Em busca do AVCB do condomínio: O tempo é curto e o caminho longo

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Logo que começou a trabalhar como síndica profissional do Condomínio Ignácio Tavares Leite, em Higienópolis, São Paulo, a advogada Mila Fernandes Rocha colocou como uma de suas prioridades regularizar a situação do Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros.

Síndica Mila Fernandes
Rocha

Síndica Mila Fernandes Rocha: Instalação de rede de hidrantes em prédio residencial exigiu obra civil e elevou custo

Ela sabia que empreitada não seria fácil: O edifício compõe o Conjunto Angélica, que engloba outro prédio residencial, o Lupércio Teixeira Camargo, além de salas comerciais e lojas, uma delas então ocupada por um supermercado e outra por uma padaria (locais que estão sendo reformados por novas redes).

Em síntese, a liberação do AVCB ali dependeria que todo o conjunto estivesse em conformidade. Essa era a situação que Mila encontrou no Ignácio em 2016, quando assumiu como síndica. A primeira tarefa foi saber se havia algum projeto original de AVCB junto aos Bombeiros ou se teria que iniciar do zero. A síndica começou a conversar também com os responsáveis pelas demais edificações. O Conjunto Angélica foi implantado no final dos anos 60. O Ignácio, com 96 apartamentos e 4 salas comerciais, data de 1967.

Descobriu-se então que o Ignácio nunca teve AVCB e contratar o projeto foi o ponto de partida de um processo que tem sido trabalhoso, envolvendo muita obra civil, e de investimento elevado. Com três blocos (um com 13 andares e os demais com 21), o edifício teve que providenciar a instalação de bombas de incêndio em cada um deles, o que envolveu a quebra das paredes dos shafts internos nos halls dos andares, para a instalação da rede e caixas de hidrantes. As dimensões dos halls, inferiores ao mínimo determinado por norma, inviabilizou a tubulação externa à parede e demandou que mais de 50 caixas de hidrantes fossem encomendadas sob medida.

“Tivemos que preparar a infraestrutura para instalar três bombas de incêndio, as caixas, mangueiras, bicos atualizados e chaves storz, incluindo a parte dos subsolos de garagem, com uma logística de obra ainda mais complicada. Precisamos pedir autorização à concessionária de energia para a ligação dessas bombas, pois são três novos pontos independentes. Também iremos solicitar relógios para cada um dos pontos dos blocos autônomos, que irão substituir as antigas centrais de bateria da luz de emergência. E instalaremos algumas portas corta-fogo”, descreve a síndica. Ou seja, a infraestrutura necessária se multiplica por três, como se cada bloco fosse um prédio, o que elevou o custo total do AVCB a R$ 300 mil (investimento aprovado em assembleia de condôminos, com rateio extra).

Desde maio passado, Mila Fernandes tornou-se síndica também do Edifício Lupércio. De torre única e apenas 26 unidades, este acabara de ganhar a rede de hidrantes (neste caso, com mais facilidade, pois as tubulações, caixas e demais componentes puderam ser instalados externamente às paredes dos halls / fotos ao final da pág. ao lado).

Em outro edifício dos anos 60, o Sucre, em Santa Cecília, o processo do AVCB (em curso) foi facilitado porque havia um projeto original de 1991, afirma Mila, síndica orgânica do local. “O AVCB estava vencido, mas conseguimos aproveitar o projeto e atualizar algumas instalações, como o corrimão, a sinalização e as portas corta-fogo (três delas foram substituídas).” Ali o custo foi de R$ 50 mil e o documento está pendente porque há necessidade de que lojas comerciais existentes sob uma lateral do prédio também promovam adequações.

Para quem está começando a regularizar o AVCB, a síndica Mila Fernandes deixa algumas dicas:

- Mesmo que a obra seja emergencial e o condomínio disponha de recursos, recomenda-se sua aprovação em assembleia, independente dos valores;

- Pesquisar a existência ou não de projetos anteriores;

- Projetos que começam do zero ou que atualizem um pré-existente devem ser contratados somente depois de o síndico conferir a idoneidade e capacitação da empresa. É fundamental ao condomínio buscar a consultoria de um especialista independente para acompanhar o desenvolvimento do projeto e a execução da obra;

- O condomínio deve contratar seguro da obra, em paralelo ao seguro de responsabilidade civil apresentado pela empresa; e,

- O síndico dever organizar a logística dos serviços, desde destinar locais para o armazenamento de materiais e descarte de entulho, até fazer comunicação constante com os moradores, pois a obra civil pode causar transtornos (barulho e poeira).

rede de hidrantes

No Condomínio Lupércio Teixeira Camargo, a rede de hidrantes pôde ser instalada externamente às paredes dos halls

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Por Marcos Moreno (Consultor especialista em condomínios na área de segurança e prevenção contra incêndio)

Matéria publicada na edição - 247 - julho/2019 da Revista Direcional Condomínios

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