Monocapa & os desafios no seu tratamento

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A monocapa é uma argamassa decorativa comum aos revestimentos de prédios mais modernos, aplicada durante a fase de construção já na tonalidade final prevista pelo projeto da edificação. Essa aplicação requer cuidados, assim como sua manutenção posterior.

síndica Elaine Cristina dos Santos Endo

A síndica Elaine Cristina dos Santos Endo realizou estudos sobre a monocapa e promoveu testes preliminares à contratação da obra, para evitar a diferença de tonalidade

“A monocapa é um elemento que absorve a sujeira com muita facilidade e é de difícil tratamento”, afirma a síndica Elaine Cristina dos Santos Endo, que acompanha a conclusão dos trabalhos de recuperação desse sistema no condomínio onde mora, no Brooklin, zona Sul de São Paulo.

Com duas torres, entregues em 2006, o residencial Jardins de France-Jardins Des Arbres ficou mais de cinco anos sem realizar a manutenção das fachadas. “Não queríamos fazer apenas a lavagem, mas sim recuperar, tratar, errando o mínimo possível. Até o fabricante da argamassa foi acionado. Também fizemos testes na monocapa original para evitar que sobressaíssem os trechos tratados. Mas poucos entendem de manutenção da monocapa. Das dez empresas que inicialmente contatamos, tiramos três finalistas, com as quais fizemos entrevistas técnicas”, relata a síndica.

Um dos principais equívocos propostos por alguns prestadores de serviços, segundo Elaine, foi o de pintar a monocapa. “Este é um material mineral que ‘respira’, a umidade movimenta de dentro para fora, se eu passar tinta por cima dele, criarei uma barreira química. Estudei muito o assunto. A monocapa expele a água da chuva. Ou seja, não retém essa água, ela não infiltra. O técnico do fabricante explicou que a pintura acaba com essa propriedade da monocapa, ela é indicada somente quando há o fim da vida útil do material.”

Elaine buscou um serviço de recuperação de trincas e fissuras que não deixasse diferença entre a parte a ser reconstituída e o conjunto original da fachada. Esse era o grande desafio da obra, “por isso algumas empresas orientaram pintar a fachada toda”. “Não queríamos correr o risco de a superfície ficar cheia de marcas por causa do conserto.” Duas empresas foram finalistas, executaram testes de trinca e lavagem, no entanto, apenas uma delas acabou demonstrando expertise no assunto.

A obra foi realizada ao longo de 2019 e, quando chegou a quarentena, no final de março passado, estava praticamente concluída. De acordo com Elaine, o condomínio acompanhou detalhadamente cada fase da obra, com apoio de um engenheiro. “Verificávamos até a validade e o lote de todos os materiais e insumos aplicados na lavagem e no tratamento de trincas e fissuras”, exemplifica a síndica, satisfeita com o resultado obtido. Depois do tratamento das trincas, a monocapa foi lavada e recebeu a aplicação de um impermeabilizante (um hidrofugante), para garantir que não haja infiltração.

monocapa impregnada
de sujidade

Na imagem do alto, desenho artístico de fachada com monocapa impregnada de sujidade; abaixo, superfície em monocapa já tratada


Matéria publicada na edição - 257 - junho/2020 da Revista Direcional Condomínios

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