Entrevista / Seciesp: Novas gerações tecnológicas impulsionam modernização dos elevadores

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O presidente do Seciesp (Sindicato das Empresas de Elevadores do Estado de São Paulo), Marcelo Braga, e o diretor Fábio Aranha explicam os principais aspectos que envolvem a modernização dos elevadores, em entrevista à Direcional Condomínios.

Marcelo Braga

Marcelo Braga, presidente do Seciesp

Ambos destacam cuidados a serem tomados pelos gestores na contratação dos serviços, como evitar o bloqueio das máquinas através de senhas que impeçam a manutenção futura por outra empresa que não aquela que tenha realizado o trabalho; além de garantirem a instalação de protetores contra surtos. Ambos fazem parte da Associação de Elevadores do Mercosul, sendo Fábio Aranha o presidente.

Razões da modernização

A modernização deve ser feita quando há paralisações sucessivas e gastos elevados na troca de peças e componentes. No entanto, a modernização pode ocorrer em etapas, conforme a disponibilidade financeira do condomínio e atendendo-se a um critério técnico que não prejudique o todo. Mas é preciso cuidado para que a empresa que vier a instalar os equipamentos não os bloqueie com uma senha que impeça a manutenção por outro prestador de serviços. O síndico deve evitar empresas cujos equipamentos são exclusivos e optar por elevadores que possam ser conservados por qualquer empresa especializada. E caso o gestor perceba que há senha de bloqueio, ele poderá exigir a sua retirada, conforme sustentam decisões judiciais já tomadas favoravelmente aos condomínios. Por fim, a montadora do equipamento deverá fornecer o manual completo de manutenção e não apenas o de utilização do elevador.

Fabio-Aranha

O diretor do Seciesp e presidente da Associação de Elevadores do Mercosul, Fábio Aranha/h3>

Avanço tecnológico & benefícios

Assim como em outros setores, a tecnologia em elevadores vem evoluindo rapidamente. E as inovações trazem mais benefícios, viabilizando que a modernização ocorra com mais frequência. De forma resumida, podemos dizer que na primeira geração de elevadores, havia comandos eletromecânicos, ou seja, com relés. Já na década de 90, se popularizou a modernização com a sua substituição por comandos eletrônicos micro processados. Ainda que muitos elevadores de hoje ainda sejam desta fase eletromecânica, outros já se modernizaram no que seria uma terceira geração. Esta, além de comandos micro processados, agrega o controle de motores com inversores de frequência, que, entre outras vantagens, faz viagens mais suaves, nivela a cabina precisamente sem formação de degraus e economiza cerca de 40% de energia elétrica. Com estes novos e importantes benefícios, aliado a sinalizações mais modernas com indicares em LCD, anunciadores de voz e uma estética mais moderna, são cada vez mais comuns novas atualizações de elevadores. Mesmo porque, muitas vezes é mais vantajoso modernizar do que ter o alto custo com substituição de peças cada vez mais raras e caras.

Partidas mais suaves

Na maior parte dos casos, a modernização não altera a velocidade nominal do elevador. Quando modernizados com comandos eletrônicos com inversores de frequência, os elevadores ficam com partida mais suave e parada sem trancos. Isto proporciona um desgaste bem menor das partes mecânicas (freio, engrenagens etc.) e, principalmente, oferece mais segurança, pois nivela com maior precisão e evita a formação de degraus, que tanto provocam quedas e ferimentos, especialmente em idosos. Se o elevador modernizado estiver com as curvas de partida e parada bem ajustadas, a viagem não deverá demorar mais.

Proteção anti-surto

Na maioria das cidades brasileiras a rede elétrica é antiga e aérea, logo, mais suscetível a interrupções e oscilações. Além disso, o Brasil é o país com maior incidência de raios. Portanto, proteções elétricas são sempre bem-vindas para os elevadores. Contudo, assim como acontece em um carro que, mesmo com para-choque, freio ABS, AIRBAG etc., dependendo da colisão, não resiste ao choque, mediante casos de forte instabilidade na rede, não haverá proteção que os garantirá plenamente.

Troca de portas

As portas de abertura simultâneas (ou seja, abrem junto e automaticamente a porta da cabina e do pavimento) são mais seguras que as de eixo vertical. Elas também melhoram o tráfego, pois o tempo de abertura, fechamento, embarque e desembarque é mais rápido. Por ser mais segura, este tipo de porta é obrigatório para os elevadores fabricados a partir do ano 2000 (conforme nova norma técnica). Porém, não é obrigatória a sua substituição nos elevadores construídos antes desta data, mas, havendo espaço na caixa de corrida do elevador e sendo viável a obra, com certeza a mudança irá agregar valor e segurança às edificações.

O INCIDENTE MAIS GRAVE – Um incêndio atingiu a caixa de comando do elevador do Condomínio Calixto Esperidião (Foto acima), localizado próximo da Praça Princesa Isabel, no Centro de São Paulo, no final de maio passado. Desde então, os moradores dos 18 apartamentos, distribuídos em seis andares, estão “a pé”. Por sorte, a casa de máquinas fica bem isolada, no topo do prédio construído em princípios dos anos 70. Vanilda Carvalho (Foto acima), síndica profissional que assumiu a gestão do condomínio em outubro de 2016, tem adotado medidas de segurança para a edificação, como a instalação de extintores, antes inexistentes. Consertou ainda rachaduras nas caixas d’água e recuperou bombas de recalque. Mas não houve tempo nem dinheiro para mexer antes no elevador. A modernização está prevista para setembro, pois, segundo Vanilda, as peças estão sendo fabricadas, já que a cabina e as portas do pavimento não serão alteradas, por limitação orçamentária. O incêndio foi provocado por uma oscilação na rede elétrica e os danos ressarcidos em boa parte pela seguradora.


Matéria publicada na edição - 237 - agosto/2018 da Revista Direcional Condomínios

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