Falta de modernização compromete AVCB e upgrade no consumo nas unidades

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A revista Direcional Condomínios tem reportado que boa parte das obras de adequação e/ou modernização das instalações elétricas nas edificações é motivada pela necessidade de regularização do Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB).

Sem ART assinada por um engenheiro da área, entre outras documentações indispensáveis, além da aprovação da vistoria do bombeiro, o processo resulta em “comunique-se”, documento oficial que exige providências da parte do condomínio.

Outra razão para a modernização elétrica está no aumento da demanda do consumo de energia pelos apartamentos, especialmente com o uso cada vez maior de equipamentos eletroeletrônicos, entre eles, o ar condicionado ou aquecedores.

Essas são, por exemplo, as motivações que levaram o Condomínio Cervantes a contratar um projeto elétrico, que neste momento se encontra em fase de análise pela concessionária do serviço público. Mas o gatilho para que o síndico Helio Gomes Junior iniciasse o processo de modernização elétrica foi a obra em andamento de retrofit da fachada. Foi preciso retirar antigos aparelhos de ar condicionado afixados na fachada externa do prédio para recuperar a superfície.

“A instalação desses equipamentos estava errada e o prédio não dispõe de carga suficiente para comportar o uso generalizado de ar condicionado”, observa a arquiteta Georgia E. Z. Gadea, que acompanha as obras no condomínio. “Alertamos o síndico”, completa a profissional, que é especializada em projetos de reformas e retrofit. Helio Gomes resolveu então propor o projeto aos condôminos e ele acabou desenvolvido por Georgia e o engenheiro elétrico Marcos Roberto Costa Lopes.

O Edifício Cervantes está localizado no bairro da Consolação, zona central de São Paulo. Construído na primeira metade dos anos 70, possui 198 unidades. Falta o AVCB (Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros), outro motivo para buscar a modernização elétrica. Aliás, uma condição indispensável, já que as instalações estão precárias e/ou obsoletas. Entre outros, há fundo de madeira nos quadros elétricos, além da inadequação das bitolas dos fios para a demanda atual das unidades.

O projeto em análise pela concessionária prevê a mudança do sistema de cabeamento pelo bus way, um tipo de barramento blindado que substitui as prumadas e “trará uma carga maior, mas num sistema mais leve e limpo”, explica Georgia.

AVCB – Atestados de segurança exigidos

- ART de elétrica;

- ART ou RRT de gás encanado ou GLP;

- ART de CMAR (Controle de Material de Acabamento e Revestimento);

- ART de Gerador;

- ART de Caldeira (se houver);

- ART de escada pressurizada;

- ART do SPDA (Sistema de Proteção de Descargas Atmosféricas; a ART é emitida anualmente, na renovação do laudo de para-raios).

Fonte: Carlos Alberto dos Santos

ART (Anotação de Responsabilidade Técnica; emitida por engenheiro) / RRT (Registro de Responsabilidade Técnica; emitida por arquiteto)

Prédio sem avcb ainda tem muflas no poste

Em um condomínio localizado no Jardim Paulista, em São Paulo, a administração discute com os condôminos, no momento, a contratação do projeto de modernização elétrica para o prédio de 33 apartamentos e 17 andares, implantado em 1975.

O diagnóstico prévio realizado por uma empresa da área indica situação precária, com diversas irregularidades, como:

- O centro de medição não atende às exigências da concessionária;

- Os dispositivos de proteção das unidades (disjuntores) junto às “caixas porta base” no centro de medição estão com a capacidade acima do permitido para cabos dos ramais alimentadores existentes;

- Presença de fundo em madeira (material combustível) junto às caixas de seccionamento tipo “Z” e distribuição tipo “V”;

- Existência de “chaves seccionadoras abertura” (dispositivo de segurança) sem carga;

- Inexistência de poste particular na divisa do terreno para interligação dos ramais alimentadores da concessionária;

- Inexistência de uma caixa de proteção e manobra para as cargas no interior do centro de medição;

- Caixas fora dos padrões do LIG 2014, devendo ser totalmente substituídas.

Existem ainda muflas junto ao poste da concessionária e com vazamento de óleo isolante, situações incompatíveis com a LIG 2014, atual norma técnica da concessionária.

Ou seja, inúmeras não conformidades no atual padrão de entrada, distribuição e medição comprometem a regularização do AVCB, além da segurança e conforto dos usuários. Mas a síndica orgânica, que iniciou a gestão no local em 2017, diz que enfrenta resistências para contratar o projeto e concretizar um retrofit elétrico, porque alguns moradores dão prioridade à modernização do hall social. De qualquer maneira, ela pretende levar o processo adiante e obter aprovação para o projeto e as obras.

Brasil registra aumento de acidentes Com choque elétrico e de incêndios por Sobrecarga / curto-circuito

A Abracopel (Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade) divulgou em princípios de março passado o “Anuário Estatístico de Acidentes de Origem Elétrica 2020 – Ano Base 2019”. Segundo Edson Martinho, engenheiro eletricista e diretor executivo da Abracopel, o País registrou aumento das ocorrências com choque elétrico e de incêndios provocados por sobrecarga e curto-circuito na comparação com 2018. Também subiu o número de mortes relacionadas a cada um deles.

Os choques elétricos saltaram de 832 para 909 entre 2018 e 2019 (neste caso, as mortes passaram de 622 para 697). Já os incêndios motivados por sobrecarga e/ou curto-circuito foram de 537 para 656 no período, resultando em 74 casos fatais, contra 61 em 2018.

Os choques aconteceram principalmente pela existência de fio partido em ambiente interno, com 99 casos (85 mortes). Os acidentes com eletrodomésticos estiveram em 57 casos (com 52 mortes). Já o uso de extensões, benjamin e tomadas provocou 28 casos (com 25 óbitos) e, do carregador de celular, 19 casos (com 15 mortes). Em relação aos incêndios resultantes da sobrecarga e/ou curto-circuito, esses ocorreram em sua maioria dentro das residências (255 casos, com 25 mortes) e estabelecimentos comerciais (178 ocorrências e 10 mortes).

O quadro pode piorar, estima Edson Martinho, já que o ano de 2020 não começou diferente. “No mês de janeiro passado, os números de acidentes bateram novo recorde desde o início do trabalho de levantamento de dados: foram 181 ocorrências e 93 mortes, provocadas por choque elétrico (99 ocorrências e 83 mortes) e incêndios por sobrecarga (70 ocorrências e 1 morte). As descargas atmosféricas somaram, em janeiro de 2020, 12 ocorrências com 9 mortes.”

Colunista do site da Direcional Condomínios, Edson Martinho publicou dezenas de artigos no portal com orientações aos síndicos, funcionários e condôminos (Acesse em www.direcionalcondominios.com.br). De forma geral, ele apela a todos que contratem profissionais qualificados para executar os serviços que envolvem eletricidade.


Matéria publicada na edição - 255 - abril/2020 da Revista Direcional Condomínios

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