Modernização requer logística de operação dos elevadores

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Pela segunda vez os quatro elevadores do Condomínio Conjunto Brasil Pitoresco, na região do Parque do Ibirapuera, em São Paulo, estão passando por obras de modernização.

Eng. Orlando Palação

O Eng. Orlando Palação, assessor administrativo do Condomínio Brasil Pitoresco, e sinalização de obra que tem exigido alinhamento entre equipes de manutenção e de modernização dos elevadores

Entregue em 1976 com duas torres de 28 andares, totalizando 116 unidades, o empreendimento possui dois elevadores por prédio, que receberam uma modernização dos comandos no final dos anos 90, há quase duas décadas. “Era uma das primeiras versões do comando eletroeletrônico", afirma Orlando Palação, que trabalha na administração do condomínio.

Desde então, houve manutenção regular dos equipamentos, mas chegou um momento em que a empresa responsável pelos serviços se deparou com a dificuldade de repor as peças mais antigas. Por isso a decisão de modernizar novamente os quatro elevadores, tema discutido em reuniões ocorridas ao longo de 2018 no condomínio.

Com caixa robusto, a administração não precisou levantar recursos através de rateio extra. As dificuldades enfrentadas pelo condomínio durante os serviços, iniciados em 2019, seriam de outra natureza, logísticas. Isso porque, apenas um elevador de cada prédio atende ao 1º subsolo da garagem (o 2º não é atendido pelas características do solo da região, que inviabiliza, inclusive, a descida dos patamares). E a modernização começou justamente pelo elevador que chega ao subsolo, obrigando o condomínio a promover adaptações na rotina da coleta de lixo das unidades, no transporte das compras e nas mudanças (autorizadas temporariamente para o elevador social).

Um segundo complicador, de acordo com o engenheiro, é que a modernização total exigiu ajustar a comunicação e sincronizar os serviços e cronograma de quatro diferentes equipes: da manutenção, da modernização, do embelezamento das cabinas e da adequação das casas de máquinas (que passaram por reforma elétrica, com a instalação de eletrocalhas aéreas; de novos cabeamentos para o aterramento, os interfones das cabinas e a iluminação; além da substituição dos quadros de energia).

Orlando lembra que chegou a haver uma assembleia específica para discutir a logística do processo, com previsão de que cada equipamento ficaria 60 dias parado; dentro desse cronograma, no mês passado, em agosto, foi concluída a modernização do segundo dos quatro elevadores. Mas houve surpresas neste caminho: Uma torre chegou a ficar dez dias sem elevadores, pois o único em operação sucumbiu à sobrecarga da demanda. O engenheiro afirma que o condomínio conseguiu manter um funcionário da empresa de manutenção em período integral no prédio para evitar paradas muito longas, até que se resolvesse o problema, passando o comando antigo do elevador em modernização para o que estava na operação. “Chegamos a cogitar pagar hotel para os moradores dos andares mais altos e idosos”, observa o engenheiro.

Da experiência, Orlando Palação Jr. extrai a dica para seus colegas gestores de que os contratos de modernização dos elevadores contenham uma previsão de que haverá reforço na manutenção para o equipamento que permanecer em operação enquanto o outro é modernizado. “É preciso garantir que a empresa aplicará todos os esforços para o funcionamento de pelo menos um elevador no prédio”, reitera. Outra dica é que o condomínio contrate um consultor independente para acompanhar todo o processo. “O prédio não pode ficar sem elevador, isso é ferir o direito de ir e vir”, arremata.


Matéria publicada na edição - 249 - setembro/2019 da Revista Direcional Condomínios

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