Vida prática com minimercados, a reinvenção dos serviços em condomínios

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Os serviços que facilitam a vida dos condôminos diversificam-se e agora envolvem os minimercados, que ganharam espaço com a pandemia do novo Coronavírus. Eles vieram para se juntar a lavanderias, feiras-livres, deliveries de fabricantes de carnes e chocolates, pets care, salões de beleza e food-trucks, entre outros.

Minimercados

Síndica Jailma Araújo Brito: Variedade e qualidade dos produtos, agilidade na reposição e preços competitivos determinam sucesso dos minimercados nos condomínios

O cenário dos serviços nos condomínios residenciais vem se ampliando nos anos recentes, principalmente nos empreendimentos com perfil de clube. Outro segmento que tem dado espaço para serviços diversos, como lavanderias coletivas, são os prédios com estúdios ou unidades compactas de 1 e 2 dormitórios. Mas em 2020, a vez foi dos minimercados, que migraram dos ambientes corporativos e edifícios comerciais para os residenciais. Por causa da quarentena do novo Coronavírus, as pessoas começaram a trabalhar em casa e a valorizar o acesso fácil aos produtos que necessitam.

No Residencial Verde Morumbi, na zona Sul de São Paulo, a síndica profissional Jailma Araújo Brito conseguiu aproveitar um “caixão perdido” em um dos subsolos que dá acesso a equipamentos de lazer, para levar um fornecedor de produtos diversos para o dia a dia das famílias: Freezers com sucos e bebidas sem álcool, carnes, alimentos prontos, produtos lácteos, além de gôndolas com massas, grãos, ovos, pães, biscoitos, itens de higiene e limpeza, entre outros. As bebidas alcoólicas ficam em um espaço fechado, cujo acesso é liberado somente para adultos, por meio de um aplicativo.

“Tivemos uma breve experiencia anterior, com uma estrutura menor, para suprir a necessidade imediata dos condôminos no início da quarentena, em abril do ano passado. Foi um projeto piloto, que ficou até julho de 2020. Os preços eram elevados e os itens emergenciais, ou seja, o mix de produtos era insatisfatório para o condomínio, que tem 400 unidades. A partir de agosto trouxemos outro fornecedor, dentro do conceito de um verdadeiro minimercado, com preços competitivos com aqueles praticados lá fora”, afirma Jailma.

De acordo com a síndica, a cessão do espaço ao fornecedor foi realizada sem ônus entre as partes, sob orientação da assessoria jurídica do condomínio. É um contrato de experiência, observa, pois a parceria ainda terá que ser ratificada pela Assembleia Geral Ordinária que está para ser convocada no residencial. Depois desse desfecho virá o contrato definitivo, completa.

O Condomínio Verde Morumbi possui expertise na atração de serviços aos condôminos, como a feira-livre realizada às quartas, com direito à barraca do pastel, chope, churrasquinho, pão caseiro e sanduíche artesanal. Antes da pandemia, promovia semanalmente, no happy-hour da sexta-feira, um festival de food truck, hoje reduzido ao rodízio de fornecedores que estacionam na área externa do condomínio para atendimento delivery. A única facilidade que não combina com o empreendimento é a lavanderia coletiva, ressalva a síndica, uma vez que boa parte das famílias conta com funcionários domésticos.

Gestora no Verde Morumbi desde 2015, empreendimento que forma o complexo do Condomínio Misto Bonnaire, onde é síndica geral, Jailma observa que tem procurado ocupar espaços ociosos das áreas comuns com serviços aos moradores. No caso do minimercado, ela recomenda aos seus colegas, quando forem em busca de fornecedores, que fiquem atentos à variedade e qualidade dos produtos, à agilidade na reposição e aos canais de comunicação do fornecedor com o consumidor.

Dúvidas sobre legalidade, extravios & responsabilidades

Síndico Cristovão Luís
Lopes

Síndico Cristovão Luís Lopes: Condomínio não responde pelos casos de extravios; “a gestão do controle das mercadorias é da empresa”

Síndico profissional e gerente em um condomínio de alto padrão localizado na zona Oeste de São Paulo, Cristovão Luís Lopes destaca outro ponto essencial nas parcerias com os minimercados: As “responsabilidades” de ambas as partes. Na verdade, segundo ele, problemas como extravios e validade dos produtos, por exemplo, não podem ficar na cota de responsabilidade dos condomínios e síndicos. De outro lado, na cessão do espaço, deve ser exigido que o fornecedor preze pela qualidade dos itens dispostos nas gôndolas e freezers. Este deve se responsabilizar também pela instalação de câmeras que monitorem as operações e dispositivos de pagamento automático. No caso de bebidas alcoólicas, é preciso que o adulto faça um cadastro prévio junto ao prestador para a retirada das compras.

É claro que se acontecerem desvios recorrentes de mercadorias, o condomínio dará apoio ao fornecedor para conversar com a unidade responsável, pondera. “Mas a gestão do controle das mercadorias é da empresa, que repassa as informações ao síndico.” “É preciso que o condomínio deixe claro que não tem responsabilidade sobre estoques, saídas, isso está expresso no contrato, nos isentando ainda de intercorrências como a queda de energia e danos às mercadorias refrigeradas. Além disso, a qualidade e conservação dos produtos é de responsabilidade do fornecedor.”

Quanto à regularização da atividade comercial do porte dos minimercados em espaços físicos do condomínio residencial, o advogado Cristiano De Souza Oliveira recomenda que ela esteja prevista na Convenção.


Matéria publicada na edição - 265 - mar/2021 da Revista Direcional Condomínios

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