Acessibilidade na rota da inclusão no condomínio

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Os condomínios incorporam cada vez mais itens de acessibilidade, buscando atender às normas técnicas e legislações. É um passo importante para se adotar a bandeira da inclusão, conforme o Estatuto da Pessoa com Deficiência e o Estatuto do Idoso.

Síndico

Arquiteta Vanessa Pacola Francisco: A Lei Brasileira de Inclusão mudou a forma de se pensar a acessibilidade

Adaptações de acessibilidade, como rampas com corrimãos, plataformas de acesso, piso tátil, sinalização em braile, barras de apoio em banheiros, portas largas, vagas especiais de veículos, entre muitos outros, estão mais presentes nas intervenções feitas pelos condomínios com pelo menos 20 anos de idade. Nos empreendimentos mais recentes, principalmente naqueles projetados após a edição da Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Lei Federal 13.146/2015, também conhecida como Estatuto), isso tudo deve estar incorporado à edificação. E desde janeiro de 2020, novos lançamentos devem ainda trazer um percentual de unidades acessíveis ou adaptáveis.

“Nos prédios novos, hoje todos os ambientes devem ser acessíveis. Sai a ideia da rampa segregada e entra uma nova concepção de projeto onde toda a área comum seja acessível, das portarias às áreas dos funcionários. Esse foi o grande diferencial introduzido pela Lei Brasileira de Inclusão, que mudou a forma de pensarmos o assunto”, avalia a arquiteta Vanessa Pacola Francisco, que recentemente ministrou o curso “Acessibilidade sem complicação” pelo Ibape-SP (Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia de São Paulo).

Quanto aos prédios antigos, a adequação dentro desta perspectiva deve “contemplar a ideia do desenho universal”, pontua Vanessa. Ou seja, “sempre que pensarmos em adaptação, devemos projetar desde um ambiente mais harmônico e confortável à parte ergonômica”. “Por exemplo, ao darmos no projeto condição de deslocamento de uma cadeira de rodas, devemos estender essa possibilidade para o idoso e o apoio que ele precisa, para a mãe com um carrinho de bebê, para pessoas mais baixas, que consigam alcançar os objetos de forma mais confortável etc.”

Segundo Vanessa, mobiliário e objetos de decoração que representem barreiras nos acessos e espaços de circulação também precisam entrar nesta equação, pois degraus ou “um capacho na porta” podem se tornar um perigo para portadores de deficiência visual, idosos ou pessoas com baixa visão. Desta forma, é importante que os síndicos busquem especialistas para orientar as adaptações, destaca. E os gestores que estão implantando novos condomínios devem verificar “as comunicações visuais, alarmes, módulos de resgate na escada de emergência, acesso à piscina”, entre outros itens, “colocando-se na condição de usuário e observando se conseguem acessar e utilizar os ambientes e suas instalações”, sintetiza Vanessa.

Projeto em andamento

Síndico

O síndico profissional Luís Alberto e a subsíndica Luciane de Arruda: Modernização da frente do prédio envolve acessibilidade

No Condomínio Ipanema Palace, residencial de 90 unidades e 35 anos localizado no Jardim Paulista, em São Paulo, o síndico profissional Luís Alberto de Lima Lengruber e a subsíndica Luciane Barros de Arruda acompanham obra de modernização da frente do prédio, a qual envolve acessibilidade, segurança (com nova guarita), impermeabilização, gradil, paisagismo e o hall social. O investimento faz parte de um plano de revitalização do condomínio, situado em área valorizada de São Paulo e cujo entorno tem recebido empreendimentos de alto padrão. “Nosso esforço é que o Ipanema Palace continue um lugar interessante frente aos condomínios novos que estão surgindo”, afirma o síndico Luís Alberto. O prédio já promoveu a recuperação da fachada e modernização parcial dos elevadores e das instalações elétricas; introduziu também um bicicletário.

Na parte da acessibilidade, com a construção da rampa e de área de resgate, esta é a adequação mais complexa já realizada pelo condomínio. “Temos um grande público de idosos e precisamos nos atualizar em relação à legislação, segurança e conforto”, afirma a subsíndica Luciane, ela própria com mobilidade comprometida por uma prótese bilateral implantada no fêmur há cerca de quinze anos, que a dificulta subir escadas. Mas Luciane, que se mudou do local em 2015, destaca que as obras atuais não foram contratadas por sua causa, e sim, para permitir que os ambientes comuns da edificação sejam usufruídos por todos os moradores, sem excluir ou dificultar a vida de ninguém.


Matéria publicada na edição - 260 - setembro/2020 da Revista Direcional Condomínios

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