Feliz Nova Década! Síndico, quebre paradigmas!

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Esta 1ª edição da Direcional em 2021 faz um balanço dos parâmetros que governam o condomínio na atualidade, exigindo que os síndicos se reinventem nas posturas e estratégias de gestão.

Síndica Nilvea Alcalai

Síndica Nilvea Alcalai: Uma quebra de paradigma é “não repetir os modelos só porque a maioria faz”

O conceito de minicidade cabe bem a um condomínio- -clube de 100 mil m2 localizado na zona Sul de São Paulo. “O condomínio é maior que 700 cidades brasileiras”, compara a síndica profissional e moradora Nilvea Ito Ricardo Alcalai. O empreendimento possui onze torres, 920 apartamentos e 152 funcionários. Egressa da área corporativa, onde foi, entre outros, gerente de controladoria, Nilvea está à frente da gestão local desde janeiro de 2019. Chegou a ser síndica orgânica há oito anos em outro residencial e, de lá para cá, observa que a administração condominial já incorporou novos paradigmas, conforme relaciona a seguir:

- Gestores com posturas profissionais, sejam o síndico externo ou morador. “Hoje, até os síndicos orgânicos têm buscado se preparar para exercer a atividade, tanto do ponto de vista técnico/administrativo quanto emocional”, diz;

- Exigência de qualificação do síndico e de disponibilidade para cuidar do condomínio;

- Abertura para o relacionamento entre condôminos e corpo diretivo. “Temos hoje que ser hábeis para conciliar as expectativas de todos. Muitas vezes há o conflito, mas precisamos procurar uma forma de unir as pessoas. Jamais haverá um consenso, mas podemos mostrar que buscamos o que é melhor para o condomínio. Isso deve servir de parametrização para tudo. A Covid-19 foi uma prova de fogo, pois tivemos que adotar o que era melhor para o momento, mesmo contrariando alguns moradores.”

Segundo Nilvea, a pandemia gerou certo desgaste em 2020 na relação entre a administração e os condôminos, mas ela aposta em uma espécie de reconciliação a partir da retomada das atividades das comissões internas e do plano de melhorias, ouvindo as sugestões dos moradores.

- Informatização da gestão: Tornou-se inevitável usar aplicativos, digitalizar a documentação (boletos e pastas), implantar biometria digital e/ou facial no controle de acesso etc. “Isso obrigou o síndico a se modernizar. Ele precisa estar preparado para saber como funciona um aplicativo, a assembleia virtual, entre outros”;

– Prioridade para contratar profissionais e prestadores de serviços “competentes e comprovadamente qualificados diante dessa modernização tecnológica e administrativa”.

“Por exemplo, quando cheguei aqui, a piscina era tratada como ‘um caldeirão de bruxa’, ao custo de R$ 30 mil por mês. Investimos em equipamento para produzir o cloro e o custo caiu a 10% do valor que tínhamos antes. Isso é uma quebra de paradigmas, você tem que abrir sua mente para ver que existem outras formas mais baratas e eficientes de executar o processo e não repetir os modelos só porque a maioria faz”. Segundo Nilvea, que participou de curso de formação de síndico, há outro paradigma importante a ser quebrado: “Quem administra não é dono de nada. O dono é a coletividade, cada morador é dono de uma parte”.

Síndico

Síndico mais presente – Neste janeiro de 2021 faz um ano que a síndica Marília de Oliveira assumiu a gestão do Condomínio Quatro Estações Alto da Lapa, na Zona Oeste de São Paulo. É um condomínio-clube com quatro torres e 352 apartamentos. Moradora do local e empresária do setor de hortifruti, Marília encontrou as finanças e a manutenção do local em estado precário. Mesmo com a pandemia, conseguiu resolver inúmeras pendências, como o orçamento, as pastas de prestação de contas, as manutenções emergenciais (instalou novos para-raios), a gestão da equipe etc. A presença de Marília é constante nas áreas comuns e técnicas das torres, promovendo e participando de treinamentos, quebrando o “paradigma de abandono” que havia antes no residencial. Na imagem à esq., Marília se encontra na casa de máquinas dos elevadores, acompanhada do gerente predial José Carlos Nascimento Silva (ao fundo e à esq. da foto); e dos manutencistas Jairo Pereira de Souza (à dir.) e Leandro da Conceição (no centro). Marília fez curso de síndico profissional para se “aprofundar e buscar conhecimento”.


Síndico

Construindo a sensação de "pertencimento" – A síndica orgânica e advogada Tanila Myrtoglou B. Savoy (foto ao lado) administra desde dezembro de 2018 o Condomínio Ana Elisa, no bairro de Santa Cecília, em São Paulo. Um dos paradigmas que Tanila vem quebrando na gestão do prédio de 74 unidades é sua proatividade para atender prontamente às demandas, algumas das quais havia anos incomodavam os moradores. Mas, simultaneamente, a síndica busca construir uma “sensação de pertencimento” de todos em relação ao ambiente onde moram, apostando em melhorias contínuas, como disponibilizar mesas e wi-fi nas áreas comuns; cuidar da jardinagem e do uniforme dos funcionários. Ela ainda transformou o salão de festas em espaço de coworking na pandemia e pretende implantar em breve uma biblioteca no local, com livros doados pelos próprios condôminos (o espaço será batizado com o nome de uma antiga e querida moradora, Sra. Edna F. Besechi, falecida em setembro de 2020). O zelo é diário com o prédio, afirma Tanila, que conhece a todos os que ali residem, dos moradores antigos aos mais novos.


Matéria publicada na edição - 263 - jan/2021 da Revista Direcional Condomínios

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