Como deixar seu condomínio mais seguro

Escrito por

A pandemia trouxe questões positivas e negativas para o setor de segurança em condomínios. Pelo lado negativo, bandidos encontraram novas formas de roubar e os moradores, com medo de se infectar com o vírus, acabaram negligenciando os protocolos e tornaram a ação do infrator mais fácil. Em contrapartida, a implementação de novas tecnologias e o maior engajamento das pessoas sobre os assuntos que deixam o condomínio mais seguro são exemplos de coisas boas que essa crise mundial trouxe.

ilustração tecnologia de segurança

A Covid mostrou como as ações dos ladrões são dinâmicas. Eles acharam novas formas de roubar e deixaram bem claro que nenhum sistema de segurança é 100% seguro.

É o que acredita José Elias de Godoy, 54, Tenente-Coronel da PM aposentado com mais de 25 anos de experiência em segurança de condomínios. Segundo ele, não existe um sistema de segurança impenetrável porque a todo momento os bandidos estão pensando em formas de quebrá-lo. “Em média, visito dois condomínios assaltados por semana”, completa José Elias.

“Bandido usa muito o princípio da oportunidade. E o que cresceu muito com a pandemia? Sistemas de entrega! Então, muitos ladrões se aproveitaram disso. Os moradores queriam que os entregadores entrassem e entregassem as encomendas direto no apartamento e isso favorecia muito a ação do bandido. Teve também gente utilizando as situações médicas, vindo de jaleco, dizendo que foram chamados para fazer teste de covid no morador. Alguns chegavam de ambulância”, relatou o ex-tenente.

Ele explicou que hoje os assaltos em condomínios estão acontecendo por dois modos: o assalto pontual, que é quando o bandido entra pela porta da frente do condomínio por falha humana, invade as casas que estão desocupadas e praticam o furto. E o arrastão, uma prática mais complexa, na qual os bandidos entram fortemente armados na garagem, geralmente quando as pessoas estão saindo para trabalhar ou no final da tarde quando estão chegando, rendem os funcionários e fazem o roubo. Esta segunda modalidade é bem mais estratégica, os bandidos chegam preparados com equipamentos de comunicação e carros de fuga, mas corresponde apenas a 3% dos casos, segundo José Elias. A imensa maioria dos assaltos é feita de modo pontual.

Para Godoy (síndico há 12 anos do seu condomínio), o jeito mais fácil de chegar próximo a 100% de segurança no condomínio é o chamado “triângulo da segurança” que consiste em: segurança física (equipamentos, comunicação e portaria), investimento no funcionário (contratação, treinamento e supervisão constante) e conscientização do morador que, segundo ele, é a parte mais difícil. “Morador paga o quanto for em equipamentos, mas não quer seguir procedimentos. Morador quer segurança e facilidade. Porém, segurança não corre junto com comodidade e conforto”.

Durante a pandemia, moradores se mostraram mais interessados em entender sobre os assuntos de segurança do condomínio, participando das reuniões e dando sugestões. Isso é um ponto que o Tenente aposentado levantou como positivo.

Outras coisas positivas que a pandemia trouxe foram os equipamentos. Aparelhos de biometria facial tomaram conta do mercado e substituíram as biometrias digitais em vários condomínios. Esses sistemas, apesar de mais caros, são mais eficientes, mais rápidos e mais práticos, pois muitos moradores tinham problemas com as digitais.

Síndico

José Elias de Godoy (Tenente-Coronel da PM aposentado )

Mas atenção: os aparelhos de identificação facial não podem ficar constantemente expostos ao sol e para seu funcionamento correto precisa ter uma boa luminosidade no local.

Segundo José Elias, independentemente se os responsáveis pela segurança do condomínio são próprios, terceirizados ou trabalham remotamente, há uma série de procedimentos que são ensinados a eles e o não cumprimento de alguma dessas etapas pode facilitar a ação de infratores. “Independente se for porteiro próprio ou terceirizado, todo condomínio precisa ter protocolo. E os equipamentos estão aí pra ajudar. Se a pessoa não é identificada pelo aparelho facial, tem que seguir os protocolos”.

O Síndico Godoy ainda contou um caso curioso que vivenciou: um suposto morador ligou, informando que não estava em casa, solicitando liberação de dois homens, alegando serem seus sobrinhos que o aguardariam no apartamento. O porteiro pediu nome e documentos para o suposto morador verificando que os dados estavam corretos, autorizando assim a entrada dos rapazes. No final das contas, eram bandidos que tinham os dados do morador, usando isso para entrar no condomínio e praticar furtos nos apartamentos. Godoy usou esse caso para mostrar que a falta de rigor com o protocolo resultou no furto.

E por fim, Godoy deixou uma dica valiosa. “Bandido quer facilidade. Se você criar dificuldade para ele no seu condomínio, ele vai no condomínio vizinho”.


Matéria publicada na edição - 273 - nov/2021 da Revista Direcional Condomínios

Não reproduza o conteúdo sem autorização do Grupo Direcional. Este site está protegido pela Lei de Direitos Autorais. (Lei 9610 de 19/02/1998), sua reprodução total ou parcial é proibida nos termos da Lei.



Anuncie na Direcional Condomínios

Anuncie na Direcional Condomínios