Zelador - O Equilibrista: Antes, durante e pós-pandemia

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Quatro profifissionais de condomínio expõem como conciliam suas funções frente às mudanças impostas pelas variantes do novo coronavírus. Seus métodos? Foco, atenção e proatividade

Zelador andando na corda

Para comemorar o Dia do Zelador, celebrado em 11 de fevereiro, a Direcional Condomínios ouviu o paulistano Fernando Barbosa (40 anos), o baiano Juraci João dos Santos (48 anos) e os pernambucanos Cosme Vasconcelos da Silva (58 anos) e Luiz Carlos Silva (35 anos), empregados em prédios de São Paulo (SP). Se a categoria já fazia malabarismos para conciliar demandas, imagine só em tempos pandêmicos! Pois os quatro deram – e ainda dão – o seu melhor contra o coronavírus e a favor do cumprimento de regras nesse relativizado novo normal.

Filho, sobrinho e afilhado de zelador, Fernando está na profissão há 14 anos, os últimos sete no Edifício Alvorada, no Morro dos Ingleses, zona central, onde dá expediente em horário comercial. No prédio de 14 unidades, uma por andar, ele conta com cinco funcionários e os ajuda no que for preciso. “Um dos segredos do ofício é mostrar à equipe que você está ali para fazer a diferença”.

E assim é na limpeza, tarefa em que passou a colaborar com o faxineiro porque, desde a pandemia de coronavírus, os cuidados aumentaram. Ele usa como exemplo a escada de emergência, que até 2019 era higienizada duas vezes por semana, mas no auge da Covid-19, passou para cinco limpezas diárias! Hoje essa frequência caiu para três vezes ao dia, mas permanece alta. “A pandemia não acabou”, diz. Está aí o repique causado pela variante Ômicron para corroborar.

Proativo, ainda em 2020 Fernando pôs uma banqueta de ferro no elevador para servir de apoio às encomendas dos moradores e enviá-las aos respectivos andares, e a peça ali permanece. “Achei adequado de se transportar, especialmente refeições. Deu certo”, comemora.

Sempre alerta!

Cosme está há quase 40 anos no ramo, os últimos 29 deles no Edifício Jardim das Cinquenta Fontes, na Chácara Klabin, zona sul, onde reside com a família. Para zelar pelo prédio de 12 andares e 48 apartamentos, comanda estrutura enxuta de funcionários, entre os quais reforça a orientação de continuarem atentos aos protocolos de higiene “porque o perigo não passou”.

No começo da pandemia, foi de Cosme a sugestão de que se borrifasse álcool a 70° nos pacotes de encomendas antes de entregá-los aos destinatários. Também alertou o síndico para instalar mais alguns suportes de álcool em gel pelo condomínio. “Esse álcool veio para ficar porque ajuda a prevenir doenças e em prédio circula muita gente”.

Ouvinte atencioso

Zelador faz 27 anos, Juraci atua há 23 no Residencial Florianópolis, prédio de dez andares e 20 unidades, na Mooca, zona leste, no qual mora com esposa e filhas. Sereno, ele, que teve Covid-19 e perdeu o pai para a doença, conseguiu até ajudar a acalmar a angústia de alguns condôminos sobre os infortúnios e incertezas da pandemia. “Se a gente ouve com paciência, vai estudando as palavras para usar e confortar o outro”, ensina.

Seu jeito calmo lhe valeu ao lidar com uma saia-justa bem no começo do surto, quando junto com a faxineira, ele tocava a campainha das unidades para recolher o lixo. “Tinha quem abria a porta, mas com receio de se contaminar. Era constrangedor, mas por outro lado, sei que não era pessoal”.

Nesse ‘novo normal’, Juraci cita que o volume de encomendas dos moradores permanece elevado, fato que pede total atenção da equipe na hora do recebimento das entregas, pois meliantes podem se valer do movimento para querer entrar. “Sigo pelo celular o grupo de segurança do bairro e repasso informações e dicas aos funcionários”.

Desafio em condomínio-clube

Luiz Carlos há seis anos é zelador do Sphera, condomínio-clube em que mora com a família, na Água Branca, zona oeste. Para manter operante o empreendimento de duas torres de 28 andares e 224 apartamentos, possui uma equipe de 23 pessoas, incluindo uma auxiliar administrativa, e acompanha tudo de perto. Lidou pessoalmente com as reclamações de barulho de reformas recebidas de quem estava em home office. Ia de obra em obra para lembrar dos horários especiais reservados às tarefas mais barulhentas.

Mesmo hoje, Luiz Carlos ainda precisa alertar os que insistem em descumprir normas derivadas da pandemia. “Muitos não querem mais usar a máscara, alegam que tomaram vacina. Outros vão à academia e querem malhar com o ar condicionado ligado, quando é preciso que fique aberta para ventilar”. Nesse local, aliás, ele teve a ideia de demarcar espaços no chão com fita adesiva amarela para que condôminos não se esbarrassem durante os exercícios “porque tinham medo de pegar Covid”.

Evite conflitos

No atual cenário, exceto pela obrigatoriedade de máscaras, os condomínios tem normas distintas na prevenção da Covid-19. Paulo Ferrari, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Edifícios e Condomínios de São Paulo (Sindifícios) diz que, ao abordar um morador para alertar sobre a existência de regras, o zelador não deve agir como se as tivesse criado.

“O zelador deve alertar sobre a existência delas, deve orientar o morador, e se for confrontado, então tem de deixar claro de onde essa regra partiu, porque não foi dele! Se não resolver, leve o caso ao síndico ou à administradora”.

Matéria publicada na edição - 275 - fev/2022 da Revista Direcional Condomínios

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