Portaria, “principal ponto de vulnerabilidade de um prédio”

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Consultor da área de segurança, autor de livros voltados aos gestores dos condomínios e oficial da reserva da Polícia Militar de São Paulo, José Elias de Godoy apresenta a seguir uma análise do perfil das portarias na atualidade, bem como das funções dos profissionais que atuam no setor.

Ao final, deixa dicas aos síndicos e demais gestores prediais na hora de contratar empresas de terceirização para o setor. Por exemplo, estar atentos a “detalhes importantes”, como “qualidade do serviço, eficiência na substituição dos faltosos, baixa ou alta rotatividade de funcionários”. “Não é conveniente escolher uma empresa apenas pelo preço baixo, pois isso pode ocorrer por ela pagar baixos salários, além de não oferecer benefícios aos seus colaboradores, o que ocasiona muita rotatividade entre os funcionários.”

Direcional Condomínios – Uma decisão recente do Tribunal de Justiça do Ceará determina que empresa de terceirização pague por roubo em unidade do condomínio. O juiz entendeu que houve negligência das funções do profissional da portaria, possibilitando a entrada dos ladrões no prédio e no apartamento em questão. Como síndico e especialista em segurança, de que maneira o Sr. vê essa questão?

José Elias de Godoy –  Não vi a decisão judicial na íntegra, porém, acaba sendo uma tendência começar a responsabilizar a empresa de terceirização, principalmente quando o contrato define certas responsabilidades à prestadora. Por outro lado, deve-se analisar também se o condomínio oferece condições básicas de segurança em suas instalações, a fim de que possa cobrar somente por erro de procedimento de colaboradores terceirizados. Acaba sendo uma faca de dois gumes, que pode se voltar também para o condomínio.

Direcional Condomínios – Quais foram as mudanças principais ocorridas nos últimos anos na (A) Portaria; e nas (B) Funções do porteiro? Essa é hoje uma profissão especializada?

José Elias de Godoy –  A) As portarias são o principal ponto de vulnerabilidade de um prédio e, portanto, estão sendo adaptadas para ser um mini bunker, com blindagem completa, sistema de clausura, comunicação digital, sistemas de CFTV e de controle de acesso de alta tecnologia;
B) Já o porteiro está assumindo a função de um verdadeiro controlador de acesso, onde se exige maior qualificação e preparo técnico. Além disso, ele precisa saber lidar com o público interno e externo para uma boa qualidade de atendimento, assim como um ótimo relacionamento humano. O porteiro, hoje, pode ser considerada uma profissão especializada, dadas as exigências para execução de seu trabalho, as cobranças, o envolvimento com demais pessoas e a utilização de vários recursos tecnológicos.

Direcional Condomínios –  Quais os principais atributos de um candidato a porteiro ou controlador de acesso?

José Elias de Godoy –  Ter, no mínimo, o primeiro grau completo; conhecimento básico em informática; saber se comunicar com desenvoltura; ter postura e atitude voltadas à atenção; e saber relacionar-se com cortesia e educação.

Direcional Condomínios – Há condomínios em que não existe mais a figura do porteiro, mas sim, a do segurança, qual a principal mudança de perfil, registros e qualificações entre ambas funções?

José Elias de Godoy –  Muitos condomínios estão contratando vigilantes pois buscam uma pessoa com formação e qualificação mais específica em segurança, dada a carga horária que recebem em um curso obrigatório, de 200 horas/aula. Esses condomínios procuram ainda uma pessoa com uma postura mais voltada à proteção pessoal e patrimonial. No entanto, cabe lembrar que as atitudes sempre são voltadas à prevenção, evitando-se atos repressivos.

Direcional Condomínios –  Portaria com funcionário orgânico versus Portaria com funcionário próprio: O que muda nesses modelos?

José Elias de Godoy –   Ambos tem seus prós e contras. Cada condomínio tem que analisar o que o atende melhor e buscar a adaptação mais viável à sua peculiaridade. Portanto, se o condomínio busca o mínimo possível de rotatividade e pretende ter todo controle da administração do colaborador, ele acaba mantendo o orgânico. Caso não queira o ônus da administração financeira, operacional e trabalhista do funcionário, não se preocupando com possíveis rotatividades ou trocas, ele acaba optando pela terceirização. Deve-se pesar e discutir muito bem as vantagens e desvantagens de ambas antes de tomar decisões sobre esse tema, o que pode gerar dificuldades no futuro.  

Direcional Condomínios –  O que o Sr. recomenda às empresas de terceirização no momento de formar sua carteira de profissionais voltados à portaria?

José Elias de Godoy – Na atual conjuntura, com grande oferta de mão de obra, as empresas devem apurar bem o seu processo de seleção e recrutamento, buscando pessoas com maior qualificação, preparo, cursos no segmento. Mas as próprias empresas devem primar por formar, treinar e atualizar seus profissionais. Também devem se atentar pela supervisão e fiscalização constantes e próximas, bem como evitar desgastes por falhas de pagamento, vale-transporte etc.  

Direcional Condomínios – O que Sr. recomenda aos síndicos na hora de se buscar uma empresa de terceirização para a portaria?

José Elias de Godoy –  Antes de contratar uma empresa para terceirizar a mão de obra, os síndicos devem consultar seus antecedentes, conferir quem são seus clientes, verificar se estes estão satisfeitos com os serviços oferecidos. Visitem suas instalações, bem como a dos clientes. Exijam a comprovação de pagamento dos salários e recolhimento de todos encargos antes de quitar a fatura com a empresa, sob risco de ser responsabilizado civil e criminalmente, em caso de irregularidades. Detalhes importantes a serem observados: qualidade do serviço, eficiência na substituição dos faltosos, baixa ou alta rotatividade de funcionários. Não é conveniente escolher uma empresa apenas pelo preço baixo, pois isso pode ocorrer por ela pagar baixos salários, além de não oferecer benefícios aos seus colaboradores, o que ocasiona muita rotatividade entre os funcionários.

Matéria complementar da edição - 224 de junho/2017 da Revista Direcional Condomínios

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