reforma da instalação do prédio, houve um aumento da capacidade e os apartamentos passam a ser o gargalo, sendo recomendável a adequação de suas instalações internas”, completa o diretor da Abracopel.

Eduardo Daniel, superintendente da Certiel Brasil, explica que o projeto de acréscimo de energia fornecida ao condomínio deve ser aprovado junto à concessionária e que o cálculo deve ser feito a partir dos pontos de utilização e retornando até o centro de medição. “No caso de inadequação da atual instalação interna dos apartamentos, os circuitos devem ser substituídos ou aumentados, adequando-se também as proteções contra sobrecorrentes e sobretensões dos quadros individuais dos apartamentos. As prumadas, se necessário, devem ser substituídas por condutores maiores desde o centro de medição até cada apartamento, de modo que todo o conjunto fique adequado às novas condições”, orienta.

Além das reformas dos centros de medição, geralmente com acréscimo de carga, outra questão tem preocupado os síndicos quando se trata do consumo de energia elétrica: o excedente de energia reativa paga pelo condomínio. “Energia reativa é a energia solicitada por cargas indutivas, como transformadores e motores, e que não é consumida e sim devolvida ao circuito quando se desligam os equipamentos. Mesmo não sendo consumida, ela deve ser fornecida pela distribuidora”, explica Eduardo Daniel.

“Para que não haja um abuso, ou seja, pouca eficiência, gerando muito e utilizando pouco, as concessionárias de energia elétrica cobram multa por ultrapassar um determinado valor de energia reativa”, orienta Martinho, da Abracopel. O fator de potência identifica a energia reativa que está sendo fornecida. “A compensação do fator de potência pode ser conseguida pela instalação de capacitores, que possuem características contrárias às dos motores, diminuindo a energia reativa fornecida”, orienta Eduardo Daniel, superintendente da Certiel Brasil.

FORMAÇÃO
Se o assunto é energia elétrica, o síndico sempre deve recorrer a um especialista em caso de problemas nas instalações ou no consumo do condomínio. Contar com um zelador bem preparado também é prudente. Edson Martinho considera imprescindível que o zelador ou o gerente predial conheça todos os riscos da eletricidade e seus limites em relação a ela. “Ou seja, até onde eles possuem conhecimento para uma determinada manutenção e quando devem chamar um profissional qualificado”, pontua.

Para Eduardo Daniel, a formação básica sobre segurança elétrica não é tão simples, “porque exige conhecimento técnico e pode levar a pessoa a se considerar apta a realizar qualquer serviço elétrico, desprezando os riscos envolvidos”. “Devem ser apresentados aos zeladores e gerentes prediais os sinais básicos de falta de segurança, como conexões mal feitas, falta de fio terra (condutor de proteção), aquecimento dos condutores e dispositivos instalados. Hoje existem publicações de fabricantes de equipamentos e condutores elétricos, concessionárias e entidades de apoio, como o Procobre. Formação mais especializada pode ser conseguida em cursos técnicos no Senai e nos sindicatos de instaladores”, arremata o superintendente da Certiel Brasil.

Matéria publicada na Edição 168 - mai/12 da Revista Direcional Condomínios.