Nos subsolos, água brota de fontes diversas e demanda visão sistêmica

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Raízes de Ficus atingem subsolo de condomínio e provocam infiltrações

A associação entre água, os componentes químicos do concreto e o gás carbônico liberado pelos veículos gera o que ele considera a principal manifestação patológica nesses ambientes, a corrosão das armaduras. Segundo o especialista, a água origina de fontes diversas, como de falhas na impermeabilização (da laje, por exemplo), dos elevadores, dos reservatórios enterrados, do piso do último subsolo, das cortinas etc.

No Condomínio Sonatta, residencial de nove anos situado na zona Sul de São Paulo, o engenheiro civil Claudio Eduardo Alves da Silva identificou que uma infiltração que se manifestava na cortina do segundo subsolo resultava de uma combinação de fatores: Do tipo de técnica construtiva empregada na execução da parede; da topografia da região, que possui solo com lençol freático “bem ativo”; e de falhas no sistema de drenagem.

“Uma boa construção deve possuir um sistema de drenagem na face da cortina voltada para o solo, fazendo com que a água escolha o caminho do dreno e se direcione para os ramais de coleta e caixas de passagem até o poço de acumulação. Ela pode ainda dispor de sistemas de impermeabilização nas paredes (cortinas) para complementação da proteção. No Sonatta, identificamos problemas na bomba do poço e/ou no entupimento dos tubos e caixas de passagem. Feita a ligação da bomba e o descarte da água, a infiltração foi diminuindo. Depois desta providência, agendamos uma limpeza geral (por empresa especializada) dos drenos e comissionamos todo o projeto para checar se existiam alterações ou falhas. Apresentamos um relatório à construtora, que retornou ao edifício e corrigiu as falhas apontadas no laudo”, descreve Claudio. Segundo ele, não foi preciso complementar o sistema com trabalhos de impermeabilização.

Resolvida essa pendência, a síndica do condomínio, Karin Cerveira, se depara agora com nova infiltração, decorrente do avanço das raízes de uma árvore Ficus sobre a estrutura do prédio. O exemplar, localizado em uma calçada externa lateral, não é recomendado para arborização urbana. Ele vem provocando ainda a infestação de pragas (como vespas, taturanas e abelhas com ferrão), queda de galhos frequentes e riscos aos transeuntes, pois há fios de alta tensão da rede elétrica passando entre seus galhos e de outras seis árvores no mesmo passeio.

Quanto ao sistema construtivo, o principal dano causado pelo Ficus está no avanço das suas raízes, que possuem forte poder de penetração nas estruturas, abrindo fissuras e caminhos para a água. A parede de um dos subsolos da garagem do condomínio já apresenta sinais de umidade e precisa passar por nova avaliação, afirma o engenheiro civil Claudio. No final de fevereiro passado, o Diário Oficial do Município publicou autorização para que a síndica remova o Ficus, com compensação ambiental com outra espécie de porte médio, e faça a poda de outros cinco exemplares arbóreos da calçada.


Matéria publicada na edição - 243 - março/2019 da Revista Direcional Condomínios

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