Sustentabilidade ao alcance dos condomínios (05/06 – Dia Mundial do Meio Ambiente)

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Gestores avançam em medidas que ajudam a preservar o ecossistema. Algumas ações podem ser simples, como o uso de materiais ecologicamente corretos. Outras exigem a implantação de programas de gestão, caso do lixo. Mas a sustentabilidade inclui ainda trabalhar em prol das relações de vizinhança.

O Condomínio Collina Parque dos Príncipes, um empreendimento com seis torres, 448 unidades e área verde do tamanho de um parque, localizado na zona Oeste de São Paulo, tem sido personagem frequente nas pautas de sustentabilidade da revista Direcional Condomínios. A cada ano, a síndica Maria Estela Bicudo introduz uma novidade. A mais recente foi a assinatura de um termo de cooperação com a Prefeitura de São Paulo, para cuidar de uma área verde pública, de 3 mil m2, consolidando um trabalho de manutenção que o condomínio já fazia no local.

O cuidado com a vegetação representa uma das principais frentes de trabalho do condomínio, que possui 51 mil m2 de área, sendo 8 mil de preservação permanente. Outra é a gestão do lixo, que possui um programa de separação de recicláveis, espaço próprio de armazenamento (construído em 2016) e contrato com empresa particular de coleta, sem custo para os moradores. Para cada retirada (são duas semanais), o prestador emite um recibo contendo o volume extraído. Também o óleo utilizado nas cozinhas tem coleta frequente, realizada por outra empresa especializada, que emite um certificado dando conta “da manufatura reversa” (com destinação correta ao reaproveitamento).

Demais iniciativas com enfoque ambiental estão no radar da síndica, como a instalação de placas para captação de energia solar em uma área de estacionamento aberto (o sistema já existe no setor da piscina e academia), e completar a troca de lâmpadas fluorescentes pelas de LED em todos os pavimentos das torres. Nas demais áreas comuns, 1.100 unidades foram substituídas, assim como em todos os elevadores. As lâmpadas antigas sem possibilidade de uso foram encaminhadas a coletores disponibilizados por redes de varejo na cidade, conta Maria Estela. As que poderiam ser reaproveitadas, acabaram destinadas a unidades da polícia na região, que tinham salas no escuro.

De acordo com a engenheira ambiental Nathália Vegi Bohner, que acompanhou a visita da Direcional ao Collina, o condomínio apresenta grande potencial para avançar em seus projetos ambientais. Por exemplo, a captação e aproveitamento da água da chuva, a instalação de sistemas de energia fotovoltaica e compostagem orgânica de parte do “lixo” das cozinhas dos moradores. Mesmo em relação à coleta seletiva, que está bem organizada, Nathália propõe dar um passo além na separação dos materiais. “É preciso que os condôminos façam com consciência, sabendo o que e como separar para evitar contaminações, insetos, riscos aos funcionários da reciclagem, e pensando em toda cadeia de reciclagem e nova manufatura desses materiais.”

CONSCIENTIZAÇÃO

O síndico profissional Cristovão Luís Lopes, gestor em oito condomínios, considera essencial o apoio dos moradores para o sucesso das medidas de sustentabilidade. Nos residenciais com pré-disposição dos condôminos para um uso mais racional ao consumo d’água, por exemplo, a economia se torna fato consumado. É o caso de um dos empreendimentos que administra, com 110 unidades. Ali, através da implantação de sistemas de reuso e fontes alternativas, o valor monetário da conta mensal da água caiu 60%, apesar dos reajustes tarifários. Em outro condomínio, no entanto, moradores reclamaram da presença de cisternas de água da chuva por questões estéticas, compara. “O condomínio como um todo precisa ter consciência para que o síndico obtenha respaldo em suas ações.”

Matéria publicada na edição - 224 de junho/2017 da Revista Direcional Condomínios

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