Quadras: Múltiplas soluções melhoram aproveitamento dos espaços

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Um dos itens de lazer mais desejados pelos condôminos, as quadras podem ser construídas com diferentes revestimentos e para várias modalidades, adaptando-se com facilidade aos ambientes disponíveis.

O advento dos condomínios- clube no Brasil reflete o quanto o morador hoje volta os olhos para facilidades próximas e disponíveis a qualquer tempo. Ele ficou mais exigente e ávido por infraestrutura e equipamentos de lazer. Um bom exemplo é a presença das quadras esportivas e poliesportivas nos edifícios residenciais que, como qualquer outro item de uso intenso e de grande rotatividade, precisam ser bem estruturadas e passar por manutenções periódicas.

Os materiais mais usados atualmente no revestimento das quadras externas de condomínios, as mais comuns nesses recintos, são aqueles que apresentam resistência à abrasão e impacto, como os pisos em base de concreto e revestimento com pintura acrílica, explica a arquiteta Mara Cabral. "Recomendo material ecológico, à base de poliuretano acrílico alifático, indicado para uso sobre tinta de fundo epóxi, e os protective coatings (pisos formulations), pela excelente retenção de brilho e cor, além da ótima durabilidade", diz.

Se forem considerados os recursos citados, sua manutenção pede uma simples limpeza periódica com o uso de vassoura para retirar o pó e a poluição que ficam depositados sobre a superfície da quadra - elementos que podem desencadear reações químicas -, além da lavagem ocasional com água e sabão neutro. "Também não é aconselhável pousar nesses espaços cadeiras, bancos, barraquinhas etc., com peso concentrado nos apoios, pois os mesmos podem danificar o piso da quadra", orienta a arquiteta.

Ainda segundo Mara, se o síndico tiver com intenção de reformar a quadra, precisará levar em conta alguns aspectos fundamentais. "Se o piso preexistente não apresentar infiltrações e nem estiver no cronograma do condomínio a troca da manta de impermeabilização, a escolha do tipo da quadra esportiva vai depender apenas da finalidade de uso", revela a especialista. Desta forma, caso haja espaço suficiente nas dependências do edifício, a melhor opção é a quadra poliesportiva, recomenda. Em relação a isso, George Ricardo de Abreu, gerente de uma empresa especializada em quadras, observa que se forem requisitadas "demarcações para jogos de tênis, vôlei, futebol de salão e basquete, o tamanho padrão é de 18 metros por 30. Mas existem soluções para quadras com a metade dessa metragem, inclusive as quase inéditas street ball, que possuem somente um garrafão e uma tabela de basquete", revela George.

VARIEDADE DE REVESTIMENTOS

O gerente comenta ainda sobre o período de execução dos trabalhos. A construção de uma quadra de base em concreto, por exemplo, é mais demorada, pois depende do prazo de cura dos 28 dias. É também a mais cara, principalmente se for especificado o concreto de alto desempenho à base de resinas epóxi e agregados minerais. "O piso asfáltico ou combinado com o acrílico demanda camadas variadas de diversos tipos de pedras e não tem junta de dilatação, são os ditos pisos monolíticos", observa Abreu. Atualmente os profissionais brasileiros baseiam-se em referências internacionais para desenvolver os projetos das quadras e na NBR 14050/1998, da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), a qual trata dos sistemas de revestimentos de alto desempenho, à base de resinas epóxi e agregados minerais. No geral, os revestimentos aplicados vão do concreto (de maior durabilidade) à grama sintética (ideal para a prática de futebol society), passando pelo asfáltico (bom para locais sem cobertura); emborrachado (usado em recintos cobertos); e saibro (mais utilizado em quadras de tênis profissionais).

Síndico do Condomínio Edifício Stella Solaris, no bairro de Moema, zona Sul da Capital, o engenheiro Paulo Maccaferri não se dobrou ao fato de ter um espaço reduzidíssimo no edifício quando resolveu construir uma quadra. "Ela nasceu onde antes era um pequeno parquinho instalado em pouco mais de 70 metros quadrados, e já conta com a aceitação de 100% dos condôminos", revela. Maccaferri convocou empresas especializadas para cotar preços e modalidades de serviços, colhendo referências inclusive entre outros condomínios. "Decidi pelo piso em concreto, devido à fácil manutenção e alta resistência, pois ali as crianças costumam andar de skate e patinetes. Depois, alteramos apenas o Regimento Interno para criar as regras de uso", sintetiza Paulo.

Matéria publicada na Edição 172 - set/12 da Revista Direcional Condomínios.