Retrofit dos elevadores foca também a valorização dos condomínios

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Vizinho a um shopping, a uma estação do metrô e localizado em frente a uma unidade do Sesc, o Conjunto Residencial Moradas do Campo Limpo está caminhando para a sua quarta década de vida com o propósito de acompanhar o recente desenvolvimento urbano da região. Por isso, o condomínio entregue no final de 1981 tem apostado no retrofit das suas instalações.

Síndico Eduardo José Aleixo

Síndico Eduardo José Aleixo: Modernização total de oito elevadores entrou no pacote da revitalização geral do condomínio

Em março deste ano o síndico Eduardo José Aleixo celebrou o encerramento da modernização completa dos oito elevadores das quatro torres (com 15 e 16 andares), que receberam ainda o suporte de um gerador de 140 KVA (antes inexistente) e de adequações para a renovação do AVCB. Na sequência, o gestor iniciou obras nos pisos da calçada externa (no prolongamento da do shopping) e agora prepara a restauração da fachada.

O elevador surge, portanto, como um dos carros-chefes do pacote de revitalização e valorização dos condomínios. Eduardo José Aleixo, engenheiro e professor universitário, hoje também síndico profissional, atua como orgânico no Moradas desde 2013. Ele diz que o retrofit dos elevadores entrou num escopo maior de revitalização do residencial, mas que visou também a outros benefícios: Dar conforto aos moradores com o fim das paradas constantes; garantir a segurança do uso; gerar economia no consumo de energia (este já caiu 6% ao mês em quilowatts); e diminuir o custo de manutenção mensal.

Com 244 unidades e cerca de mil moradores, o Moradas Campo Limpo se preparou para os investimentos, que chegaram a R$ 1,2 milhão, sendo R$ 960 mil para os elevadores e o restante no gerador. Aprovado em assembleia em 2016, o contrato de retrofit do elevador foi parcelado em cinco anos. Os serviços foram realizados em doze meses, entre março de 2017 e o mesmo período deste ano. “Trocamos tudo, só ficou a carcaça das cabinas”, afirma o síndico. Em síntese, o escopo técnico dos serviços envolveu, para cada equipamento:

- Troca das máquinas de tração por componentes modernos, sem engrenagens;

- Instalação de comando eletrônico;

- Instalação de novo sistema de controle de velocidade;

- Substituição de componentes como caixas, fiação, cabos de manobra, chaves limite de segurança etc.;

- Troca das portas externas dos elevadores nos halls sociais;

- Modernização ampla das cabinas, com mudança das botoeiras, das portas internas (por aço inox escovado) e dos operadores de porta, entre os principais itens.

Foram alteradas também as botoeiras de todos os andares. Adicionalmente, o síndico instalou painéis informativos eletrônicos nas cabinas. E para a troca das portas de abertura dos halls térreos dos quatro prédios, de eixo vertical para automáticas, Eduardo Aleixo teve que contratar obra física, para ampliar o vão das mesmas. Isso implicou em quebra do revestimento original de granito, substituído por outro. No momento, o condomínio está realizando os arremates nas paredes externas dos elevadores, incluindo os halls dos andares. Nesses, os custos deverão ser cotizados entre os moradores.

PREJUÍZOS E RISCOS COM A FALTA DE MANUTENÇÃO - Condomínio entregue em 2009 na Vila Monte Alegre, zona Sul de São Paulo, com duas torres e 13 elevadores, ficou praticamente nove anos com manutenção precária nesses equipamentos, afirma o síndico profissional Clóvis Barbosa (Foto ao lado), que assumiu o cargo em maio de 2018. E de início o gestor levou um susto: O elevador em que estava, acompanhado de um conselheiro, travou no 22º andar. Eles ficaram uma hora presos e, quando o técnico da empresa de manutenção liberou o aparelho, este desceu em alta velocidade e sob muito ruído, assustando os passageiros. Clóvis diz que obteve laudo de outra empresa atestando a precariedade na manutenção de todos elevadores. Apenas três deles, por exemplo, estavam com o RIA em dia (Leia mais sobre o assunto na pág. 20). As paradas eram constantes, os ruídos excessivos, óleo lubrificantes vencidos e havia problema em uma das correntes do aparelho envolvido no incidente. Esta enroscou em uma peça onde ficam os sensores de parada.

De acordo com o engenheiro Antonio Luiz Caldeira, esse tipo de problema não deveria ocorrer, por duas razões: Os elevadores devem dispor, no poço, de um sistema mecânico redundante que indique ao elevador o final de curso, para caso de haver falhas dos sensores de parada, e; uma corrente jamais deveria estar próxima da peça que contém esses componentes. A principal norma técnica que regula a fabricação


Matéria publicada na edição - 239 - outubro/2018 da Revista Direcional Condomínios

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