O renascimento do condomínio na recuperação e/ou retrofit da fachada

Escrito por 

A pandemia do novo Coronavírus e a quarentena dos moradores do Condomínio Marquês de Olinda entrou como mais um ingrediente no quebra-cabeças que representa a recuperação de sua fachada, iniciada em março de 2020.

Síndico José Luiz Rinco

Síndico José Luiz Rinco e a fachada dos fundos do prédio: Argamassa colante foi passada sobre antigas pastilhas. Superfície irá receber textura e pintura

 

Construído há mais de 40 anos na Vila Clementino, zona Sul de São Paulo, o edifício é parte de um conjunto arquitetônico que envolve outra torre, independente e afastada. Entre ambos, subsiste uma área comum de lazer, compartilhada entre os moradores. Mas os serviços da fachada precisavam ser feitos simultaneamente, acordados entre todos, especialmente por se tratar de um retrofit com mudança do sistema de revestimento e da cor.

“O prédio era todo em pastilhas, que estavam caindo e colocavam em risco moradores e pedestres. Havia ainda reclamações de infiltrações nas unidades. Em 2018 contratamos uma sondagem da situação através de drone, ficamos assustados com o resultado da vistoria e decidimos remover as partes que estavam soltas. O prédio ficou feio, esburacado, tínhamos que fazer essa obra”, relata o síndico orgânico José Luiz Rinco, morador do local há cerca de duas décadas e no segundo mandato de gestão. Ele diz que o condomínio obteve doze propostas para a recuperação da fachada, diferentes entre si e com orçamentos variando de R$ 200 mil a R$ 1,2 milhão. “Os próprios moradores sugeriram que contratássemos uma empresa especializada para nos orientar no processo e acompanhar os serviços”, completa.

A solução aprovada foi a recuperação estrutural com o cobrimento da pastilha e aplicação de textura e pintura final, obra orçada em R$ 410 mil. De acordo com uma das profissionais que assessora o condomínio, a engenheira civil Valéria Passos Oliva Gomes, o processo exigiu a lavagem de toda superfície (com queda de pastilhas soltas), teste de percussão para identificar novos pontos com descolamento, tratamento das ferragens expostas, além das trincas e fissuras, recomposição das áreas onde houve perda de material na lavagem (em alguns pontos, a argamassa soltou junto com a pastilha), nivelamento e aplicação de argamassa colante. Esses serviços foram concluídos e terão, na sequência, a aplicação de seladora, da textura e a pintura. Por fim, haverá a calafetação das janelas e pinturas das persianas das janelas dos dormitórios.

A aplicação da argamassa colante tem o objetivo de fazer com que haja aderência da textura na superfície. “É uma tecnologia que vem se inovando constantemente no mercado. Mas a cada cinco anos, conforme estabelece contrato assinado com a empresa, novos testes de percussão serão aplicados para verificar a aderência desses revestimentos [pastilhas originais embaixo da textura]”, afirma a arquiteta Georgia E. Z. Gadea, responsável pelo gerenciamento da obra. Segunda ela, foi necessário ainda fazer a recuperação estrutural de pilares da edificação.

A previsão é de que os trabalhos estejam concluídos em maio do próximo ano. Durante a pandemia, seis operários vêm executando os serviços, adotando- se os protocolos de prevenção definidos pelas autoridades da saúde. O síndico José Luiz, que atua na área financeira, estima uma valorização de cerca de 25% nos imóveis. O condomínio possui 56 unidades, de dois e três dormitórios, está localizado em uma das regiões mais valorizadas da zona Sul de São Paulo, próximo a uma estação de metrô, a um shopping center e à Unifesp (antiga Escola Paulista de Medicina).

Síndico Wolfram Werther

Teste de cores possibilitou que os condôminos definissem o novo padrão da superfície (foram as escolhidas as cores algodão egípcio, da faixa inferior, e camurça, da coluna)


Matéria publicada na edição - 258 - julho/2020 da Revista Direcional Condomínios

Não reproduza o conteúdo sem autorização do Grupo Direcional. Este site está protegido pela Lei de Direitos Autorais. (Lei 9610 de 19/02/1998), sua reprodução total ou parcial é proibida nos termos da Lei.