Para síndico, “ideias são boas, mas implantar [serviços] é outra história”

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O síndico profissional Alessandro Paris separa em duas as novas modalidades de serviços disponíveis aos condôminos: Aqueles baseados no modelo de negócios pay per use, em que o morador paga pelo que consome (como a hora de utilização do carro ou da bike compartilhada); e aqueles em que o morador adquire produtos ou serviços diretamente do fornecedor (na feira livre interna, no salão de beleza etc.). No primeiro caso, Alessandro tem observado maior dificuldade de o serviço proporcionar um retorno financeiro que viabilize a continuidade do negócio pelo terceiro.

Síndico profissional Alessandro
Paris

Síndico profissional Alessandro Paris: Serviços compartilhados são tendência, mas modelo de negócios precisa amadurecer

“As ideias são boas, mas implantar é outra história. O condomínio nasce com essa vocação, com vagas destinadas a isso, a incorporadora faz até um primeiro contato com o fornecedor, mas a conta não fecha para este, que precisa de uma demanda mínima”, afirma. A menos que isso “venha agregado como taxa extra para cada condômino, mas nem todos estão dispostos a pagar”, pontua. “É diferente quando o prédio está mais maduro [maior ocupação], o serviço tem volume e se paga, caso da lavanderia. Estamos implantando uma lavanderia totalmente automatizada com fornecimento de insumos”, exemplifica. Segundo Alessandro, o principal entrave ao sucesso é que “os serviços são implantados quando a maior parte dos condôminos ainda não se mudou”. “O timing de introdução desses serviços é chave para a continuidade do fornecedor dentro do condomínio”, analisa.

Alessandro destaca também a inexistência de empresas no mercado preparadas para atender a algumas demandas bem específicas, como a manutenção das bikes de compartilhamento. “O conselho de um prédio definiu que deveria haver contrato de manutenção in loco, regular, como se faz com os equipamentos da academia, mas não encontramos ninguém disposto a isso. Esse é outro desafio. A prestação de serviços de facilities nos residenciais vem crescendo muito, mas não está totalmente amadurecida, tem espaço para aumentar e chegar a um modelo de negócios que seja bom para o condomínio e garanta a viabilidade do negócio para o fornecedor”, observa.

Já os “serviços de consumo direto, que independem da intermediação do condomínio, pegaram e estão dando certo”, compara Alessandro. Em um dos condomínios que administra, a feira livre semanal está consolidada e não raro o morador encomenda antes o produto para o feirante. Outro benefício, negociado pela administração, é que os comerciantes assumiram a manutenção da horta comunitária do residencial. “Uma vez por mês fazemos a coleta e a disponibilizamos para o consumo do morador”, finaliza o síndico.


Matéria publicada na edição - 249 - setembro/2019 da Revista Direcional Condomínios

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