Retrofit: Adiamento de obra gerou problema estrutural em fachada

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A reportagem da Direcional Condomínios acompanha há quase três anos os problemas estruturais que atingiram um condomínio residencial no bairro do Paraíso, em São Paulo. Segundo laudo de engenharia contratado por volta de 2017 pela então síndica Mariza Mello, o sistema da fachada apresentava vício construtivo (falta de juntas de dilatação, substituídas por frisos de alumínio) e manifestações patológicas severas (corrosão de armaduras, entre outras), que foram acentuadas pelo adiamento das obras nas gestões anteriores.

Pilares e vigas

Pilares e vigas demandaram tratamento estrutural em condomínio no bairro do Paraíso, assim como toda a fachada (em pastilhas e concreto)

Construído em 1970, com 26 apartamentos, o prédio recebera apenas reparos paliativos ao longo do tempo, como a aplicação de massa no lugar das pastilhas que iam se soltando. No entanto, isso não resolvia o problema maior, a infiltração de água entre a pastilha e o emboço e, ainda, dentro das unidades, gerando mofo, insalubridade e desvalorização imobiliária. Houve pontos onde ocorreram desplacamentos de concreto.

“O condomínio teve que contratar a obra por uma questão de segurança”, afirma o engenheiro civil Claudio Estephan, contratado há cerca de dois anos para acompanhar os trabalhos. “Havia comprometimento da estrutura, tivemos inclusive que começar a obra recuperando os pilares e vigas do térreo, antes de começar a fachada”, observa o especialista.

É um retrofit estrutural, que envolve a retirada das pastilhas originais das duas faces laterais da fachada, recomposição de todo o emboço (uma base em argamassa cimentícia), com execução de frisos, tratamento das ferragens expostas, trincas e fissuras, nivelamento da superfície, aplicação de textura e pintura final. A parte do emboço não estava contratada, mas a necessidade de refazê-lo foi identificada quando se iniciou a remoção do material cerâmico.

Orçada em R$ 900 mil e com prazo de conclusão inicial em setembro de 2020, a obra estourou as previsões iniciais de custo e tempo. O prestador de serviços está absorvendo a parte do emboço sem repassá-la ao condomínio, pondera o engenheiro. “De qualquer forma, é um trabalho que está custando o dobro do que deveria se tivesse sido feito há 15 anos”, destaca. Iniciado em janeiro de 2019, ele deverá estar concluído por volta de novembro próximo. Antes disso, haverá a revitalização das superfícies em concreto aparente da frente e do fundo da fachada, com recuperação pontual e aplicação de verniz acrílico para proteção e acabamento, e a finalização da pintura nas laterais. Os serviços não pararam durante a quarentena e sua execução exigiu o auxílio de plataforma de elevação, “que permite que todo o trabalho seja realizado sem o acesso de colaboradores e materiais pelos apartamentos de cobertura”. “Todo acesso é feito pelo andar térreo”, reforça o engenheiro. Somente na última fase, a da pintura com látex acrílico, haverá acesso dos trabalhadores por cadeirinhas.


Matéria publicada na edição - 257 - junho/2020 da Revista Direcional Condomínios

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