Segurança: Com ações em conjunto, o condomínio extrapola os seus limites

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"Cada dia mais percebemos a união entre condomínios que fazem parte de uma mesma rua ou quarteirão e que se organizam em prol de objetivos e anseios comuns. (...) Bairros arborizados, iluminados, bem planejados e seguros são mais procurados e, em geral, valorizados. Transmitem a informação de que naquela região existe uma sociedade organizada para agir em seu próprio benefício."

Há uma tendência de os edifícios ultrapassarem os seus limites físicos, para irem além das grades em busca de um fortalecimento em conjunto com seus vizinhos.

Cada dia mais percebemos a união entre condomínios que fazem parte de uma mesma rua ou quarteirão e que se organizam em prol de objetivos e anseios comuns. Além da troca de experiências, muito positiva diga-se de passagem, entre síndicos e membros dos conselhos, que promovem constantes debates sobre temas como segurança, economia de água, fornecedores, custos de serviços de manutenção, entre outros, esse grupo, uma vez bem organizado, também pode lançar mão de diversas ações em conjunto, que beneficiem seus moradores.

Recentemente acompanhamos uma Assembleia Geral de um Grupo de Edifícios localizados na Vila Gomes (na zona Oeste de São Paulo, Capital), que se autodenomina G13, formado por treze condomínios localizados em um mesmo quarteirão.

Nesta oportunidade, os representantes vinham de uma sequência de realização de AGE (Assembleia Geral Extraordinária) em seus condomínios. Já na Assembleia Geral do Grupo, que acompanhamos, o tema era “A segurança do bairro” e, por mais que sejam óbvios os motivos para o aumento da constante da preocupação sobre o assunto, o G13 relatou o aumento dos índices de criminalidade na região.

Diante disso, seus representantes se mobilizaram, buscaram o Poder Público, conversaram com as polícias Civil e Militar, frequentaram reuniões do Conseg local e, após debates, perceberam que seria necessário tomar medidas mais eficazes como ações particulares para coibir e inibir a violência naquela área, tendo em vista que era nítida a evasão de moradores em busca de um local mais seguro para morar.

Na Assembleia, o G13 votava a contratação de uma empresa de segurança privada para realizar rondas especificamente naquele quarteirão.

Diante disso, com um olhar urbanista, ultrapassamos os gradis e questionamos: O que mais poderia ser feito? Como os grupos de vizinhos organizados poderiam agir para complementar ações semelhantes a essas adotadas pelo G13?

Assim sugerimos que eles invistam em:

1 - Iluminação

- Mapeamento dos pontos escuros nas calçadas e elaboração de um projeto luminotécnico com o objetivo de aumentar a iluminação dessas áreas. Para tanto, há diversos recursos, como, por exemplo, as lâmpadas de LED de baixíssimo consumo que, além de trazer uma maior segurança para o pedestre, quando bem projetada, pode valorizar a fachada térrea e os jardins dos prédios;

2 - Calçadas planejadas

A dica é aplicar alguns dos conceitos sugeridos pelo arquiteto paisagista Benedito Abbud na Casa Cor, em 2015:

  •  Urbanismo verde: jardins bem cuidados com as espécies de vegetação corretas e área permeável;
  •  Gentilizas urbanas: instalação de bancos, áreas para bicicletas e patinetes elétricos;
  •  Calçadas culturais: espaços para pequena apresentação de artistas de rua;
  •  Comunicação visual;
  •  Limpeza e lixeiras.

3 - Sistema de intercomunicação entre portarias (autovigilância) e treinamento dos porteiros (agir corretamente nos momentos adequados)

Em uma proposta de autovigilância como esta, a própria sociedade cuida de seus pares. Se pensarmos que em uma rua composta por dez edifícios, cada um possui pelo menos uma portaria com um funcionário atento e bem preparado para agir. Caso veja uma ação suspeita, teremos dez postos de vigilância a cada vinte metros de distância.
E se esses postos tiverem uma comunicação eficaz entre si?
Teremos uma rede interligada de vigilância 24 horas. Vejam só a seguinte situação hipotética: o porteiro do Edifício A, localizado no início de uma determinada rua, identifica ações suspeitas de grupo de indivíduos; esse porteiro já emite um sinal de alerta às demais portarias do grupo, que poderão repassá-lo aos moradores para que fiquem atentos e acionem a polícia se necessário.

Implantar ações desse tipo, além de revitalizar espaços públicos de uso contínuo dos moradores, trará maior conforto e segurança para quem transita ou vive na região. Bairros arborizados, iluminados, bem planejados e seguros são mais procurados e, em geral, valorizados. Transmitem a informação de que naquela região existe uma sociedade organizada para agir em seu próprio benefício.  Uma rua segura, bonita e confortável é muito mais convidativa e, além disso, as pessoas estão mais dispostas a investir em imóveis que propiciam uma maior qualidade de vida.

Geórgia Ellen Zorzella Gadea

Geórgia Ellen Zorzella Gadea

Arquiteta e urbanista graduada no Centro Universitário de Belas Artes de São Paulo (FEBASP) e pós-graduada em Gerenciamento de Empreendimentos na Construção Civil pela Universidade Mackenzie. É especialista em projetos de reformas e de retrofit prediais desde 2005. Atua na AAB Arquitetura e Gerenciamento de Obras, integrando sua equipe técnica e com autoria de diversos projetos de arquitetura em condomínios.
Mais informações: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. .


Matéria complementar da edição - 245 - maio/2019 da Revista Direcional Condomínios

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