Entrevista / Eng. Edilson Rosin: “Com a segurança dos elevadores não se brinca. (...) é possível uma modernização em etapas”

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Engenheiro elétrico e pós-graduado em Tecnologia de Sistemas Digitais, Edilson Rosin atua há mais de 30 anos com o mercado de elevadores, notadamente com modernização.

O especialista defende que síndicos e condôminos deem prioridade sempre à segurança na hora de definir os investimentos nesses sistemas. “Com a segurança dos elevadores não se brinca. Evite pegar atalhos e fazer consertos ou remendos mais baratos, porque o custo final pode ser muito mais alto e perigoso. Se o dinheiro está pouco e o elevador está parando desnivelado, apresentando barulhos estranhos e trancos na partida e parada, recomendo deixar a modernização estética de lado e partir para a troca do controle, botoeiras, fiações elétricas e itens de segurança primeiro”, assevera Edilson. Confira abaixo os principais trechos de sua entrevista à Direcional Condomínios.

- Programando a modernização

“É possível fazer uma modernização em etapas. Normalmente iniciamos pelos principais itens de segurança e de performance de funcionamento e de economia de energia e, em seguida, fazemos a modernização estética. Esta última muitas vezes é feita antes, mas não a recomendamos, pois pode criar uma ilusão que o elevador está seguro e atualizado, quando, na verdade não está. E o dinheiro que foi gasto neste embelezamento poderá fazer falta no momento da necessidade de trocas de componentes e sistemas antigos, que com o tempo tornam o custo da manutenção mais alto. Já a troca total dos elevadores é recomendada somente em casos extremos. Além de perdermos diversos materiais - instalados há um bom tempo e de boa qualidade, como guias e estruturas metálicas dos elevadores existentes -, ainda existe o inconveniente de obras civis no condomínio e o tempo gasto com esta troca.”

- Elevadores modernizados podem “demorar nas partidas”?

“Existem algumas causas para este tipo de sentimento [Síndicos recebem queixas de moradores, de que os elevadores modernizados ‘demoram mais’]. Normalmente isto acontece por falta de conhecimento ou de atenção no momento do ajuste final do funcionamento do elevador. Não podemos reduzir a velocidade de funcionamento de um elevador e nem sempre é possível aumentá-la. Mas existem dois pontos que têm que ser muito bem entendidos e executados: O primeiro é o ajuste da curva de aceleração, que o sistema eletrônico que controla o elevador precisa ter para alcançar de forma confortável, mas rápida, a velocidade nominal. O segundo ponto é o ajuste da curva de desaceleração, onde este sistema deve desacelerar o elevador até o ponto exato de parada no andar, de forma confortável e rápida. Costumo dizer que o elevador tem que dar um pouquinho de ‘frio na barriga’ ao usuário, para que ele perceba que o elevador está mais rápido.”

(...) É POSSÍVEL UMA MODERNIZAÇÃO EM ETAPAS”

- Portas de pavimento originais podem provocar paradas?

“Devido a uma série de riscos e acidentes com usuários, na década de 90 foi estabelecida a proibição no Brasil da fabricação ou comercialização de elevadores com portas manuais ou batentes. Esta proibição foi um passo importantíssimo para a segurança dos usuários e para a melhora dos sistemas de elevadores, que se tornaram muito mais seguros e práticos. Mas ainda existem vários elevadores com essas portas batentes, que além de perigosas e desconfortáveis, têm o inconveniente de possuírem sistemas de amortecedores a óleo, que requerem ajustes constantes para garantir o fechamento. Este é um dos maiores índices de falhas em um elevador com este tipo de construção. Atualmente, o mercado oferece uma solução moderna e prática, que consiste em transformar a porta batente instalada nos andares em porta automática. A troca não dura mais do que três horas por porta. É totalmente limpo, pois não exige obra civil e ainda valoriza muito o imóvel.”

- Quando fazer nova modernização?

“O ideal é que a modernização dos sistemas de comando e controle dos elevadores ocorram sempre que haja algum tipo de tecnologia mais moderna. Desta forma o usuário terá sempre um equipamento mais seguro, confortável e econômico e que irá reduzir muito as paralisações. É como os celulares. Você vê alguém por aí usando um modelo antigo com anteninha, que abre e fecha? Atualmente recomendamos que os elevadores já sejam modernizados para trabalharem em sistemas de acionamento com frequência variável e que sejam regenerativos. Com esta atualização, os equipamentos podem chegar a uma economia de até 70% no consumo de energia, quando comparados aos sistemas eletromecânicos antigos e que já não possuem tantas peças e facilidades para a manutenção.”

Fotos Rosali Figueiredo

À esq, protótipo de elevador com comando eletromecânico, ainda bastante comum nos prédios construídos até o final dos anos 80. À dir., protótipo do sistema com casa de máquinas modernizada


Matéria publicada na edição - 238 - setembro/2018 da Revista Direcional Condomínios

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