Elétrica: área traz grande risco à vida

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Realizar inspeção e manter ajustes periódicos no sistema elétrico da edificação contribui para o consumo racional de energia e maior segurança de moradores e visitantes. Muitos acidentes de origem elétrica no País ocorrem por falta de manutenção.

No primeiro semestre de 2013, 372 pessoas morreram em acidentes provocados por choque elétrico no Brasil, 30% deles provenientes de instalações prediais, afirma Edson Martinho, engenheiro eletricista e diretor executivo da Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade (Abracopel).

Apesar de não haver ainda obrigatoriedade para sua inspeção, as instalações elétricas de baixa e média tensão devem passar pela manutenção e reparos conforme os parâmetros das NBR’s 5.410/2004 e 14.039/2005, da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), garantindo-lhes segurança.

O tempo de uso da instalação elétrica é um dos fatores que definem a periodicidade da manutenção.

Segundo Martinho, “é necessária uma avaliação após dez anos da entrega da instalação e, depois disso, a periodicidade passa para cinco anos”. Entretanto, ressalta o engenheiro, “o sistema elétrico de equipamentos que servem à circulação constante de pessoas, como elevadores, sofre desgaste contínuo, por isso, deve ser inspecionado em intervalos menores”.

Embora a idade e carga de uso determinem a periodicidade dos reparos, o engenheiro eletricista Valdir Gadioli observa que a instalação elétrica de um condomínio, independente do tempo de vida, estará sempre suscetível a problemas. “A qualidade dos componentes da rede elétrica e da mão de obra e os cuidados profissionais durante as intervenções nas manutenções preventivas e corretivas são fatores que interferem na segurança e na economia do consumo de energia”, aponta Gadioli.

CUIDADOS COM AS CAIXAS ELÉTRICAS

Além de perigoso, o sistema elétrico de edificações é bastante complexo. “Ele é constituído por cinco caixas elétricas (ponto de entrega, centro de medição do empreendimento, caixas dos medidores de energia, caixas porta-base e caixas de disjuntores), as quais dependem uma das outras para fornecer a eletricidade com segurança”, explica Gadioli. Sinais de aquecimento nos componentes dos quadros podem indicar que está na hora de substituí-los, entretanto, “as avarias elétricas se pronunciam de diversas maneiras e algumas são possíveis de identificar somente através de uma análise pautada em conhecimentos técnicos”, alerta, por sua vez, Edson Martinho.

Sempre que houver a necessidade de realizar qualquer avaliação ou ajuste nas instalações, o síndico deve consultar uma empresa de engenharia com registro no CREA (Conselho Regional de Engenharia) e que emita o ART (Anotação de Responsabilidade Técnica), diz.

Para evitar a deterioração das caixas elétricas, “em uma avaliação preventiva, é importante observar o estado de conservação, atentando-se, inclusive, quanto à presença de cupins, infiltrações e pontos de oxidação”, cita o engenheiro Gadioli. Todas as caixas que possuem dispositivos devem ser aterradas e totalmente metálicas, ou de outro material antichama. Segundo o engenheiro, é incorreto aplicar chapa metálica sobreposta aos fundos de madeira pré-existentes. “Estes fundos de madeira devem ser totalmente removidos e substituídos por placas de montagem em aço, dobradas e aterradas, e pintadas na cor laranja”, ressalta.

Além de verificar se todas as instalações estão adequadas conforme as normas da ABNT, “cada quadro deve ter um desenho a ser guardado dentro ou próximo à caixa correspondente”, complementa o gerente predial Felipe Lobo, que por dois anos esteve à frente do Condomínio Edifício Plaza JK, localizado na zona Sul de São Paulo.

Gadioli recomenda também ao síndico restringir o acesso às caixas elétricas. “Não se deve permitir que condôminos alterem elementos do sistema elétrico, como disjuntores, fusíveis, cabos e outros”. Apesar de atenderem aos moradores, o engenheiro eletricista diz que essas caixas devem ser de responsabilidade e propriedade do condomínio.

Desde que assumiu como síndica no Condomínio Edifício Omini, Maria de Lourdes Barreto mantém os quadros elétricos fechados com chaves e o acesso restrito a um eletricista profissional com registro no CREA. Quando um morador precisa, por exemplo, trocar um chuveiro, a síndica diz que o acesso aos quadros é permitido somente com o acompanhamento de profissional habilitado. “É comum zeladores ou outros funcionários se dispor a ajudar, mas a falta de conhecimento técnico pode provocar sérios danos”, comenta Maria de Lourdes, já no terceiro mandato do condomínio localizado na zona Sul da cidade.

Antes de tomar as rédeas do condomínio, a síndica disse que as caixas elétricas ficavam abertas e os disjuntores estavam fora de padrão. “O prédio de 20 anos tinha cabeamento antigo, na guarita havia apenas duas tomadas e utilizavam diversos benjamins. A rede já não suportava tanta carga e os curtos circuitos eram comuns”, relembra. Em 2009, Maria de Lourdes realizou uma boa reforma no sistema. Hoje os quadros possuem cabeamento antichamas, a guarita tem 16 tomadas independentes e a carga da rede está adequada às atuais necessidades dos condôminos.

READEQUAÇÃO DA REDE

O aumento da carga elétrica surge, assim, como outra demanda cada vez mais frequente entre os condomínios, especialmente os mais antigos, cujas instalações foram projetadas para um estilo de vida que não previa o uso de tantos aparelhos eletroeletrônicos. De acordo com os engenheiros Gadioli e Martinho, avarias como queimas constantes de fusíveis, desligamentos dos disjuntores, cheiro de fio queimado, tomadas escurecidas indicando aquecimento, além de piscadas na lâmpada quando se liga um chuveiro ou ferro de passar, alertam para a necessidade de aumento de carga.

A rede elétrica deve ser reavaliada por um profissional habilitado, “que acompanhará as medições durante uma semana para entender o perfil do consumo de energia do prédio”, explica Martinho. Após este período de avaliação, ele deverá emitir um diagnóstico sobre as condições físicas e de funcionamento dos cabos e dutos de distribuição, transformadores e disjuntores.

Dependendo do caso, afirma o diretor da Abracopel, “é necessário refazer o projeto do sistema elétrico, readequando-o para os próximos anos de vida da instalação”. “Esse processo de adequação envolve condomínio, moradores e a distribuidora de energia.” Com o novo projeto em mãos, o profissional responsável deverá apresentá-lo à concessionária de energia elétrica da cidade para que se avalie a sua viabilidade.

No mais, para evitar dores de cabeça com qualquer intervenção no sistema elétrico, o gerente predial Felipe Lobo recomenda incluir no manual do condomínio um cronograma de inspeção e manutenção preventiva, conforme a necessidade de cada componente da rede, pois “alguns requerem reparo mensal, outros trimestral, semestral ou anual”.

Matéria publicada na edição - 184 de out/2013 da Revista Direcional Condomínios