O que exigir das empresas e profissionais da portaria terceirizada

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9 de junho, dia do porteiro - parabéns a todos os profissionais!

O síndico profissional Nilton Savieto atua com gestão de condomínios em São Paulo há 21 anos e, nesse período, observou profundas mudanças no perfil das portarias dos edifícios.

Além dos avanços físicos e tecnológicos, houve grandes transformações nos procedimentos e no modelo de contratação da mão de obra. Atualmente, Savieto faz a gestão de dez condomínios, seis deles comerciais e dois residenciais com funcionários terceirizados. O síndico observa que o ponto mais importante do trabalho de uma portaria está no atendimento aos procedimentos de acesso, que devem ser atualizados e reforçados sempre através de treinamento, lembrando-se que, em geral, “a segurança não anda junto com o conforto”.

Quando o serviço é terceirizado, “exigimos que o profissional tenha conhecimento anterior, hábito de seguir procedimentos, muito tato ao se comunicar com os moradores e saiba tratar os prestadores de serviços”, descreve. O gestor afirma que solicita ainda à empresa um plano periódico de treinamento do profissional. E para evitar desgastes com a rotatividade da equipe, que representa uma das principais queixas que os síndicos fazem em relação à terceirização, Savieto revela que exige “em contrato a fixação do profissional no posto”.

Segundo ele, as portarias dos condomínios se tornaram, em geral, “mais protegidas com a blindagem, informação de abertura de portas, formas modernas de comunicação, eclusas tanto para pedestres e carros, e gravação externa”. De outro lado, porém, isso obrigou a uma mudança do profissional da área, tanto o orgânico quanto o terceirizado. “As funções do porteiro claramente mudaram por causa dessas transformações, pois é exigido dele mais atenção, treinamento, procedimentos e comunicação eficiente.”

Em condomínios de alto padrão, as exigências são ainda maiores, especialmente quando a figura do porteiro dá lugar à do segurança ou vigilante, profissional que precisa ter formação específica e registro junto aos órgãos policiais. “Este deve conhecer princípios de segurança, estar em dia com o treinamento de proteção pessoal, se comunicar muito bem e atuar em conjunto com outros profissionais que estão auxiliando no quadro como um todo”, explica.

ESCALA, UMA DIFICULDADE

Na comparação entre funcionários próprios (orgânicos) e terceirizados para a portaria, Nilton diz que há uma desvantagem desses em relação aos primeiros mediante à jornada e rotatividade. “Na terceirização a troca de profissionais é maior e normalmente eles atuam em uma escala de 12x36 (trabalham 12h e folgam 36h). O problema é que usam a folga para trabalhar em outro local, levando-os a um ‘estresse’ muito grande.” Já o funcionário orgânico costuma cumprir escala de 5x1 (cinco dias trabalhados e uma folga), com isso, “trabalham mais descansados”. E têm, “normalmente, um piso salarial maior”.

O empresário do setor, Luiz Lopes Schimitd, explica que também os prestadores se sentem prejudicados pela escala 12x36, mas que a jornada cumpre o disposto nas convenções coletivas da categoria [De acordo com a Súmula 444, do TST, esta “jornada diferenciada será válida exclusivamente por acordo coletivo, sendo que o empregado não fará jus a adicional de hora extra pelo trabalho das 11ª e 12ª horas”]. “Com essa escala, as empresas não conseguem, dentro do custo do projeto, melhorar o salário dos funcionários”, afirma Luiz Schimitd.

De qualquer maneira, o empresário defende que uma das principais vantagens da portaria terceirizada para os condomínios está no treinamento dos profissionais pelas prestadoras. Ele justifica: “O síndico e o corpo diretivo não têm hoje o conhecimento necessário para preparar seu funcionário diante da criminalidade. Esse papel cabe às empresas, que adaptam e orientam o porteiro ou vigilante de forma que consigam minimizar os riscos aos condomínios”.

Além disso, “a rotina desse profissional não é tão simples quanto a gente imagina: Ele precisa lidar simultaneamente com telefone, visitas, prestadores de serviços, anotações em livros de registros e ocorrências, chamadas de interfones, imagens das câmeras e recepção às encomendas”. Tudo isso é organizado pelas empresas, que estabelecem um “cronograma de trabalho ao porteiro”. Por isso, Luiz Schimitd afirma que o candidato a atuar no setor deve apresentar agilidade, formação escolar básica de 2º grau, conhecimento mínimo de informática e, conforme a demanda que chega de alguns condomínios, até porte físico.

Matéria publicada na edição - 224 de junho/2017 da Revista Direcional Condomínios

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