“Esquecidos”, cobertura e ático do condomínio exigem manutenção

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Profissionais que realizam inspeções nas edificações apontam que o topo dos prédios tem sido um dos setores mais negligenciados na manutenção dos condomínios. E ali se encontram sistemas importantes, como a casa de máquinas dos elevadores, reservatórios d’água, barriletes, SPDA e a proteção da laje de cobertura.

O síndico Gerson Fernandes de Godoy se apoia no laudo de inspeção predial para recuperar a cobertura e ático do prédio

O síndico Gerson Fernandes de Godoy voltou depois de 22 anos à gestão do Condomínio Edifício Fontana Di Trevi, encontrando um quadro desolador de falta de manutenção, além de problemas nas contas e com inadimplência. Ele havia sido gestor logo no início, “quando o prédio inaugurou” há quase três décadas na Vila Matilde, zona Leste de São Paulo, mas acabou se afastando por longo período. Na retomada em 2015 como subsíndico e, posteriormente, síndico, encarou o desafio de iniciar o processo de recuperação, partindo de um laudo de inspeção predial geral.

Somente no topo do edifício, foram identificados diversos problemas, como uma piscina e deck de madeira abandonados; infiltrações nas muretas e também na torre dos reservatórios d’água, barrilete e casa de máquinas dos elevadores; guarda-corpo enferrujado; irregularidade do para-raios; acúmulo de entulho; e necessidade de impermeabilização da laje e de recuperação de banheiros e salão. Autor do laudo, o engenheiro civil Marcus Vinícius Fernandes Grossi aponta que a situação atual da cobertura e do ático do Fontana Di Trevi provoca infiltração nas unidades e riscos, entre outros, de desplacamento do revestimento da fachada, “devido à umidade e trincas”. “Todos são de responsabilidade do síndico”, reforça o engenheiro.

De acordo com Gerson Fernandes, a recuperação do edifício, que inclui ainda a fachada e AVCB (Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros), custará pelo menos R$ 400 mil, parte deles custeados por um rateio extra. O objetivo do gestor é concluir todos os serviços em até dois anos, “para valorizar o prédio, pois o bairro inteiro está sendo revigorado”. “Não queremos ser o patinho feio da região”, destaca Gerson, que pretende implantar uma nova área de lazer na cobertura com instalação de churrasqueira e reforma de banheiros, salão e piscina. Recentemente, um grupo de moradoras passou a utilizar o salão para confeccionar peças de artesanato, o que antes era impossível por causa do acúmulo de sujeira, ressalta.

DESCOLAMENTO DE ARGAMASSA

Para o consultor em gestão de riscos Carlos Alberto dos Santos, o topo dos prédios tem sido das áreas mais negligenciadas na manutenção preventiva dos condomínios. É comum encontrar entulho, ralos entupidos, perfurações das lajes, infiltrações, guarda-corpos precários e até vegetação nas coberturas. O engenheiro Ayrton de Barros, que costuma realizar vistorias, observa, por sua vez, que nem mesmo os edifícios novos estão livres de problemas, especialmente nas coberturas entregues com falhas de caimento em direção aos ralos e proteção mecânica precária sobre a manta de impermeabilização. Outra anomalia em prédios mais novos está no desprendimento da argamassa que reveste a mureta de proteção da laje superior. Por exemplo, no Edifício Sonatta, a síndica Karin Cerveira acabou interditando, por cerca de três meses, a área comum da frente do edifício, para evitar riscos aos moradores pela queda de placas do reboco do guarda-corpo, até que o condomínio fizesse o conserto. O engenheiro civil Claudio Eduardo Alves da Silva realizou o laudo do prédio e constatou, na parte superior da edificação:

- Falta de rufos na mureta ou algum outro tipo de proteção, que evitariam infiltrações na argamassa e consequente descolamento; e,

- Deficiência da camada de proteção da manta na laje da cobertura. “A argamassa se encontrava ‘pulverulenta’, desmanchando em pó e causando entupimento dos ralos.”

Segundo o engenheiro, as construtoras deveriam assegurar a instalação de rufos ou outro sistema de proteção nas muretas e/ou guarda- -corpos em alvenaria, ao passo que compete aos condomínios providenciar a manutenção periódica dessas instalações.

Matéria publicada na edição - 226 de agosto/2017 da Revista Direcional Condomínios

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