Fitness: hora da profissionalização

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Os cuidados para se manter o salão de fitness preservado e adequado às atividades de seus frequentadores dependem, em grande parte, da concepção desses espaços. É algo que requer fim aos improvisos.

Se um empreendimento já nasce contemplado com a área de fitness e seus respectivos equipamentos, seguir as recomendações de manutenção preventiva dos fornecedores, é o melhor caminho para os síndicos. Já adaptação posterior de um espaço para esse tipo de prática requer projeto específico, além de pesquisa sobre equipamentos e instalações mais adequadas.

Em ambos os caos, porém, é importante criar um regulamento de uso e, entre as regras, prever os procedimentos de manutenção rotineira. “É preciso profissionalização, detalhar as obrigações de cada um”, justifica o síndico Carlos Gonçalves, especializado em administração condominial.

Uma esteira eletrônica, exemplifica, tem prazo para ser aferida. Se ela não estiver calibrada, poderá provocar enfarte em alguém que ali se exercita sob determinada recomendação médica quanto à quilometragem. Ele sugere que a utilização do salão de fitness tenha acompanhamento constante. “O síndico, profissional ou não, não está o tempo todo no prédio. Mas ele tem responsabilidades e é cobrado por isso. E se uma criança vai até o salão e um peso cai em seu pé; ou um adolescente fica preso no equipamento?”, questiona Gonçalves.

Além disso, acrescenta, também a manutenção e os consertos de equipamentos precisam ser acompanhados por um gestor (zelador, por exemplo) e devem ser feitos por empresa especializada, que forneça garantia e termo de responsabilidade. O síndico defende que o morador, ao ir para o fitness, encontre o espaço aberto, com luz acesa, ventilador ligado e equipamento pronto para uso. “Há softwares de administração que dão condições para esses agendamentos e o recurso facilita as ações de manutenção”, afirma.

O engenheiro e consultor Rodrigo de Oliveira Vieira ratifica que o ponto chave é o controle do acesso dos usuários. Caso contrário, se uma pessoa quebrar um equipamento, ninguém ficará sabendo da autoria do estrago, argumenta. A manutenção preventiva do espaço, acrescenta, inclui a parte elétrica e o piso, geralmente diferenciado (em epóxi ou vinílicos). “É muito importante seguir as instruções do fabricante do piso na hora de fazer a manutenção; ou as informações básicas do manual do síndico, que muitas vezes as pessoas não leem”, lamenta.

O consultor Carlos Alberto dos Santos, especializado em desenvolver manuais de manutenção para condomínios residenciais, acrescenta que uma academia requer projeto específico da parte elétrica, com disjuntores exclusivos. “Cada tipo de esteira pode precisar de um disjuntor com amperes diferentes”, alerta o especialista, ao observar que há muitos outros detalhes a serem avaliados.

Ele exemplifica que no seu condomínio, onde já atuou como conselheiro, uma empresa especializada chegou a ser contratada de forma pontual para fazer manutenção geral e reparos dos equipamentos (esteiras, bicicletas e aparelhagem), inclusive da parte elétrica do espaço. Na época, a academia estava há um longo período sem manutenção. Mas, segundo Carlos Santos, depois o condomínio considerou mais vantajoso contratar a manutenção preventiva mensal, que “verifica as condições de todos os aparelhos, faz as lubrificações necessárias e deixa a área de fitness em boas condições para o uso”, conclui.

Matéria publicada na edição - 184 de out/2013 da Revista Direcional Condomínios