Contratações de terceiros com foco nos processos e eficiência dos serviços

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O segmento da terceirização tem procurado colocar novos parâmetros para a contratação de seus serviços pelos condomínios, que contemplem benefícios que estejam além do menor custo em relação àquele gerado pela mão de obra direta.

Síndica Cláudia Mercadante

Síndica Claudia Mercadante: Com a terceirizada, implantou controle de acesso, antes inexistente

Estão entrando em cena quesitos como processos e eficiência, com apoio da tecnologia, especialmente o uso de softwares e aplicativos que operam com a internet.

A síndica Claudia Mercadante iniciou a experiência com a terceirização da portaria, controle de acesso, segurança, manutenção e limpeza do Condomínio Residencial Jardim dos Ipês, em Guaianazes, zona Leste de São Paulo, há cerca de três anos. “Quando assumi a função em 2015, tínhamos 15 funcionários orgânicos, mas que sequer faziam o controle de acesso.” A portaria era simples, a entrada de pedestres e veículos não passava por triagem nem tinha registros. A síndica, moradora do residencial de 30 prédios de quatro andares e 600 apartamentos, convivia com uma realidade de ineficiência do trabalho, excesso de mato nas áreas verdes, entre outros graves problemas.

Por isso, dispensou a equipe, parte hoje reaproveitada pela terceirizada, e decidiu mudar os processos no condomínio. A primeira empresa ficou somente um mês; não convenceu no padrão de atendimento dado à administração e aos condôminos. Seu custo era um pouco menor que o da empresa que agora atua no local. Segundo o diretor desta prestadora, José Eduardo de Sousa, todo o trabalho operacional e administrativo do Residencial dos Ipês foi reorganizado em novos parâmetros, mais profissionais, tanto em termos de acesso, segurança interna quanto limpeza e até jardinagem.

Para isso, a síndica implantou uma nova estrutura de portaria e interfones em todas as unidades. Instalou equipamentos de segurança, como concertina nos perímetros e câmeras. Cadastrou os veículos, disciplinou o uso de vagas de garagem e adotou novos procedimentos para moradores, visitantes e prestadores de serviços. Atualmente, a terceirizada responde por 20 postos de trabalho, sendo que o mais recente é um funcionário da ronda diurna, aprovada em março passado pelo condomínio.

José Eduardo de Sousa observa que um dos desafios da empresa foi administrar o impacto que a mudança de procedimentos gerou entre os próprios moradores. “Há uma resistência natural na transição da figura do antigo porteiro para um sistema de controle de acesso”, diz. Ao que a síndica Claudia arremata: “Eles trouxeram a experiência da profissionalização, nós absorvemos e demos suporte à empresa”. Em outras palavras, a síndica e sua equipe serviram de anteparo à reclamação dos condôminos. Mas ela não se importa: A experiência mudou radicalmente o cenário do condomínio, que não mais registrou ocorrência de roubos, afirma.

VALORIZAÇÃO DO PROFISSIONALISMO

Síndico Adriano Santos

O síndico Adriano Santos defende que haja um gestor externo à terceirizada

Entretanto, na hora de se decidir ou não pela terceirização dos serviços no condomínio, os síndicos e moradores ainda fazem uma conta linear para entender qual o modelo de contratação de mão de obra resultará num custo menor ao final do mês. Muitos não focam no profissionalismo que esse tipo de gestão poderá imprimir ao local. A postura precisa mudar, defende a advogada Joelma de Matos Dantas, da área jurídica do Sindeprestem (Sindicato das Empresas de Prestação de Serviços a Terceiros, Colocação e Administração de Mão de Obra e de Trabalho Temporário no Estado de São Paulo). Em um mercado altamente competitivo, devem ganhar terreno hoje atributos como agilidade, eficiência, excelência, tranquilidade para o síndico, transparência, confiança e qualidade.

Para o administrador e síndico profissional Adriano Santos, a terceirização entra como uma estratégia de gestão de pessoas no condomínio, que deverá ter uma configuração própria em cada caso. Nos empreendimentos que administra atualmente, Adriano dispõe, principalmente, de um modelo misto, que terceiriza boa parte das funções, mas deixa algumas próprias (caso de um gerente predial, um zelador e uma recepcionista, por exemplo). “O ideal é que sempre haja um gestor (CLT ou autônomo) que não faça parte dos quadros da terceirizada”, recomenda.

Ele justifica: “Como um funcionário da própria empresa poderá cobrá-la?” A esse gestor, completa Adriano, compete conhecer o escopo correto do contrato; acompanhar o cronograma e os procedimentos de execução; passar orientações para que a empresa forneça os treinamentos ou reciclagens necessárias; e cobrar qualidade. “A gestão do contrato de terceirização precisa ser diária”, reforça o síndico.


Matéria publicada na edição - 234 - maio/2018 da Revista Direcional Condomínios

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