Limpeza e a segurança do trabalho terceirizado no condomínio

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O síndico profissional e químico Leandro Cruz alerta seus colegas gestores que, num contexto da terceirização dos serviços de limpeza, é fundamental zelar pelos procedimentos corretos de trabalho e pelo uso de produtos que evitem riscos aos funcionários e demais pessoas.

Pela sua formação em Química, com graduação e mestrado na Universidade de São Paulo, Leandro destaca o perigo das reações químicas que podem ocorrer pela mistura indevida de produtos. Ele diz que já presenciou, em condomínio, um faxineiro misturar um limpador abrasivo com um multiuso, de marcas conhecidas do mercado de varejo, e essa composição provocar intoxicação. “O funcionário teve parada cardiorrespiratória, foi hospitalizado e sobreviveu”, relata. Viu ainda, em prédio em que dá consultoria, “uma funcionária espirrar o produto no próprio olho ao limpar vidro”.

Também especializado em segurança do trabalho e microempreendedor que fabrica e distribui produtos de limpeza aos condomínios, Leandro Cruz afirma que esta é “uma das áreas de maior número de ações trabalhistas”. Afinal, destaca, o condomínio responde solidariamente mediante qualquer acidente. A seguir, ele recomenda cuidados mínimos que os síndicos, zeladores e gestores prediais devem exigir dos prestadores de serviços.

Procedimentos

- Fornecer e exigir o uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPI), como botas de borracha, luvas apropriadas à atividade e óculos de segurança;

- Exigir assinatura de termo de recebimento do EPI pelo funcionário;

- Oferecer treinamento de procedimentos e de uso de produtos de limpeza.

Produtos

- Checar a sua procedência;

- Verificar a formulação e a indicação de uso;

- Fazer testes antes de liberá-lo;

- Verificar, nas embalagens, a presença ou não do selo FISPQ (Ficha de Informações de Segurança de Produtos Químicos), contendo especificação, orientação de uso, dos EPI necessários e do que fazer em caso de emergências ou acidentes com o produto.

Leandro Cruz orienta, por fim, contra o uso dos chamados “limpa-pedras”, que são vendidos a partir de uma composição de ácido muriático diluído em água e detergente. “É uma mistura perigosa para a saúde, pode irritar as vias respiratórias e provocar queimaduras”, explica. De acordo com o químico, inexiste um produto único capaz de promover a limpeza das pedras. Cada uma possui uma composição própria, exigindo pH mais ou menos ácido, dependendo das suas propriedades.


Matéria publicada na edição - 246 - junho/2019 da Revista Direcional Condomínios

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