Qual o melhor período para revisar a rede e os componentes elétricos das edificações?

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O engenheiro eletricista Edson Martinho tem se dedicado, nos últimos anos, a realizar no País campanhas em favor da segurança das instalações elétricas e de prevenção de acidentes.

Eng. Eletricista Edson
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Eng. Eletricista Edson Martinho: “Uma revisão periódica pode melhorar a eficiência energética e evitar acidentes”

Diretor executivo da Abracopel (Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade) e autor do livro "Distúrbios da Energia Elétrica" (Editora Érica, 2009), Edson comentou que a tragédia no Centro de Treinamento do Ninho do Urubu, do Flamengo, no Rio de Janeiro, é reveladora de como o brasileiro tem negligenciado o projeto de engenharia elétrica na hora de fazer novas instalações ou promover reformas.

Segundo ele, o “simples” acréscimo de duas tomadas em uma rede elétrica é capaz de gerar sobrecargas e colocar a edificação e as pessoas em risco. No Flamengo, o fogo atingiu o alojamento nas divisões de base do clube no começo da manhã do dia 8 de fevereiro e matou 10 atletas, entre 14 e 16 anos. Três jogadores ficaram feridos e foram hospitalizados.

No caso dos condomínios, Edson recomenda que o síndico atue preventivamente, com o suporte de profissionais qualificados. “Uma revisão periódica pode melhorar a eficiência energética e evitar acidentes.” As normas técnicas brasileiras não estabelecem um período mínimo para as revisões, diz, já que a vida útil dos componentes elétricos varia conforme a qualidade e característica de cada um, assim como “à forma como foram dimensionados e à maneira como são usados”. “Por exemplo, se um circuito que visa a alimentar um chuveiro elétrico foi projetado prevendo um equipamento de potência 4.400 Watts (muito comum nos anos 1990) e, com o tempo, acabou recebendo a instalação de um chuveiro de 5.600 Watts, é provável que os componentes trabalharam em sobrecarga e, portanto, tiveram sua vida útil reduzida.”

Segundo a norma técnica ABNT NBR 5.410/2004 (relativa às instalações elétricas em baixa tensão), “a periodicidade é tanto menor quanto maior for a complexidade da instalação”. Para os condomínios, o engenheiro deixa uma dica: “Há um consenso na comunidade técnica que a primeira revisão deve ser feita antes dos 10 anos de uso e, daí para frente, a cada 5 anos pelo menos.”

Outro parâmetro, para o Estado de São Paulo, é a Instrução Técnica 41/2018, do Corpo de Bombeiros, a qual determina a obrigatoriedade de uma inspeção visual em instalações elétricas de baixa tensão durante a renovação do AVCB ou em caso de ampliação e/ou mudança de ocupação da edificação. A norma relaciona de forma abrangente os componentes que deverão ser revisados, mas ressalva que a “inspeção visual” é parcial e “não significa que a instalação atenda a todas prescrições normativas e legislações pertinentes”.


Matéria publicada na edição - 243 - março/2019 da Revista Direcional Condomínios

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