Direcional Condomínios reúne síndicas e profissionais em homenagem ao Dia Internacional da Mulher

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Confira as participantes do encontro especial promovido pela revista Direcional Condomínios no dia 13 de fevereiro de 2014, no espaço de eventos da Livraria Nove Sete, em São Paulo. Em destaque, registramos a opinião de algumas síndicas e profissionais sobre as perspectivas das soluções alternativas de conflito no âmbito dos condomínios, entre elas a mediação e conciliação.

Ana Josefa Severino – Condomínio Piazza Di Toscana (Vila Alpina – SP/SP)
Síndica há 16 anos e reconhecida pelas festas coletivas que promove em seu condomínio, entre elas a de Natal, Ana Josefa diz que o segredo a um bom convívio está no fato de "escutar sempre" aqueles que a procuram. Ela diz que é preciso "muito diálogo e paciência" aos gestores condominiais, e que deve haver "perseverança" e confiança na busca de soluções alternativas de conflito.

 

Ana Luiza Pretel – A advogada Ana Luiza Pretel tem na mediação e conciliação de conflitos uma de suas principais especialidades. Ela abordou o assunto tanto no 6º Direcional Síndicos, evento promovido em outubro de 2013 pela revista Direcional Condomínios, quanto no encontro em homenagem às mulheres síndicas. Também está à frente de proposta que vem sendo debatida na Câmara Municipal de São Paulo em torno da implantação de uma Semana de Conscientização pela Convivência Pacífica nos Condomínios. Ana Pretel atua como conciliadora do Cejusc (Centro de Mediação de Conflitos ligado ao Tribunal de Justiça de São Paulo), consultora privada e professora de cursos de capacitação na área. É pós-graduada e especialista no assunto, assim como em Marketing e Processo Civil.

 

Ângela Merici Grzybowski – Condomínio Edifício Maresias (Perdizes – SP/SP). Síndica há quase dez anos, Ângela acredita que o diálogo possa resolver problemas nos condomínios, como aqueles relacionados a barulho e vagas de garagens. Segundo ela, entre os principais desafios a serem enfrentados para que a conciliação se torne uma realidade, encontra-se a necessidade de conscientização de muitos moradores, que "se veem em uma guerra por direitos e esquecem que somos todos vizinhos".

 

Carmen Mendes Pagan – Condomínio Edifício Itororó (Bela Vista – SP/SP). Síndica há 17 anos com mandatos renovados anualmente, Carmen acredita que "muitas vezes é preciso saber escutar e ceder em algumas coisas para que o outro se abra para escutar". Ou seja, há necessidade de o síndico buscar maneiras de quebrar "imposições de pensamentos e formas de agir", algo muito comum, segundo ela, especialmente na relação com funcionários. Ela defende a solução mediada de conflitos, mas que é preciso antes "estar disposto a solucioná-lo", que as duas partes estejam dispostas a "ceder em algum aspecto".

 

Claudete Oliveira – Condomínio Edifício Passarim (Morumbi – SP/SP). Coordenadora da chamada "Operação Belezura", uma mobilização que envolveu moradores voluntários em busca de melhorias ao local, Claudete costuma acompanhar a movimentação do condomínio e diz que o clima no empreendimento costuma ser pacífico.

 

Cleide Alcini – Condomínio Edifício Guaraú (Moema – SP/SP). Síndica há 27 anos, Cleide Alcini diz que enfrenta dificuldades com alguns condôminos em relação à aceitação das normas previstas no Regimento Interno. E que para que a mediação e conciliação deem certo, há necessidade de que as partes estejam dispostas ao acordo.

 

Cleusa Camillo – Condomínio Edifício Alvorada (Liberdade – SP/SP). Síndica em quarta gestão e gestora sempre presente nos eventos relacionados a condomínios, Cleusa vem buscando, nos últimos anos, investir na revitalização do edifício em que mora. Ela acredita que a mediação e conciliação tornam mais rápidas as soluções a conflitos que eventualmente surgem nessas coletividades.

 

Cybele Belschansky – Condomínio Edifício Residencial Jupiá (Santa Teresinha- SP/SP). Síndica há quatro anos, Cybele preocupa-se com alguns comportamentos ainda bastante presentes entre alguns condôminos, a de usar como critério a busca do menor valor possível no rateio das despesas e não da melhor solução possível ao condomínio; e o desrespeito à Convenção e Regimento Interno. "A mediação deve existir num sistema onde as duas partes entendam que deva ser feito algo para resolver o problema", com "imparcialidade" e "mediadores preparados", defende.

 

Elizabeth Bonetto – Condomínio Edifício Glória Jardim Vitti (Freguesia do Ó/SP – SP) – Síndica há 21 anos, Elizabeth acredita no sucesso das resoluções alternativas de conflitos, "tanto com condôminos, como com funcionários". "Entretanto, numa mediação e conciliação de conflitos, é necessário que as partes envolvidas tenham esse real interesse e cedam em suas aspirações, procurando sempre entender o outro e procurando uma solução", completa a síndica.

 

Eunice Alves da Silva Neves – Condomínio Edifício Rio (Higienópolis – SP/SP). Ex-síndica, cargo que ocupou até 2013, Dona Eunice está às vésperas de completar 90 anos e continua ativa e participante dos eventos da Direcional Condomínios. Na realização do 5º Direcional Síndicos, em 2013, foi homenageada pela revista.

 

Eunice Leite – Advogada, Eunice Leite atua em parceria com Ana Luiza Pretel. Durante uma intervenção no evento em homenagem às síndicas, destacou que a solução alternativa de conflitos permite às partes envolvidas visualizarem novas possibilidades de acordos, que muitas vezes nem têm oportunidade de aparecerem nos processos judiciais.

 

Euza Maria dos Santos – Condomínio Edifício Imperial Flamingo (Campo Belo – SP/SP). Síndica em segundo mandato, Euza esteve pela primeira vez presente em um evento da Direcional Condomínios. Gestora ativa, aprovou o encontro e costuma participar de grupo de síndicos de sua região que articula programas conjuntos de segurança.

 

 

Gláucia La Regina – Condomínio Edifício Giordana (Vila Madalena – SP/SP). Síndica há nove anos, Gláucia destaca que em seu condomínio existe uma Comissão de Segurança formada pelos condôminos e que a solução de conflitos, de forma geral, exige, sobretudo, "bom senso". "O respeito é fundamental em qualquer situação, conflituosa ou não. Além disso, o bom senso e o respeito às leis, Convenção e Regimento resolvem a maioria dos problemas", diz. Gláucia mostra grande expectativa em relação à mediação e conciliação e ressalta que o papel do "é cumprir e fazer a cumprir a lei".

 

Kelly Remonti – Condomínio Top Village (Alphaville - Barueri/SP). Síndica há cerca de dois anos e meio, Kelly é especialista na área financeira e administrativa e está profissionalizando a gestão de seu condomínio. Em relação aos conflitos, diz que "o ponto crítico é sempre ouvir os moradores com atenção e disposição, tendo sempre a consciência de que não necessariamente irá agradar a todos".

 

Lurdes de Fátima Affonso Anton – Condomínio Edifício Vila de Vitoria (Vila Mariana – SP/SP). Síndica há 23 anos, Lurdes destaca que "é importante haver diálogos entre o síndico e moradores. O condomínio é uma comunidade regida por normas, direitos e deveres pré-estabelecidos, que devam ser cumpridos por todos, visando o bem-estar e um convívio harmonioso." Ela defende que o síndico recorra sempre "à pessoa capacitada para fazer mediação, isso porque não é de bom tom ele se envolver no conflito, ou mesmo tomar partido de uma das partes".

Mareli Santana Goncalves – Residencial Jardim Botânico (Zona Sudeste de SP/SP). Síndica há 13 anos de um amplo empreendimento, Mareli diz que lida, no dia a dia, com "muitos conflitos". Mas as causas são recorrentes: "garagem pequenas, crianças brincando nas áreas comuns, cachorros", descreve. Ela acredita que para a mediação e/ou conciliação se tornarem "uma realidade", será preciso que as partes desenvolvam a disponibilidade de "ver o direito de cada um e evitar brigas".

 

Margarete Z. Alvarez – Condomínio Edifício Ideali (Vila Zelina – SP/SP). Síndica há quatro anos, Margarete relata que os "conflitos são constantes". "Sempre procuro intervir de maneira pacífica e resolver as situações para que um pequeno problema não se torne grandioso", completa. Quanto ao sucesso da mediação e/ou conciliação, Margarete aponta a necessidade de que "as pessoas aprendam a ouvir o próximo". "E também de não mais achar que o 'seu' problema é sempre maior do que o outro. Resumindo: a educação é a base de tudo."

 

Maria de Lourdes Barreto – Condomínio Edifício Omini (Morumbi – SP/SP). Síndica há seis anos, Maria de Lourdes aponta que falta "ainda muita informação" aos condôminos sobre questões relativas ao convívio. Entre elas, naquele relacionado com o funcionário, em que, não raro, é possível ver morador conversando com este assuntos triviais, em prejuízo às suas funções. Ela diz que o principal desafio à mediação e/ou conciliação é superar o individualismo das pessoas eventualmente envolvidas em conflitos.

 

Maria do Socorro Iglesias (Help) – Condomínio Independence Park (Ipiranga – SP/SP). Síndica há dois anos, Maria do Socorro, que prefere ser chamada pelo apelido "Help", relata que são "raros os conflitos em seu condomínio". "Procuro usar o bem senso, sou a favor do diálogo. Eu e o zelador tratamos os moradores com respeito e exigimos respeito deles também. Trabalhamos em cima do Regimento Interno. Quando um morador não respeita algum artigo, primeiro ele é advertido oralmente, depois por escrito e por último dependendo da gravidade aplico multa", descreve a síndica, ressaltando que, desta forma, tem conseguido solucionar os conflitos internos.

 

Maria Lucia M. de Carvalho Marques – Condomínio Edifício Hortênsia (Vila Mariana – SP/SP). Síndica há sete anos, Maria Lucia destaca que um dos problemas observados em seu condomínio é que alguns moradores não cumprem com o Regimento Interno.
E que para a mediação e/ou conciliação se expandirem entre os condomínios, será preciso "fazer os dois lados ouvirem o problema" e quererem sua solução.

 

Maria Virgínia Santos (Síndica, à dir. da foto); Frida Isaac Maia (Subsíndica, à esq. da foto); Maria Helena Secco (Conselheira, no meio da foto) – Condomínio Residencial Interlagos (Cidade Ademar – SP/SP). Síndica há 19 anos, Maria Virgínia Santos diz que costuma promover reuniões entre as partes e "esclarecer quem tem razão". Mas observa que alguns condôminos "acham que podem tudo e agridem verbalmente os porteiros". Acha positiva a medicação e/ou conciliação pelo fato de haver diálogo e busca de entendimento. Mas elege que a grande dificuldade ao sucesso desse instrumento é "convencer as pessoas que a razão pode estar do outro lado".

 

Nelza Gava de Huerta – Condomínio Edifício Maison Du Rhone (Campo Belo – SP/SP). Síndica há 16 anos, Nelza conta que no processo de renovação do AVCB, em andamento, vem enfrentando a discordância de um ou outro condômino em relação à providências solicitadas pelo Corpo de Bombeiros. Mas o condomínio de Nelza costuma manter a prática do diálogo, incluindo os condomínios da vizinhança, que adotam um programa conjunto de segurança. O condomínio se notabiliza ainda pelas medidas de sustentabilidade, entre elas, a adoção de um sistema de reuso de água.

 

Olga Antunes /Bruno Gonçalves – Este foi o terceiro evento de homenagem às síndicas patrocinado pela empresa Elevadores Primac. Seus consultores, Olga Antunes e Bruno Gonçalves, apresentaram a elas orientações sobre a segurança dos elevadores. E deram destaque aos procedimentos mais adequados a serem adotados na hora de liberar alguém que tenha ficado preso na cabina.

 

Railda Silva – Síndica do Condomínio Edifício Parque do Olimpo (Jardim da Saúde – SP/SP). Síndica há sete anos, Railda apresenta, entre suas principais realizações, a implantação do Gami (Grupo de Amor à Melhor Idade), que se reúne uma vez por mês. É uma forma de ampliar os espaços de convívio entre os moradores, justifica Railda. Em relação aos conflitos, ela relata que sempre procura levá-los ao grupo de conselheiros, onde "conversamos e estabelecemos um acordo". Mas ela diz que há casos sobre os quais não se consegue chegar a um entendimento, "que não conseguimos resolver", e sobre eles talvez a mediação e/ou conciliação seria uma boa alternativa. Railda diz que há necessidade de mais informações e esclarecimentos sobre o funcionamento do mecanismo.

 

Rejane de Albuquerque – Condomínio Edifício Ana Carolina (Santana – SP/SP). Síndica durante pouco mais de 20 anos do empreendimento, Rejane está fora do cargo desde o final de 2013, depois da realização de uma Assembleia polêmica, alvo de litígio na Justiça. No período, Rejane promoveu diversas obras de recuperação, revitalização e manutenção do condomínio. Quanto à mediação e/ou conciliação de conflitos, ela diz que as tentativas são válidas, mas não tiveram sucesso no conflito mais recente de seu condomínio, já que ela era uma das partes envolvidas.

 

Rosa Braghin – Condomínio Edifício The Point (Moema – SP/SP). Síndica há cinco anos, Rosa conta que todos os conflitos em seu condomínio são tratados sob o amparo legal, esclarecendo os envolvidos sobre a legislação e deixando-os livres para decidirem em função de seus direitos e deveres e das consequências de seus atos. Ela acredita que o instituto da mediação e/ou conciliação depende de que o condomínio passe a ser visto como uma coletividade.

 

Rosana Candreva – Condomínio Edifício Camburi (Vila Mascote – SP/SP). Síndica há cinco anos, Rosana Candreva diz que é comum surgir conflitos das fontes mais diversas possíveis, desde reclamações contra condômino que costuma deixar o hall interno "cheirando a cigarro" a festas de adolescentes que saiam do controle dos pais. Ela comenta que sempre há necessidade de uma mediação por parte da síndica, mas que seria interessante esclarecer melhor os gestores sobre o funcionamento das soluções alternativas de conflitos.

 

Rosana Moraes – Condomínio Edifícios Flávia e Fernanda (Aclimação - SP/SP). Síndica há quatro anos, Rosana enfrenta dificuldade de preencher os cargos de conselheiros e também de subsíndicos. Também houve certo estranhamento na hora de os condôminos se acostumarem a um novo perfil de zelador, com atuação mais profissional. "Os moradores confundem o zelador com prestador de serviços particular e isso causa muitos problemas", exemplifica, lembrando ainda que é frequente condôminos conversarem com os porteiros. Ou seja, resumindo, a síndica acredita que a solução alternativa de conflitos passa pela necessidade de os moradores "entenderem" que não se pode "abrir exceção para nada". É preciso, acrescenta, "fazer com que os moradores entendam que as regras da Convenção e do Regimento Interno devem ser seguidas para mantermos um ambiente cordial, de paz, respeito e tranquilidade".

 

Rosely Benevides de Oliveira Schwartz – Administradora e contabilista pioneira em estudos e pesquisa na área de condomínios, a Profa. Rosely Schwartz promove há mais de uma década um curso de formação de síndicos, agora oferecido pela EPD (Escola Paulista de Direito). No evento em homenagem às síndicas de 2014, Rosely defendeu a solução alternativa de conflitos. Especialista em Gestão de Facilidades (através de um MBA cursado na Universidade de São Paulo), Rosely é autora do livro "Revolucionando o Condomínio", em sua 14ª edição (Editora Saraiva).

 

Sueli Ribeiro – Empresária da área de fitness e monitoramento de atividades em condomínios, Sueli Ribeiro atua, entre outros, no Condomínio Clube Ibirapuera. A consultora é presença constante nos eventos promovidos pela revista Direcional Condomínios.

 

 

Vera Lúcia Cardoso – Graduada em Fisioterapia e Pós-Graduada em Neurologia no Hospital Albert Einstein, Vera Lúcia Cardoso abriu o encontro em homenagem às síndicas com uma palestra sobre a saúde da mulher e a prevenção ao câncer de mama.

 

 

Edição: Rosali Figueiredo
Fotos: Rita Barreto

São Paulo 8 de março de 2014