Como exercer a liderança no condomínio

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A pandemia da Covid-19 surgiu como uma verdadeira “prova de fogo” aos síndicos no quesito “gestão de pessoas”. Muitas de suas ações, obrigatórias, têm impactado diretamente sobre a vida diária de cada morador. Como ser líder nesse caldeirão?

Síndico

Síndica Guiomar Courtadon: “O líder tem algo de visionário, uma capacidade de pensar estratégias para fazer com que as coisas aconteçam, de mobilizar essa energia”

O ano de 2020 ficará conhecido como aquele que trouxe o tema das relações humanas para o topo da lista de prioridades dos síndicos. Durante a realização do Enacon 2020 (Encontro Nacional de Administradoras de Condomínios), realizado no mês de novembro no formato on-line, o presidente da Aabic (Associação das Administradoras de Bens Imóveis e Condomínios de São Paulo), José Roberto Graiche Junior, destacou que, na pandemia do novo Coronavírus, “ficamos incumbidos de organizar a casa das pessoas”. “Todo dia havia um decreto novo, uma lei nova, tínhamos que entender a quarentena e estabelecer uma padronização de procedimentos.”

Essa foi e tem sido a realidade dos síndicos desde março do ano passado, quando se estabeleceu o estado de calamidade e a quarentena em São Paulo.

Na época, a síndica Guiomar Courtadon já estava reeleita para seu 9º mandato à frente do Condominio Genoveva Jaffet, prédio de 54 apartamentos localizado no bairro do Paraíso, em São Paulo. Em entrevista à Direcional Condomínios, Guiomar pontua características essenciais ao exercício da liderança que podem ajudar os síndicos a mediar com os condôminos e conselheiros cada nova situação que venha a surgir neste ano de 2021. Síndica orgânica, Guiomar realizou cursos na área. É psicóloga e pós-graduada em Relações Comportamentais pela FGV-SP, atua com mediação de conflitos e foi diretora-geral de empresa de telemarketing, entre outros cargos que ocupou na área corporativa.

Para começo de conversa

Antes de pontuar características essenciais ao exercício da liderança, Guiomar esclarece que uma pessoa investida de um cargo como o de síndico pode ter a autoridade reconhecida pelo que o posto simboliza, e não pelo que efetivamente venha realizando. Pois, para ser líder, é preciso “naturalmente liderar e influenciar pessoas, no comportamento e ações, em sintonia com o que está acontecendo, sendo ora mais flexível e companheiro, ora mais duro”. “O líder personaliza a liderança às particularidades do grupo”, acrescenta. Em um grande condomínio, isso pressupõe, por exemplo, “dividir a liderança com mais pessoas, como o subsíndico, gerente etc., para que se possa atuar de forma democrática”.

Ser líder é...

Segundo Guiomar, ser um síndico líder é:

1. Exercer a característica nata de liderança, posicionando-se com naturalidade e assumindo o comando das situações. “Se a pessoa não tem isso, precisa treinar, caso contrário, verá a liderança do grupo ser exercida, na prática, por outra pessoa com mais iniciativa”;

2. Estudar e se preparar para que a liderança seja conquistada. Nesse sentido, Guiomar lembra aos candidatos a síndico profissional que não basta realizarem um curso para se habilitar à função, é preciso construir, lapidar e legitimar a liderança sobre um determinado grupo;

3. Ter o domínio das situações, conhecer a comunidade, as áreas técnicas das edificações, as equipes, os números e resultados, observa Guiomar. “A liderança é algo mais amplo e complexo, envolve a parte emocional, estrutural (conhecimento), empatia e autoridade”;

4. Estar em sintonia com o grupo, percebendo suas necessidades. “Mas nem sempre elas são evidentes. Se existe sintonia, o síndico consegue percebê-las. Por exemplo, na pandemia, mobilizamos os condôminos para restaurar a horta. Eles já tinham o hábito de comprar hortaliças, por que não trazer isso para o condomínio? Eles foram bem participativos no processo, tivemos doações até de novalgina” [erva utilizada na farmacopeia];

5. Propor-se, em uma missão genuína, a dar um upgrade à coletividade. “E não perder o foco. Há muita cilada no dia a dia que tira o gestor da rota, por isso ele precisa ter esse propósito de atender às necessidades do condomínio em curto, médio e longo prazo”;

6. Desenvolver a capacidade de planejar e de enxergar o que está além do olhar imediato. “O líder tem algo de visionário, uma capacidade de pensar estratégias para fazer com que as coisas aconteçam, de mobilizar essa energia”;

7. Ter humildade e sensibilidade para rever as próprias estratégias e ouvir o outro. “O líder que reconhece isso, demonstra controle racional”; e, por fim,

8. Ter inteligência emocional, “o que pressupõe segurança, firmeza, humildade, não entrar na emoção, na briga do outro”. “Em casos de conflito, apenas ouça a pessoa”, recomenda Guiomar. Pois, nesse momento da fala, “a pessoa tem a chance de se escutar também e perceber melhor a situação. Ao contrário, se o líder falar mais do que deve, o outro poderá pegar isso como gancho para polemizar”.


Matéria publicada na edição - 263 - jan/2021 da Revista Direcional Condomínios

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