O síndico e a sua equipe: O perigo da “zona de conforto”

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Psicóloga que faz atendimento clínico e, ao mesmo tempo, acumula 20 anos de experiência na administração de condomínios, a síndica profissional Jailma A. Brito coordena o contrato de trabalho de cerca de 100 funcionários terceirizados, além de uma equipe orgânica com gerente predial, supervisor de manutenção e assistente administrativo.

Jailma A. Brito

O bom relacionamento é um fator predominante para manter a equipe motivada

Ela atua junto a um empreendimento misto, na região do Morumbi, zona Sul de São Paulo, que inclui uma torre comercial (com 494 conjuntos), um condomínio- -clube com 400 unidades e um mall com 62 lojas. Em entrevista concedida à Direcional Condomínios, Jailma fala de questões centrais à organização do trabalho à cargo dos síndicos.

Equipe mista: terceirizados & próprios

Essa ferramenta é de extrema importância para os condomínios maiores, que possuem uma grande demanda de ordem operacional, mas necessitam de uma equipe própria para evitar riscos com a rotatividade dos colaboradores. O condomínio deve sempre ser supervisionado e acompanhado por equipe própria.

Organização básica do trabalho

A estrutura da equipe dependerá do tamanho de cada empreendimento. Um condomínio de pequeno porte deverá ter no mínimo um zelador próprio. Já um condomínio-clube necessita, no mínimo, do gerente predial, supervisor de manutenção, assistente administrativo e auxiliar de expedição. É fundamental ao síndico realizar um mapeamento funcional de cada colaborador de acordo com a demanda do empreendimento.

Feedbacks

É importante avaliar o trabalho e organizar feedbacks mesmo em uma equipe pequena, o que ajuda na organização da parte operacional, bem como no bom atendimento aos condôminos.

Motivação & gratificações

A motivação não ocorre somente através de recompensas materiais. O bom relacionamento entre os colaboradores e sua liderança é um fator predominante para manter a equipe motivada. Um ambiente saudável com pessoas que proporcionem um clima agradável se torna um diferencial e atua como um motivador para o desempenho individual do colaborador e, portanto, o sucesso da equipe.

Relação de confiança

Ela é construída ao se tratar a equipe com total respeito e ao se reconhecer a importância de cada um dentro desse quadro. O líder deve evidenciar que dá o melhor de si no local de trabalho e, assim, despertar em sua equipe o mesmo anseio de comprometimento. Para isso, deve estabelecer com seu grupo afinidade, credibilidade e confiança.

Das mudanças

O gestor deve estar sempre atento ao desempenho de sua equipe, porém, respeitando a potencialidade e deficiências de cada colaborador. Ele não deve perder um bom funcionário ao lhe dar promoção a um cargo para o qual este não possui perfil adequado ou competência técnica. Já o desligamento é sempre traumático, porém necessário quando se observam resultados não satisfatórios do colaborador para o sucesso da gestão. De qualquer forma, o diálogo deve ocorrer diariamente entre líderes e liderados, sem ultrapassar a linha da intimidade, sem misturar a relação profissional com a interpessoal. Por fim, chamo atenção para o perigo da zona de conforto, do comportamento mecânico. Líder e liderados devem estar sempre atentos às mudanças do mercado e aos comportamentos, e, principalmente, pensar fora da caixa e inovar sempre.


Matéria publicada na edição - 237 - agosto/2018 da Revista Direcional Condomínios

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