Conheça Paulo Paleari: Em Síndico, Conte Sua História!

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“Vida de síndico não é fácil, mas sinto orgulho por desempenhar bem essa função”

Síndico Paulo Paleari

Paulo: há duas décadas como gestor

Paulo Paleari, de 66 anos, valoriza a manutenção e economia no condomínio.

“JAMAIS imaginei ser síndico, mas simplesmente aconteceu – duas vezes! Hoje, aposentado após uma carreira de projetista na Bosch, eu trago, ainda, em minha história, duas décadas de experiência como gestor de condomínio. A vida de síndico não é fácil, requer grande responsabilidade, disponibilidade e autocontrole, e a remuneração é pouca. Mas eu me sinto bem como síndico e sinto orgulho em desempenhar essa função porque vejo o bom resultado das minhas ações.

Costumo ouvir dos moradores que eles me apoiam porque eu estou mudando o prédio para eles. Mas eu também estou mudando o prédio para mim! O síndico tem de ter esse olhar, tem de querer o melhor para o lugar onde vive, obviamente sem fazer gastos fora da realidade dos condôminos. As minhas ações não são como as de alguém que pinta um banco de jardim de outra cor com a intenção de deixar uma marca: ‘ah, esse banco azul é da gestão do Paulo’. Nada disso. Eu explico tudo o que é preciso fazer aos condôminos. As minhas ações tem propósito, que é tornar mais seguro, confortável e bonito o lugar em que eu moro com a minha família, e onde vivem tantas pessoas. Eu acho que os síndicos tem de ter essa visão. O dia em que estiver tudo reformado no meu prédio, vou me sentir ainda mais feliz, afinal o condomínio também é a ‘minha casa’, e minha casa estará bonita.

Sou de Bauru, no noroeste paulista, e desde que vim para São Paulo, aos 20 anos, sempre morei em prédios, inclusive meus dois filhos foram criados em apartamento. Mesmo assim, até 1990 eu nunca tinha me envolvido com sindicância ou conselho. Naquele ano, durante a implantação do Edifício Monte Carlo, na Saúde, zona sul, um condomínio para onde minha família e eu nos mudaríamos, ninguém queria saber de ser síndico, muito menos eu.

Alguns condôminos tiveram a ideia de criar uma escala de cinco gestões durante 10 anos, na qual os moradores se intercalariam no posto a cada 24 meses. Eu aceitei tomar parte, mais para viabilizar o rodízio, e quando chegou a minha vez, cumpri o trato. Só que passados dois anos, os moradores não queriam que eu saísse. Estimulado pela aprovação deles, desejei ficar e continuar a prover melhorias.

Fui síndico por 10 anos, e aclamado, porque os condôminos diziam que eu fazia obras importantes, mas que não ficavam tão caras. Eu respondia que era porque eu gostava de tudo certinho. Naquela época, eu ainda trabalhava na Bosch, mas me empenhava em ter participação ativa no condomínio. Deixei a função porque estava saturado da postura de algumas pessoas com atitudes mesquinhas.

Em 2012, minha família e eu fomos morar no Edifício San Marino, um prédio no mesmo bairro, com uma torre e 64 unidades. Em uma noite que eu receberia convidados, houve uma emergência hidráulica e precisei resolver porque não havia ninguém no prédio para isso. Outros dois episódios parecidos ocorreram, e como mais uma vez ninguém conseguiu localizar o síndico, fui chamado para ajudar. Ser proativo fez com que os moradores indicassem meu nome na assembleia anual para eleger um síndico. Fiquei surpreso porque eu era novo ali no prédio, mas aceitei o desafio. O condomínio se encontrava abandonado, com várias manutenções a serem feitas.

Passados dez anos, muita coisa melhorou, mas ainda tem o que arrumar. Assumi o prédio com 15 reais em caixa e hoje está financeiramente saudável. Consigo manter a cota condominial baixa e fiquei dois anos sem aumentar o valor. No ano passado, apliquei o reajuste, mas de 5% apenas, mesmo sabendo que a inflação de 2021 ficaria em 10%. Isso só é possível porque adotei um conjunto de medidas para economizar luz e água, e o que mais for possível. Pinturas internas, por exemplo, são feitas pelo manutencista, que é quem me auxilia em uma ‘oficininha’ que instalei no prédio para reparar peças, equipamentos e criar soluções para o condomínio.

Sei que o meu cargo é de liderança, então sou firme, mas também flexível, gosto de consultar a opinião dos moradores e o aplicativo de mensagens WhatsApp me ajuda na tarefa. Organizo tudo o que se refere ao San Marino em pastas e planilhas no computador, e faço anotações no meu caderninho pessoal. É preciso ter registro das informações e conferir extratos bancários. Mesmo com suporte de uma administradora, o síndico deve ter controle de tudo até porque um dia a empresa pode não existir mais. Já vivi algo assim no Edifício Monte Carlo. Quiseram trocar uma administradora eficiente por uma empresa mais barata; eu fui voto vencido. Pois essa administradora faliu, dando um prejuízo de 20 mil reais ao condomínio. A lição disso? Time que está ganhando não se mexe".

Paulo Paleari, em depoimento concedido a Isabel Ribeiro


Matéria publicada na edição - 279 - jun/2022 da Revista Direcional Condomínios

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