Dia do Síndico: Aprendizados diários superam qualquer “manual”

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A celebração do Dia do Síndico (em 30 de novembro) pede um olhar atento aos desafios que surpreendem a caminhada diária desse gestor. São acontecimentos que extrapolam qualquer manual ou legislação. É o caso da pandemia do novo Coronavírus, que impôs dificuldades inéditas em 2020 e entrará como um ícone entre tantos aprendizados que se extrai da “escola da vida condominial”.

Síndica

Síndica Adriana Victoratto: “Os moradores precisam entender que tudo o que o síndico procura realizar é em prol da valorização e da segurança. Mas como fazer esse convencimento não está em manual algum.”

O CAPÍTULO VII do Código Civil brasileiro contempla a forma como deve ser administrado o condomínio, atribuindo responsabilidades aos síndicos, proprietários e possuidores. Trata de direitos e deveres em relação às áreas comuns e privativas e prevê que cada coletividade tenha sua lei: A Convenção e o Regimento Interno. Esta lição é básica em aulas de administração condominial e já concede aos síndicos um amplo norte para as suas ações. Mas é insuficiente para dar conta de situações que o surpreendem diariamente e estão fora de qualquer manual.

A pandemia do novo Coronavírus ganhou, com razão, os holofotes em 2020 e introduziu desafios sequer imaginados antes. Mesmo assim, a vida no condomínio prosseguiu com outras intercorrências ou obrigações, como no caso da síndica Adriana Nogueira Victoratto, que concluiu em agosto deste ano uma obra vultosa de impermeabilização da laje e de revitalização de todo o mezanino do residencial onde mora, no bairro da Consolação, área central de São Paulo. Não sem surpresas.

Quando estava licitando a obra, Adriana soube que toda a ampla área do mezanino tinha dois contrapisos de 15 cm de espessura cada, um sobre o outro.

Havia sobrepeso sobre o pavimento inferior, onde fica uma academia particular e o hall do prédio. Isso gerou serviços e custos extras. Mas o pior estava por vir: A obra foi alvo de uma denúncia anônima (e injustificada) da parte de um morador junto à Prefeitura. No episódio, a síndica, que vinha de um pós-operatório, sofreu uma recaída e teve que ser hospitalizada; ficou três dias na UTI.

DE MORADORA A SÍNDICA

Administradora de empresas que trabalha em uma autarquia e vem de uma família que há décadas promove restauração de lustres, Adriana nasceu no Condomínio Edifício Mari, cuja Convenção é de março de 1973. Seus pais, Ademir Victoratto e Maria Helena Nogueira da Silva Victoratto, estiveram entre os primeiros moradores. Com estrutura imponente, a edificação possui dois blocos com 72 apartamentos de dois e três dormitórios. Ela residiu fora do prédio somente por cinco anos. A sindicatura veio em janeiro de 2019, quando foi eleita pela primeira vez, depois uma participação como conselheira no condomínio.

Adriana diz que herdou uma situação administrativa positiva, com dinheiro em caixa e AVCB (Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros) em dia. Entretanto, “nada estava no ‘manual’ quando assumi”. “Não havia planejamento e as coisas eram feitas pontualmente.” Para tomar ciência do histórico do condomínio, a síndica diz que leu todas as atas registradas desde 1973. Promoveu ainda duas vistorias gerais das instalações e frequentou curso de administração de condomínios. Agora, está colocando tudo no papel: Contratou o mapeamento das tubulações, registros e das vagas de garagem do prédio, bem como um guia para reformas nas unidades privativas. Resgatou bens patrimoniais da edificação “encostados” em uma sala que guarda a documentação. Por fim, percebeu que a perspectiva de um condômino é bem diferente daquela quando se está síndico.

“Comecei a perceber detalhes que nunca haviam me chamado atenção antes, como a necessidade de limpeza semestral das caixas d’água”, ilustra. Isso está no manual, é norma da Vigilância Sanitária; já ter que contratar um serviço especializado para remover um ninho de marimbondos na fachada do prédio, não se encontrava em qualquer roteiro anterior. “Um morador percebeu o enxame e não pudemos esperar pelo serviço da Prefeitura, que demoraria cerca de 30 dias para nos atender. Chamei uma equipe especializada, que se comprometesse a levá-los a uma área nativa.”

Segundo Adriana, também está fora do “manual” a maneira de se “fazer a transição do papel de morador para o de síndico”: “O posicionamento é outro quando você precisa aplicar a Convenção e o Regimento Interno e poucas pessoas entendem essa mudança”. A síndica afirma que o jeito é “não somatizar nem levar o condomínio para dentro de casa; precisa desenvolver o controle emocional”.

Com seu primeiro mandato vencendo no final do ano, Adriana pontua que há muitos projetos a serem executados no Edifício Mari, atendendo às prioridades listadas pelos moradores em uma enquete. Eles desejam a implantação de quadra, solário e pergolado, academia, playground, horta e composteira. E o condomínio precisa promover a recuperação da fachada. Entre tantos desafios, ela destaca que o principal é “gerir o patrimônio de muitos e fazê-los pensar coletivamente”. “Mesmo que o condômino não vá usar um playground, ao aprovar o investimento ele ajudará a valorizar o prédio”, pontua. “Os moradores precisam entender que tudo o que o síndico procura realizar é em prol da valorização e da segurança. Mas como fazer esse convencimento não está em manual algum.” É aprendizado gestado no dia a dia do condomínio.


Matéria publicada na edição - 262 - nov-dez/2020 da Revista Direcional Condomínios

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