Segurança, portaria virtual & modelos híbridos. Mais proteção para os condomínios

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Tecnologia de identificação facial, portaria com videomonitoramento ininterrupto, portão de garagem ultra veloz, sensor infravermelho ‘invisível’ a olho nu, liberação de visitas por QR Code, clausura para dupla checagem digital no acesso: Esses recursos são parte do rol de soluções que integram informatização, automatização e mudanças estruturais para deixar as edificações mais protegidas.

Síndico

Síndico Pedro Nagahama: Portaria virtual requer integração sistêmica entre equipamentos e dispositivos eletrônicos e os softwares de gestão e controle de segurança

Nesse cenário, destaca-se a portaria virtual, opção adotada especialmente para reduzir custos em condomínios, mas que contempla também o fator proteção. “Acredito até que a segurança seja o ganho maior”, avalia o profissional de T.I. (Tecnologia da Informação) Pedro Nagahama, síndico orgânico no Tatuapé, zona Leste de São Paulo, e membro do comitê de síndicos da Abese (Associação Brasileira das Empresas de Sistemas Eletrônicos de Segurança).

A portaria virtual consiste em uma base de monitoramento e atendimento remoto, que funciona 24 horas. A modalidade requer portas e portões automatizados e o acesso de moradores ao condomínio é liberado por controle remoto, tag, “face ID” e leitores biométricos. Para autorizar a entrada de visitantes e prestadores de serviço, o mais usual é recorrer ao interfone, que é atendido na central; o operador contata o condômino via interfone, telefone fixo ou celular, a depender de como a comunicação foi acordada.

Todos os áudios e imagens são gravados, o que é superpositivo para Pedro. “Hoje, eu tenho informações de quem entrou e saiu, e de quem liberou. Se acontecer algo fora do normal, está tudo registrado”, diz. Desde que ajudou a implantar a portaria virtual no prédio de 22 unidades onde reside, o síndico recebe relatórios mensais dos acessos à edificação, e acompanha as câmeras pelo celular. Planeja até criar um aplicativo comunitário integrado à portaria para que os moradores também acompanhem a movimentação local e tenham acesso a uma função de pânico no smartphone.

Pedro colaborou no desenvolvimento de uma cartilha com orientações sobre tecnologias e portaria remota. É o “Guia do Consumidor para Aquisição de Sistemas Eletrônicos de Segurança”, que pode ser baixado gratuitamente no site da Abese. Mas, ele já adianta que para aderir à nova portaria, o condomínio precisará se estruturar para fazer uma integração sistêmica entre equipamentos e dispositivos eletrônicos e os softwares de gestão e controle de segurança. Tudo terá de estar alinhado e receber atualizações constantes para não haver falhas e riscos.

Melhora da Segurança

Síndicos profissionais

Síndicos profissionais Carlos A. Fernandes e Alexandre E. Silva: Ganho de segurança na instalação de portaria virtual em prédio com 86 unidades

Quem também avaliza a portaria virtual no aspecto proteção é o síndico profissional Carlos Azevedo Fernandes. Junto com Alexandre Evangelista Silva, implantou o modelo há mais de dois anos no Capão Redondo, zona Sul de São Paulo, em um conjunto de cinco prédios, com 86 unidades. “Tivemos êxito sobre os três pilares, o financeiro, o operacional e o da segurança. Inclusive, segurança é o meu approach ao propor a portaria virtual aos condomínios”, observa Carlos Fernandes.

Em uma portaria física, o síndico observa que a atenção do colaborador tende a ser comprometida pelo acúmulo de funções ou por interrupções de moradores. E tem o sono, que pode chegar no silêncio da madrugada. “Na portaria remota, são vários operadores trabalhando, fica mais difícil dormir, e quando um deles não está num dia bom, o supervisor o substitui.” Ele destaca ainda que na versão virtual existem protocolos para o caso de invasão. “Na física, se o assaltante estiver armado, o porteiro fica sem ação”, compara.

No condomínio popular sob a sindicatura de Carlos Azevedo, ainda falta um ajuste que ele considera essencial no âmbito da segurança: o fechamento das entradas dos blocos. “Os moradores se acostumaram a deixá-las abertas, mas são pontos de vulnerabilidade”, observa.

O síndico quer também instalar armários inteligentes, uma necessidade identificada na troca de portarias, e exponenciada pelo disparo de e-commerce na pandemia. “Servirá para as entregas feitas fora do expediente do zelador, ou quando o morador estiver ausente”, diz. “São armários semelhantes aos dos vestiários. A transportadora coloca a encomenda, um código é gerado e repassado ao morador, que a retira quando puder.” Outra meta de Carlos Fernandes, mais a longo prazo, é instalar biometria facial na eclusa de pedestre. “Essa tecnologia tem um nível elevado de assertividade e barateou muito.”

Portaria Física Ressignificada

Síndica Rosana Nicchio

Síndica Rosana Nicchio: Upgrade no sistema de portaria remota com reconhecimento facial

A síndica profissional Rosana Nicchio, moradora e gestora de um condomínio com 24 apartamentos no Alto de Santana, zona Norte da Capital Paulista, aprova o reconhecimento facial, instalado no residencial desde o início de 2021. Em consonância com a leitura da impressão digital, o novo dispositivo promove dupla checagem da identidade. O morador identifica-se pela imagem do rosto quando chega e pela digital no portão interno. “Ele quer sair logo da rua, e o leitor facial é ótimo pela agilidade que dá ao acesso”, avalia.

Desde 2016, o condomínio tem portaria virtual, mas antes Rosana promoveu grande reforma local, incluindo a criação da eclusa de pedestre. A guarita foi mantida, porém ressignificada como posto administrativo e guarda-volumes. Nesse quesito, é possível que a síndica se renda ao apelo do armário inteligente, “que tem até versão com refrigeração para a mercadoria”. Mas por hora, avalia se existe mesmo necessidade do armário – e do gasto.

Ao migrar de portaria, a antiga central de interfones foi substituída por uma moderna; a cerca elétrica do perímetro, por uma barreira discreta, com sensor de luz infravermelha. Também foram adicionadas câmeras de segurança de alta resolução em áreas externas. Na garagem, sem espaço para eclusa, optou-se por readequar a velocidade do portão, mas esse recebeu há pouco tempo um upgrade na segurança, por sugestão da empresa de portaria. “Os meliantes forçam a abertura das garagens com as mãos, então por precaução instalamos um sistema de trava de eletroímã”, conta.

Outro reforço para acesso de veículos que tem despertado a atenção de Rosana, até por ser ideal para garagens sem espaço para clausura, é um sistema similar a uma cortina de cordoalha de aço, com abertura de apenas meio segundo. “É o meu desejo ter um, o custo é alto, mas em termos de segurança é muito válido.”

Portaria Física Alinhada com Avanço Tecnológico

Síndico profissional Roger Prospero

Síndico profissional Roger Prospero: Investimento tecnológico progressivo no controle de acesso

Morador e gestor de um condomínio-clube de três torres e 268 unidades, em Santo Amaro, zona Sul de São Paulo, o síndico profissional Roger Prospero trabalhou para deixar mais robusto o sistema de segurança que foi entregue de forma precária pela construtora. Promoveu modificações estruturais e upgrade em equipamentos.

Após concluída a primeira etapa da obra, no final de 2020, o condomínio passou a contar, entre outros, com entrada separada para moradores e visitantes/prestadores de serviços. A guarita recebeu blindagem completa, banheiro, bebedouro e ar-condicionado. Para a sala de monitoramento, foi feita substituição, aquisição e manutenção de câmeras.

Em seguida, passou a vigorar a autenticação por biometria facial para acesso ao portão interno da garagem. “É um sistema bem aperfeiçoado. Não é necessário ficar numa posição estática para fazer a leitura. E mesmo de máscara ou boné, a identificação é realizada”, comenta. Após implantar o método, ele descobriu que existe uma opção que até identifica o morador pelo vidro fechado de um carro blindado.

A tendência é se aproveitar da tecnologia, avalia Roger Prospero. Seu próximo passo é tornar operacional o controle de acesso por QR Code no portão de visitantes. A medida traz conforto aos moradores, mas, principalmente, serve para desafogar a portaria. No entanto, esse sistema gera a necessidade de outro equipamento, como uma catraca.

Para maior segurança, Roger salienta que o código de acesso deve ser individualizado (mesmo que para um grupo familiar ou de amigos) e invalidado após a leitura. Já a catraca força a liberação de uma pessoa por vez. “É para não gerar o efeito carona, para impedir que alguém se coloque entre os convidados de uma festa, por exemplo, e acesse o condomínio”, arremata. (Com reportagem de Isabel Ribeiro)


Matéria publicada na edição - 274 - jan/2022 da Revista Direcional Condomínios

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