Serviços compartilhados no condomínio: Fazendo dar certo!

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Padaria e pet care móveis, minimercados, lavagem de carros, espaço beleza, armário para encomendas, lavanderia, feiras livres, food trucks, assessoria esportiva e facilidades no pay per use: Os serviços chegam para dar mais comodidade à vida do morador no condomínio, porém, nem sempre o que dá certo em um lugar será sucesso no outro.

Síndicos Carlos Azevedo
Fernandes e Alexandre
Evangelista

Síndicos Carlos Azevedo Fernandes e Alexandre Evangelista, em área de café e salão de beleza do Boulevard Tamboré: Escolhas atendem às expectativas dos moradores e passam pelo conselho e/ ou assembleia

O mercado está atento à mudança no perfil dos condomínios e lança, a cada momento, novidades em serviços para facilitar a vida dos seus ocupantes. Já é comum encontrar armários disponibilizados por lavanderias para autoatendimento dentro dos prédios e até mesmo os Correios lançaram “caixas inteligentes”, que, através de empresas credenciadas e por meio de um código postal criado pelo usuário, possibilitam entregar encomendas e correspondências. Por exemplo, um condomínio no Bom Retiro, na zona Oeste de São Paulo, irá em breve disponibilizar o sistema para os moradores interessados.

Já no Condomínio Boulevard Tamboré, localizado em Santana de Parnaíba, na Região Metropolitana da Capital Paulista, os armários de uma lavanderia regional vieram para agregar mais uma facilidade a um empreendimento que nasceu vocacionado para disponibilizar serviços aos moradores de suas 240 unidades. Em um espaço de 40 mil m² e área verde preservada de 21 mil m², com quatro torres implantadas há cerca de dois anos e outras duas em construção, além da estrutura completa de lazer, os condôminos encontram um café que serve refeições rápidas e salão de beleza. Dispõem ainda do suporte de uma assessoria esportiva, que promove também seis eventos anuais, como a festa junina, colônia de férias e o halloween. Comissão interna de moradores acompanha as atividades esportivas e recreativas e agora “existe uma demanda forte para criarmos uma conta específica para eventos”, afirma o síndico profissional Carlos Azevedo Fernandes, que realiza a gestão do local juntamente com Alexandre Evangelista.

Segundo Carlos Fernandes, a oferta de serviços varia em cada condomínio, atendendo ao perfil de seus ocupantes e do empreendimento. Nos clubes, alguns espaços já nascem destinados à exploração comercial por um terceiro, caso da lanchonete e espaço beleza, que têm dado certo no Boulevard. No entanto, diferente de outros residenciais, os moradores locais não quiseram ter feira livre nem delivery de alimentos. De outro lado, têm apoiado ações promocionais de marcas (como a de um produtor de chocolates) e de pet care. O jeito, então, “é sempre realizar enquetes junto aos condôminos para ver o que desejam e levar a decisão para o conselho e/ou assembleia” (neste caso em contratos maiores), avalia o síndico.

Precauções

Síndica Roseane Fernandes

Síndica Roseane Fernandes: Cuidados asseguram lisura dos processos e o interesse coletivo

Para a síndica profissional Roseane Fernandes, sócia de Carlos, o conceito de condomínio-clube prevê necessariamente dispor de um pool de serviços, entretanto, cuidados devem ser tomados para assegurar a lisura dos processos e os interesses da coletividade, ressalva. Entre eles:

- Atuar juntamente com o conselho, levar algumas decisões para a assembleia e estabelecer contratos que incluam responsabilidades e contrapartidas em relação à cessão de uso de espaço;

- Exigir que os funcionários de terceiros sejam registrados conforme a legislação do trabalho;

- Providenciar medidores de energia independentes para o espaço a ser explorado; e,

- Abrir uma conta contábil específica para receber e lançar os valores cobrados da cessão do espaço. Recomenda-se não haver lucro para o condomínio e reinvestir o valor nesse setor, como na manutenção ou incremento de um espaço gourmet, churrasqueiras e salão de festas. De acordo com os síndicos, há conselhos que ainda vetam serviços em função da convenção e/ou legislação. Por isso, acreditam que as convenções acabarão se adaptando a essa tendência, “pois os moradores querem hoje ter tudo às mãos, chega a ser uma necessidade urbana em determinadas regiões”.

Prédios menores se reinventam

Se um condomínio-clube “chama” serviços, isso não significa que um residencial menor represente, necessariamente, a ausência destes. No balanço de sete anos de gestão à frente do residencial Flamboyant, de apenas onze unidades, o síndico Luciano Gennari apresenta uma extensa lista de benefícios e melhorias que foram introduzidas ao longo do tempo no prédio, desde a estrutura do sistema de energia fotovoltaica funcionando como cobertura da churrasqueira, a um robusto nobreak que garante o funcionamento dos elevadores mesmo na queda da rede elétrica, passando por prestador de serviços de lavagem a seco dos carros, acesso de vagas de garagem para visitantes, horta e um delivery de produtos hortifrutigranjeiros, entre outros. Na verdade, segundo Luciano, o conforto e bem-estar dos moradores dependem de muito mais, “como da conservação das áreas comuns” – no Flamboyant, a pintura desses espaços é renovada a cada quatro meses. E o mais importante, ressalta, é que os benefícios vieram sem impactos sobre a taxa condominial, que variou menos de 2% em todo o período.

Uso comercial em espaço residencial, pode?

Segundo o advogado Cristiano De Souza Oliveira, os condomínios-clube devem ter previsto na convenção quais os espaços coletivos serão destinados à exploração comercial por terceiros. Somente desta forma o próprio prestador de serviços conseguirá alvará de funcionamento junto à prefeitura, explica. Por outro lado, serviços que são agregados ao longo do tempo, como os armários de correspondência ou lavanderia expressa, independem de previsão em convenção. “O espaço que ocupam continua sendo utilizado como área comum, sem mudar sua destinação e cujo benefício é coletivo”, afirma. Mas o advogado recomenda aprovar tudo em assembleia. “O conselho tem autonomia de fechar um contrato de cessão do espaço, mas em nome da transparência é importante sua deliberação pela coletividade.”


Matéria publicada na edição - 249 - setembro/2019 da Revista Direcional Condomínios

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