Em SP, condomínios do Itaim Bibi se juntam para dificultar invasões

Escrito por 

Os 103 condomínios que participam do Vizinhança Solidária estão organizados em grupos ou bolsões, cada qual com um método próprio de comunicação. Alguns deles, por exemplo, trocam informações várias vezes ao dia por rádio, mantendo uma rotina de contato e repassando qualquer tipo de anormalidade observada na rua. São procedimentos previamente combinados e que precisam ser respeitados pelos funcionários de todos os empreendimentos que compõem o grupo. Já alguns síndicos, como nos bolsões representados por Luzia Maziero Fernandes, Maristela Campos Bernardo e Elizabeth Langendoerfer, mantém-se conectados a qualquer tempo via email ou telefone e chegam a se reunir duas vezes por mês: uma para atividades do programa e, outra, para confraternização em um restaurante do bairro.

Maristela, Luzia e Elizabeth estão entre os síndicos pioneiros, que resolveram se unir pela segurança do entorno em princípios de 2009 e procuraram a Polícia Militar em busca de apoio, depois que um condomínio de sua rua teve algumas unidades assaltadas. Em quatro anos, o número de empreendimentos participantes do programa mais que quintuplicou, entretanto, elas dizem que é preciso mobilização permanente dos síndicos - principalmente para o treinamento dos funcionários e a conscientização dos condôminos sobre a importância das normas de segurança.

O treinamento é oferecido pela 2ª Cia da PM do bairro aos porteiros e síndicos. Os próprios encontros favorecem a aproximação entre os funcionários de diferentes condomínios, criando o espírito de solidariedade, observa o Capitão Marcos Daniel Fernandes. Por outro lado, ele destaca a importância da presença dos síndicos, de forma a que obtenham subsídios para defender os porteiros mediante a incompreensão de alguns condôminos, e também para cobrar o cumprimento da rotina de segurança. Na verdade, para o oficial, atuar junto aos síndicos "é fácil, pois eles têm espírito de liderança e interesses comuns".

Já a expansão do programa para outras Companhias da Polícia Militar no Estado demonstra, segundo ele, que "é possível, especialmente em cidades como São Paulo, onde as pessoas mal se cumprimentam, inverter esse processo e conseguir uma mudança cultural, fazendo com que elas passem a se preocupar com o próximo, o coletivo". O oficial reforça que a alma do programa é a comunicação, por isso, no mês de julho passado, ele reuniu inicialmente os síndicos representantes de 52 dos 103 condomínios para uma nova etapa do Vizinhança Solidária, que agora pretende conectar todos os bolsões, uns com os outros.

 

Foto: Rosali Figueiredo

Matéria publicada na Edição 182 da Revista Direcional Condomínios.