Erros e retrabalho na manutenção da fachada nas edificações

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A manutenção periódica e baseada em normas da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) assegura o bom desempenho das fachadas dos prédios, protege seus sistemas construtivos e o patrimônio dos condôminos.

Do contrário, serviços mal executados geram retrabalho, como o enfrentado no momento pelo Condomínio Top Village, em Alphaville, Região Metropolitana de São Paulo. De acordo com a síndica Kelly Remonti, as três torres do empreendimento estão sendo revitalizadas em um escopo mais amplo do que o normal, porque a obra anterior, realizada em 2010, acentuou o desgaste da fachada (com acabamento original em textura jateada).

Na época, a empresa contratada cobriu os frisos horizontais que exerciam a função de pingadeiras embaixo das soleiras das sacadas. Com isso, a água começou a infiltrar pelos tetos das varandas, danificando boa parte deles, que precisarão ser recuperados. Kelly conta que fazia parte do conselho durante esta obra (ela assumiu a sindicância em 2011) e que o corpo diretivo não percebera a irregularidade no serviço. Além disso, o contrato não previa a vedação das esquadrias das janelas.

Atualmente, os novos trabalhos são supervisionados por um engenheiro civil morador do condomínio e têm término previsto para setembro próximo, a um custo de R$ 320 mil. “É uma obra que temos que acompanhar no detalhe, pois prevê tratamento de armaduras, aplicação de camadas de argamassa e selante, reforma das varandas, vedação das janelas e aplicação da textura na cor mais próxima possível da original”, enumera Kelly.

Também o longo decurso de tempo sem manutenção se torna inimigo da fachada, como mostra o exemplo do Condomínio Royal, prédio residencial localizado no bairro de Santa Cecília, área central de São Paulo. Havia 15 anos que o edifício não era pintado, e ainda sofria os efeitos de um serviço anterior mal executado. “Já na vistoria inicial realizada pela nossa empresa para elaboração do escopo de serviços necessários, constatamos que grande parte da tinta aplicada na última pintura estava se desprendendo do substrato, ou seja, descascando. Houve erro na preparação do substrato antes da pintura anterior”, relata o responsável pela empresa que realizou a nova obra. “A principal falha na época foi a não aplicação de fundos preparadores que garantiriam a aderência da tinta ao substrato. Este descascamento da tinta obviamente permitiu que a alvenaria das fachadas ficasse úmida, acelerando o processo de degradação, a ponto de gerar locais com argamassas soltas e pontos com a estrutura danificada aparente, locais estes que foram devidamente tratados. Também foram identificados alguns pontos no interior dos apartamentos com presença de umidade. O que muitos não sabem é que a não utilização destes materiais de preparação, ou a utilização de produtos de qualidade inferior, representa menos de 10% do valor da obra. Ou seja, uma economia que não compensa”, alerta o empresário.

Erros na pintura na fachadas

Erros na pintura anterior danificaram a fachada do Edifício Royal (foto à esq.), recentemente revitalizado (foto abaixo)


Matéria publicada na edição - 236 - julho/2018 da Revista Direcional Condomínios

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