Segurança - CFTV, monitoramento & interfone: “Olhos e ouvidos” para cuidar do patrimônio dos condôminos

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O condomínio acaba de ser entregue no bairro do Tatuapé, área valorizada da zona Leste de São Paulo, com fachada em pastilhas, varandas gourmet, dois subsolos de garagem (comportando de três a quatro vagas por cada uma das 100 unidades, além de depósitos individuais) e infraestrutura moderna de lazer (piscinas coberta e descoberta, quadra, salão de festas, duas churrasqueiras etc.).

“O condomínio é muito grande, tem vários ambientes e recursos, precisamos garantir não apenas a segurança patrimonial quanto a proteção desses espaços contra atos de vandalismo”, afirma a síndica Ivanir Sobreira, responsável pela implantação do empreendimento.

Ela justifica assim o investimento que vem sendo feito em equipamentos de segurança no local, que recebeu da construtora somente guarita blindada, eclusa no acesso de pedestre e um passa documentos (o controle de veículos veio no pacote, mas foi pago à parte pelo condomínio). Tudo o mais, indispensável à segurança e controle de acesso, está sendo implantado agora: 64 câmeras HD, de alta resolução, onze delas em cada um dos subsolos; monitores na portaria, na administração e, em breve, em cada uma das rampas de acesso às garagens; gravador de imagens; cerca elétrica em alguns perímetros e, na frente do prédio, sensores em infravermelho; intercomunicador e passa pizza na portaria; e, por fim, chaveiros aos moradores para abertura dos portões. Ivanir considera as câmeras parte essencial do sistema – “olhos que nos ajudam a cuidar do condomínio”, a ponto de já ter programado, em uma segunda etapa, o complemento com mais 32 unidades, pois ela quer instalá-las em todos os andares, nos halls de serviço.

A síndica tem experiência de gestão em outro residencial na região, mas com apenas 52 unidades e 26 anos de vida. Ali, predominam as câmeras analógicas (16), um sistema que se encontra defasado. Essa é a realidade de 60% do mercado brasileiro, diz Marcy José de Campos Verde, consultor de segurança com certificações CPP e ADS, e diretor da Associação Brasileira de Profissionais de Segurança (ABSEG). O especialista cita levantamento realizado pela IMS Research (uma das empresas líderes em pesquisa de mercado e consultoria independente para o setor eletrônico mundial), segundo a qual os demais 40% estão distribuídos entre HD (10%) e IP (30%).

O condomínio administrado pelo síndico Paschoal Lombardi Jr. optou pela tecnologia IP na hora de atualizar o CFTV. Localizado na região de Jurubatuba, zona Sul de São Paulo, com seis torres e 36 mil metros quadrados de área, o condomínio foi implantado em 2009 com câmeras analógicas. “Escolhemos as IP pela qualidade de resolução e facilidade de tratar tudo pela internet”, observa Paschoal. Ele destaca que os modelos possuem lentes diferenciadas conforme o ponto em que estão instalados.

Nos elevadores, por exemplo, “o foco é mais fechado, enquanto nas áreas abertas, algumas dispõem de zoom ou mesmo infravermelho para locais que ficam escuros à noite” (o Iepe Golf possui áreas de mata). No perímetro dos acessos ao condomínio, estão dispostas quatro speed dome, acionadas através de joystick, com longo alcance de zoom e ângulo de visão com rotação de 360º. No total, foram instalados 136 equipamentos pelo Iepe Golf, “o que nos permitiu comprovar infrações que não eram vistas e, assim, aplicar notificações e multas”, resume o síndico. Para tanto, o condomínio criou sete pontos de monitoramento ao longo de suas áreas comuns, com três postos de armazenamento, serviço realizado por alguns dos 32 funcionários da área de segurança.

CFTV: TECNOLOGIA, FUNÇÕES E SUPORTES VARIADOS

Com certificações CPP (expedida pela ASIS International) e ADS (fruto da especialização em Alta Direção em Segurança pelo Instituto de Pós-Graduação da Universidade Pontifícia Comillas de Madri), o consultor Marcy José de Campos Verde afirma que os condomínios que se encontram em fase de transição da tecnologia analógica do CFTV para versões mais modernas devem antes analisar a infraestrutura instalada, observando se:

- O foco das câmaras está correto;

- Há objetos obstruindo a visão;

- A luz é suficiente e/ou a câmara possui visão noturna (infrared);

- A qualidade da imagem visualizada e também gravada é adequada;

- O perfil da equipe que faz a visualização e/ou o monitoramento atende às necessidades;

- O tempo de armazenamento da gravação no storage (suporte) é suficiente;

- E se há níveis de acesso (hierarquia, logins etc.) para operar o sistema.

Marcy J. de campos Verde ressalta que, “de forma geral, há câmeras com várias especificações e um projeto de segurança visando à sua atualização deverá analisar o ambiente, a infraestrutura disponível, a tecnologia e o suporte técnico necessário (preventivo e corretivo), além dos custos”.

O especialista destaca quatro tecnologias disponíveis no mercado, cada qual com suas características de gravação e compatibilidade com suportes de transmissão e monitores, entre outros: CFTV analógico; CFTV HD; CFTV IP (Megapixel); e Câmeras 4K (3840 X 2160 pixels a 30 FPS) (As características dessas versões estão disponíveis no site da Direcional Condomínios. Saiba como acessar o texto ao final desta reportagem).

CADA LOCAL PEDE UMA CÂMERA DIFERENTE

Para definir qual o ponto ideal para instalação das câmeras, Marcy J. de Campos Verde orienta que sejam verificados os seguintes aspectos:

- Se a área é externa ou interna (observando-se os níveis de proteção / IP e IK);

- A incidência ou não de luz natural, e em que nível;

- O trânsito ou não de veículos (no período noturno, eles estarão com os faróis acesos, o que terá que ser levado em consideração);

- O revestimento do piso ou das paredes, pois esse poderá refletir a luz;

- Distância, altura e/ou largura da área focada em relação à câmera;

- Objetos ou estruturas que possam obstruir o ângulo de visão.

Marcy J. de Campos Verde exemplifica: “Os elevadores são áreas pequenas, sem luz natural, mas geralmente têm uma parede espelhada (em alguns modelos) e suas paredes são metálicas”, fatores que interferem na escolha do modelo. Já nas áreas externas, “é importante definir qual o foco da câmara”, que poderá ser “a imagem geral de um veículo, de área próxima ou a sua carroceria (focando em algum dano anterior), como também o rosto do condutor etc.”.

Outra variação diz respeito aos equipamentos fixos e móveis: “Existem câmaras fixas (o foco é fixo) e móveis (o foco pode ser reposicionado, por meio de um joystick).” Nesta segunda opção, é necessário que haja um operador ou, ainda, que o equipamento esteja integrado a outro sistema, por exemplo, um sensor de alarme perimetral. Nesse caso, quando houver uma ocorrência acionada por alarme, a câmara focará o local, diz Marcy. Entretanto, como este modelo móvel requer mais equipamentos (um motor e o comando, entre outros itens), custa mais do que uma câmera fixa, pondera. Desta forma, sua aplicação é bem específica, arremata o consultor, que ainda cita câmeras fisheye (de 360°), as quais “permitem uma visão de todo um ambiente, mas não possuem alta resolução”.

“O CFTV é muito importante e útil (como foco preventivo e reativo), mas por ser um recurso técnico, recomenda-se um projeto preliminar para definir todo o sistema e suas características”, ressalta o consultor. A própria variação dos equipamentos, segundo ele, mostra que é possível adotar soluções híbridas, “mesclando tecnologias, tanto no projeto inicial quanto para um upgrade, uma ampliação ou retrofit” do aparato de segurança do condomínio.

 

MONITORAMENTO: CONTROLE DE “RISCOS”

As câmeras do circuito interno do condomínio pouco irão auxiliar no controle da segurança se não houver monitoramento, não apenas nas portarias quanto em demais áreas do empreendimento ou acessadas de forma remota, via internet, por prestadores terceirizados. Segundo o representante do Sesvesp (Sindicato das Empresas de Segurança Privada do Estado de São Paulo), o professor e pesquisador Ronaldo Pena, do Grupo de Estudos Técnicos de Segurança (GETS) da Universidade de São Paulo, o síndico, ao contratar empresa externa para o serviço, deverá buscar um prestador “que se importe com a questão de risco e seu controle”, oferecendo os seguintes quesitos:

- Um projeto de segurança local assinado por consultor especializado ou técnico da própria empresa de segurança eletrônica e de vigilância;

- Implantação dos sistemas por fases, onde contemple sempre a condição de ampliar a prevenção;

- Idoneidade e experiência da empresa, com profissionais homologados pela Polícia Federal e, de preferência, detentora do Certificado de Regularidade de Segurança (CRS), expedido pelo Sesvesp;

- Equipamentos instalados e monitorados 24 horas, com qualidade e quantidade compatível com o perfil do local; e, por fim,

- Uma equipe de apoio externa que seja “capaz de dar o devido atendimento ao condomínio e de acordo com sua necessidade”.

A atividade de segurança e vigilância é regulada pela Lei Federal 7.102/1983 e requer registro junto ao Ministério da Justiça. Através do site da Polícia Federal, o Governo mantém canais de consulta pública úteis aos síndicos, como sobre a autenticidade da Carteira Nacional de Vigilante e a lista de empresas com alvará cassado. Ronaldo Pena afirma que o Sesvesp deverá lançar em breve um “programa de prevenção e cidadania, voltado para orientações ao mercado”.

Matéria publicada na edição - 217 - out/16 da Revista Direcional Condomínios

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