Engenheiro orienta medidas preventivas contra incêndio no condomínio

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Instalações precárias, malconservadas, com riscos de curto-circuito, ou mesmo a sobrecarga na rede elétrica pelo uso incompatível dos equipamentos eletroeletrônicos, estão na origem de boa parte dos incêndios em edifícios no País, ocorrências cada vez mais comuns.

Colaborador regular da Direcional Condomínios há seis anos, o engenheiro eletricista Edson Martinho disponibiliza aos síndicos dezenas de artigos no portal da revista, com orientações para a segurança das instalações elétricas tanto do prédio quanto das unidades. Edson é diretor-executivo da Abracopel (Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade) e autor do livro "Distúrbios da Energia Elétrica" (Editora Érica, 2009).

A seguir, um resumo das principais dicas do especialista.

- Atenção à coordenação entre tomadas, fios e disjuntores

De acordo com Edson Martinho, “se estes componentes não estiverem coordenados, a sobrecarga poderá virar um incêndio”. “Por exemplo, nunca se deve substituir o disjuntor sem antes verificar se o condutor (fiação) é compatível. Também as tomadas, de 10 ou 20 ampères, devem estar coordenadas à fiação e aos disjuntores correspondentes.”

Entre as funções dos disjuntores, destacam-se “proteger o circuito elétrico de uma sobrecarga” e “eliminar o curto-circuito, que deve ser debelado imediatamente para que aquela energia luminosa e, principalmente a térmica (arco elétrico), não gere um princípio de incêndio”. “Em resumo, o disjuntor tem a função de proteger todos os fios, desde que haja coordenação entre eles.”

Os fios, por sua vez, possuem “determinada capacidade de condução de corrente”, mas o limite desta condução está relacionado ao isolamento do cabo. “Quanto mais corrente se passa pelo fio, mais aquecido ele fica”, explica. “E, se ultrapassarmos a capacidade do isolamento, este irá derreter e poderá iniciar um incêndio, além de os fios ficarem expostos, podendo causar um curto-circuito. Então, precisamos ter um dispositivo que garanta que esta temperatura fique nos limites aceitáveis. Este dispositivo é o disjuntor (pode ser o fusível também).” Ou seja, “cada seção de fio deve ter seu disjuntor correto”.

Por fim, as tomadas. Elas também possuem “limite de condução de corrente”. Conforme a norma ABNT NBR 14.136, há dois modelos de tomadas no mercado brasileiro, de 10 ampères (10A) e 20 ampères (20A). “Os condutores devem ser apropriados para cada tomada.” Por exemplo, “uma tomada de 20A não pode ter fios finos que suportam somente 15A, com disjuntores que desligam com 30A”. Deverá existir uma “coordenação”, “associando a tomada de 10A com um disjuntor de 10A, e um condutor que suporte pelo menos 10 A”, ilustra.

Conforme reforça Edson Martinho, esta “dica é super importante, pois eliminaria os mais de 400 incêndios que a Abracopel (Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade) apurou em 2017”. Já em 2018, a entidade apurou a ocorrência de 536 incêndios, 80% deles dentro dos imóveis (com 59 mortes). No total, foram 62 vítimas fatais. A maior parte foi causada por curtos-circuitos.

- Os riscos com aquecedores, chuveiros elétricos, ar condicionado, carregadores de celulares e adaptadores de tomada

Nos meses que antecedem o inverno, o engenheiro eletricista Edson Martinho costuma reforçar os alertas contra o uso inadequado de aquecedores dentro dos imóveis. O domicílio deve estar minimamente preparado com “circuitos elétricos de uso exclusivo com tomadas para 20A” (está vetado aqui o uso de adaptadores). Também o prédio deverá possuir carga suficiente para comportar o consumo elevado desses aparelhos. O mesmo acontece, no verão, com o ar condicionado.

Sobre os aquecedores, Edson diz: “Sempre que chega o frio me dá um arrepio, porque vejo as promoções de aquecedores elétricos em todos os lugares e fico pensando – Como os consumidores irão ligar estes aquecedores? As instalações elétricas de suas moradias estariam preparadas?”

Ele explica: “Os aquecedores usam resistência elétrica e possuem potências altas, que vão de 1.200 Watts até mais de 2.500 Watts. Em comparação, 1.500 Watts está próxima da potência dos aparelhos de micro-ondas comuns. Quanto mais potência um equipamento tem, maior a necessidade de possuir fios grossos (seção maior) e circuitos exclusivos.” O mesmo raciocínio vale para os chuveiros elétricos, cujas potências quase dobraram nos últimos 20 anos (de 4.400 Watts em média para pelo menos 8 mil Watts).

Já o ar condicionado possui um cálculo mais complexo, pois, mesmo que em termos de watts um equipamento de 7.500 BTUs tenha uma potência menor que a de um micro-ondas comum, por volta de 1 mil watts, o fato de ele ficar ligado de forma contínua fará com que, ao final do mês, seu consumo seja até dez vezes superior. E esta configuração de 7.500 BTUs é baixa se comparada a modelos de até 60 mil BTUs instalados em salões de festas de condomínios.

Quanto aos adaptadores (benjamins) de tomadas e carregadores de celular, o engenheiro esclarece:

- Adaptadores (Benjamins)

Seu uso foi acentuado no Brasil desde que adotado o atual padrão de três pinos nas tomadas e plugues dos eletroeletrônicos. Porém, os chamados benjamins levam a um consumo de uma potência sempre acima daquela prevista na tomada; apresentam mau contato e aquecimento com o tempo, com riscos de faíscas e incêndio. A situação fica pior quando se usa o adaptador de 20A em circuitos de 10A;

- Carregadores de celular

Apesar de eles se conectarem a uma bateria cuja tensão é baixa (em torno de 5 Volts), quando ligados na rede elétrica, farão uma interface com tensões "perigosas", de normalmente 127 ou 220 Volts. É neste "liga e desliga" que têm acontecido os acidentes, alerta Edson Martinho. Entre os acidentes registrados em 2018, "a maioria usava extensão ou benjamins ou ligou o dispositivo em tomadas danificadas e com partes energizadas expostas". Mas também os celulares vêm gerando ocorrências por mau uso: "Ao se falar ou usar o tablet ou smartphone com ele carregando, há risco de choque elétrico, por falhas no equipamento ou condições da instalação elétrica. Outro problema é que a bateria pode sofrer um aquecimento acima do normal e então explodir, ou se incendiar", destaca. Em breve, a Abracopel irá divulgar o levantamento completo dos incêndios relacionados à eletricidade no País em 2018.


Matéria publicada na edição - 244 - abril/2019 da Revista Direcional Condomínios

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