Fitness: Modernização das academias inclui troca do piso

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A variedade é imensa e cabe a diferentes orçamentos, tamanhos de espaço físico e configurações dos aparelhos da academia do condomínio: síndicos e moradores dispõem hoje de alternativas bem interessantes para o revestimento da área, atendendo a quesitos como durabilidade, amortecimento de impacto, proteção antichamas e antiderrapante, design e cores.

Síndico André Matarucco na academia de seu prédio, revestida por um emborrachado com amortecimento de impacto e protegido por placas extras nas áreas mais vulneráveis à queda de pesos

Existem desde os sintéticos, como vinílicos - estes dotados, por sua vez, de variações importantes na composição com o PVC, com ou sem cargas minerais -, aos emborrachados feitos ou não de materiais recicláveis.

Segundo a arquiteta esportiva Patrícia Tótaro, os “pisos vinílicos devem ser analisados conforme a sua resistência à abrasão, sua resiliência e resistência ao fogo”. Também os emborrachados, de origem reciclada ou não, apresentam resistência e “são adequados a áreas onde o peso pode cair”. Patrícia Tótaro expõe que a escolha deve seguir critérios como durabilidade, facilidade de manutenção e garantia. O ideal é que um piso resista por pelo menos cinco anos, sob um bom tráfego de usuários, e mantenha um aspecto de novo, sem marcas (resiliência). (Leia mais na pág. 28)

No Condomínio Glam Moema, na zona Sul de São Paulo, administrado pelo síndico André Matarucco, a ampla academia que ocupa o topo do prédio, no 18º andar, dispõe de um emborrachado homogêneo, com amortecimento de impacto, que vem resistindo bem a oito anos de uso. O revestimento ainda é o original, apesar da procura intensa da academia (há 168 unidades no prédio) e do seu horário elástico de funcionamento (das 6h às 23h, sete dias na semana). Mas o síndico resolveu introduzir um reforço na superfície, providenciando placas avulsas e sobressalentes também feitas de borracha, principalmente para as áreas de prática de musculação com anilhas.

De forma geral, o que define atributos como amortecimento de impacto, segurança ao usuário, durabilidade, atenuação acústica etc. é a composição desses revestimentos, o processo de fabricação, bem como a espessura em que são produzidas as mantas ou placas. E o que explica sua expansão junto aos condomínios é a praticidade na instalação, a qual pode ser feita sobre um piso anterior (exceto em bases de madeira ou pedras tipo ardósia em mal estado de conservação).

Para o profissional da área de vendas de revestimentos para academias, Yuri Pedretti, entre as opções disponíveis aos condomínios encontra-se o PVC comercializado em rolos. “É um material de alta resistência e durabilidade, fundido e feito em uma peça só, portanto, não esfarela nem dá manutenção. Porém, sua principal vantagem é a instalação sem cola. Basta desenrolar o rolo e cortar com estilete, que o próprio peso faz com que ele se assente, preservando o piso de baixo.” É indicado ainda para lugares com queda de pesos. Quanto à manutenção diária, basta o uso de pano úmido, mesmo procedimento utilizado pelos funcionários do Glam Moema para fazer a limpeza da academia.

PISO EMBORRACHADO GRANULADO

Um piso produzido com grânulos de borracha, dotado de amortecimento de impacto, compõe o novo ambiente de fitness do Condomínio Top Village, em Alphaville. A sala foi inaugurada em 2015. Para preservar o local, o regulamento interno proíbe atividades com bolas, bicicletas, skates, patins, raquetes e demais equipamentos esportivos que não façam parte do acervo da academia.

 

 

TERCEIRO PISO

Uma academia de “uso intenso”, “de alto impacto”, pede um piso resistente e de fácil manutenção, afirma o gerente predial Celso Daniel, do Condomínio Edifício Danielle. Residencial de torre única entregue em 2007 na região dos Jardins, em São Paulo, o Danielle já está com a terceira versão de revestimento na sala de fitness. Em novembro passado, a nova superfície foi “inaugurada”, juntamente com a introdução de equipamentos de pilates, renovação da pintura e aplicação de adesivos. O piso original era um emborrachado de difícil manutenção, afirma o gerente. Posteriormente, foi instalado um revestimento por cima do anterior, mas sem sucesso. A versão atual é um piso vinílico em régua, de 3mm de espessura, em padrão madeira, de absorção acústica de impacto e, segundo o fabricante, com 70% de PVC em sua composição.

 

SAIBA MAIS SOBRE AS OPÇÕES DO MERCADO

Arquiteta com ampla atuação na área esportiva, desenvolvendo projetos para construtoras e condomínios há pelo menos duas décadas, Patrícia Tótaro deixa aqui algumas sugestões que poderão auxiliar os síndicos na hora de definir um novo revestimento para a academia. Da sua experiência na área, destaca-se a participação na redação do Manual de Escopo de Arquitetura de Infraestrutura Esportiva, uma edição conjunta da Abriesp (Associação Brasileira da Indústria do Esporte) e o Secovi- SP, além de seu trabalho de certificação de alguns pisos comercializados no País.

Para começar, a Direcional Condomínios reproduz suas principais observações quanto aos materiais vinílicos e emborrachados ofertados pelo mercado:

“O piso vinílico é feito com PVC, então comumente falamos ‘piso vinílico’ ou ‘piso de PVC’ para designar o mesmo produto. Existem os pisos ‘antigos’, que são uma massa de PVC dura, e os mais modernos, compostos por camadas de borracha e PVC. Esses últimos são os que mais usamos em academias hoje em dia. Os pisos vinílicos devem ser analisados conforme a sua resistência à abrasão, resiliência e resistência ao fogo. Se todos esses itens estiverem adequados, podemos colocá-los em academias nas áreas de equipamentos onde não haja risco de cair peso.”

Os de borracha, por sua vez, “que podem ou não ser de origem reciclada, têm também resistência e são adequados a áreas onde o peso pode cair (que chamamos de peso livre)”. “Eles também podem ser usados nas áreas de equipamentos. Há também vinílicos com camada de absorção sob eles, que são ótimos para salas de ginástica e locais que precisam de amortecimento.” Uma boa especificação dos vinílicos e emborrachados situa-se na versão com espessura mínima de 3mm, “5mm de capa e índice de abrasão ‘T’ (da norma europeia)”.

Vinílico antigo, de espessura fina, mais “duro”, um modelo que começa a ser substituído por outras versões de maior absorção de impacto

Já os laminados ou em madeira ganham ressalvas. “Laminados não são mais instalados. Foram substituídos pelos vinílicos, que podem ser colados, não necessitam de junta de dilatação e têm melhor resistência. Os vinílicos têm vários padrões, inclusive madeira. Os pisos de madeira maciça ainda são usados, mas demandam mais manutenção. Usamos muitas vezes em salas de ginástica coletiva com amortecimento.”

Por fim, Patrícia Tótaro recomenda o uso de complementos ao piso, assim como faz o síndico André Matarucco no Glam Moema. São proteções extras colocadas embaixo de equipamentos mais pesados e/ou em áreas próximas, onde haja risco de queda de pesos. Muitas são ofertadas como placas a serem dispostas sobre outro piso – “com isso, não necessitam de reforma”. “Elas podem ser usadas em todas as áreas do fitness”, encerra a arquiteta.

Fotos: Rosali Figueiredo

Matéria publicada na edição de dez/jan 2017 da Revista Direcional Condomínios

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