Segurança no condomínio: Portaria e controle de acesso, mudança de paradigmas

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Como todo prédio antigo e de poucas unidades, no Condomínio Edifício Boulevard se destacam a robustez e o espaço abundante nos apartamentos, assim como, de outro lado, a pequena arrecadação e inúmeras demandas por obras e serviços. Com 20 moradias e datado de 1957, o condomínio acaba de ter a portaria automatizada.

O processo não dispensa integralmente a presença física de um funcionário, mas o síndico Paulo Lima, em seu segundo mandato, conseguiu reduzir a equipe do prédio, remanejar os horários dos profissionais e eliminar a portaria 24 horas.

Agora, há atendimento pessoal no horário entre 8h e 20h20, de segunda a sábado. Fora desse período, incluindo domingos e feriados, cada morador se responsabiliza pela liberação dos acessos, utilizando- -se de um bom aparato de equipamentos. O condômino pode visualizar a pessoa que o está chamando pela tela de um celular com acesso à internet, observa o síndico. Neste mês, monitores deverão ser instalados em suas unidades.

Iniciado em janeiro último, “o projeto foi montado na busca por segurança, melhoria das condições de trabalho dos funcionários e redução do custo”, afirma. E demandou investimentos em reforma da guarita e blindagem, eclusas com gradil de ferro na garagem e muro de vidro na área externa, cerca elétrica, substituição das 16 câmeras analógicas de CFTV por modelos digitais, central de interfones e portões com biometria e senha, dois nobreaks, além de aparelho de ar condicionado. Os custos somaram R$ 70 mil, mas a reengenharia permitiu baixar o rateio de R$ 1.620,00, em março passado, para os atuais R$ 1.120,00. “Sem as mudanças, teríamos que elevar a taxa para R$ 1.840”, destaca Paulo. O síndico observa que não pôde abrir mão da presença do porteiro ao menos durante o dia, pelas dificuldades de adaptação dos condôminos, muitos idosos. “Mas 90% aceitou bem, aderiu, isso é fantástico”, acrescenta.

Para a síndica profissional Ângela Merici Grzybowski, a portaria automatizada (e eventualmente, com controle virtual, pela internet, à distância) representa boa alternativa para alguns perfis de edifícios, como os pequenos, que “não tenham muita movimentação de pessoas”. Um entre os três condomínios que administra comportaria a solução, que ela pretende recomendar aos moradores, afirma. Nos edifícios mais populosos, poderia ser adotado um modelo como o aplicado pelo síndico Paulo Lima, eliminando-se a portaria física no período noturno, “quando há adicional para o funcionário e dificuldade de compor a equipe”.

O professor e pesquisador Ronaldo Pena, do Grupo de Estudos Técnicos de Segurança (GETS) da Universidade de São Paulo, e dirigente do Sesvesp (Sindicato das Empresas de Segurança Privada do Estado de São Paulo), pondera que muitas dessas soluções podem atender bem às necessidades de segurança, dependendo do “tamanho do condomínio, situação de risco, fluxo de pessoas, disponibilidade orçamentária, condições da portaria e acesso”. “O certo é que haja equilíbrio entre ambas as situações. A automação é importante, mas nunca deixaremos de utilizar o fator humano como precursor e operador dos sistemas, ou mesmo para dar uma pronta-resposta a determinadas contingências que precisam de decisão e intervenção humana”, afirma o especialista.

AUTOMAÇÃO COMPLETA

No Condomínio Edifício Flamboyant, prédio de cerca de 30 anos e 11 unidades localizado no Morumbi, zona Sul de São Paulo, a experiência deu certo. O síndico Luciano Gennari promoveu a automação da portaria, em tempo integral, em 2013. Todo sistema de acesso é monitorado pelo próprio morador e as imagens da região da portaria são disponibilizadas em tablets distribuídos em pontos estratégicos da área comum, como salão de festas, churrasqueira e casa de máquinas de elevadores. O acesso dos moradores aos portões da eclusa e portas de acesso ao hall social e hall de serviço (permanentemente trancadas) é feito através de senha que eles memorizam e digitam no aparelho. As fechaduras são eletromagnéticas. Através de interfone, ele faz a liberação de visitante ou prestador de serviço. O sistema conta com o suporte de 32 câmeras, a maioria digital, com sensor de leitura para o período noturno. Também possui nobreak e DVR que armazena as imagens (com sensores para abertura e acesso ao ambiente). É feito back-up externamente. Sensores e alarmes instalados na cerca elétrica completam as instalações, descreve Luciano Gennari.

Ele contratou ainda ronda virtual. Mas a portaria (mecanismos e autorização de abertura) não é virtual e, sim, automatizada, com o controle realizado diretamente pelos moradores. Na avaliação do síndico, o modelo virtual apresentaria um ônus maior, no entanto, ele custaria  a metade do que o condomínio com torre única gastaria na folha de pagamentos da portaria presencial. Outro suporte oferecido pelo condomínio é o seguro de cada unidade embutido na apólice do prédio.

QUATRO CONDOMÍNIOS, QUATRO SISTEMAS DISTINTOS

O síndico profissional José Eduardo Rubira Silveira (Foto abaixo), que atua em quatro condomínios, diz que os procedimentos básicos em segurança e na triagem de pessoas são “praticamente os mesmos em qualquer lugar”. Mas cada empreendimento “tem sua configuração e personalização. O que é bom para um, nem sempre o é para o outro”. Segundo ele, “a portaria automatizada e/ou virtual é viável aos condomínios com poucos apartamentos, e apresenta até menos falhas, porque traz economia e maior formalidade aos procedimentos que devem ser adotados por todos”. José Eduardo Rubira afirma que um dos prédios que administra, de 23 unidades, comportaria a automação integral, porém, há resistências entre os moradores. “Em um condomínio menor, a folha de pagamento da portaria representa muito na arrecadação mensal”, justifica.

Os demais empreendimentos dispõem de software de controle de acesso de veículos, dois possuem biometria para os moradores e, um terceiro, “sistema mais moderno com reconhecimento facial para entrada de todos os residentes”. Nesse caso, o porteiro está dispensado da necessidade de identificar o morador, o que é feito por um software, com apoio de câmeras e porta giratória (Foto abaixo). O procedimento convencional de identificação é adotado apenas para visitantes e prestadores de serviços, que dispõem de outra entrada social com clausura. “Acredito que o sistema de reconhecimento facial caberia em todos os prédios.” José Eduardo Rubira diz que a solução poderia ser adaptada em diferentes perfis de condomínio, mudando-se apenas o tipo de suporte, como portas giratórias, catracas e portões com clausuras, entre outros.

Matéria publicada na edição - 216 - set/16 da Revista Direcional Condomínios

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