Playground: Prédios valorizam espaços para diversão e desenvolvimento social e motor das crianças

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Play Zoo para pequeninos de zero a cinco anos; Play Aventura para crianças de 5 a 8 anos; e Play Radical para os pré-adolescentes, de 8 a 12 anos. Esses são alguns dos espaços oferecidos à garotada pelo condomínio clube Portal Domínio Marajoara, localizado na zona Sul de São Paulo, no bairro de mesmo nome. Com área de 66 mil metros quadrados, sete torres, 594 unidades com varandas gourmet, o empreendimento dispõe de 13 estações de playground projetadas por tema e faixa etária, além de duas brinquedotecas, descreve o síndico Paulo Fontes.

Os espaços externos foram implantados em madeira tratada e acabaram de passar por recuperação, no condomínio entregue há cerca de três anos. Um dos ambientes será remodelado: o Play Radical próximo às quadras e campo de futebol society. Isso foi motivo até de assembleia recente de condôminos, que definiram o escopo da intervenção: revitalização com troca e ampliação da superfície de piso de borracha intertravada (na área sob os brinquedos); introdução de grama sintética em um dos pontos do local; e substituição do tipo da grama natural presente no entorno dos equipamentos, já bastante desgastada, por uma mais resistente.

Com sete comissões de moradores para auxiliá-lo na gestão do empreendimento, o síndico Paulo Fontes contou, também neste caso, com equipe voluntária de condôminos para cuidar da revitalização dos playgrounds. Gerente de Tecnologia da Informação de uma montadora para a América do Sul, Paulo Fontes assumiu à frente da gestão em 2014 para reorganizar as finanças do Portal e colocar a manutenção em dia. Uma das medidas recém-adotadas, a pedido de uma das comissões, foi contratar três profissionais para atuarem como “fiscais de área comum”, ex-inspetores de escola que irão zelar contra os excessos da garotada nessas áreas.

PROJETOS ADEQUADOS À IDADE

Um dos aspectos primordiais na definição do projeto de playground se encontra no tipo de revestimento da superfície, o qual, segundo a NBR 16071-3, norma estabelecida em 2012 pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), deve garantir atenuação de impacto para todo brinquedo que venha a proporcionar uma queda livre maior que 600 mm. O assunto será abordado na próxima edição da revista Direcional Condomínios, de setembro.

Mas também a concepção do ambiente e os tipos de brinquedos precisam atender às características de cada faixa etária, a exemplo do que procurou fazer o Portal Domínio Marajoara. Essa é uma tendência entre os condomínios que dispõem de áreas de lazer. Atuando há anos no setor, importador de brinquedos e fabricante de pisos, o empresário José Nelson lamenta que muitos “síndicos ainda se preocupem somente com preços baixos e ignorem qualquer norma e também qualidade”.

Para a psicóloga especializada na área, Sirlândia Reis de O. Teixeira, playgrounds e brinquedotecas propiciam mais que diversão; eles atuam, de forma lúdica, sobre o desenvolvimento motor, afetivo e a sociabilidade das crianças e adolescentes. Assim, para a idade de zero a cinco anos, os brinquedos devem ser seguros e acessíveis, além de proporcionar desafios e estímulos cognitivos (caso de piscinas de bolinhas ou blocos gigantes para montar); no próximo segmento etário, até 10 anos, o importante é mobilizar a imaginação, também com contornos cognitivos, caso de túneis tipo centopeias, cama elástica e corredores com desafio, além dos tradicionais gira-gira, escorregadores e trepa-trepa; já para os maiores, até 15 anos, a ideia é ampliar os desafios e a vivência em grupo, não apenas através de equipamentos maiores, mas também com materiais mais robustos.

SEGURANÇA DOS EQUIPAMENTOS

Em todos esses projetos, deve ser considerada a segurança dos equipamentos. No Portal Domínio Marajoara, o síndico Paulo Fontes diz que cada brinquedo passou por avaliação e, quando necessário, por reparos. “Havia reclamações de condôminos, muitos deles estavam deteriorados pela ação do tempo”, explica. “Consertamos, envernizamos e os adequamos às normas de segurança”, arremata o gestor.

A NBR 16071/2012, publicada em 2012 pela ABNT e válida desde 15 de junho de 2013, define inúmeros parâmetros de segurança. Ela está dividida em sete partes: Terminologia; Requisitos de segurança; Requisitos de segurança para pisos absorventes de impacto; Métodos de ensaio; Projeto da área de lazer; Instalação; e, Inspeção, manutenção e utilização.

Os parâmetros se aplicam a equipamentos diversos, como balanços, escorregadores, gangorras, carrosséis, paredes de escalada, plataformas multifuncionais, brinquedão, entre muitos outros. Por meio desse escopo normativo, os síndicos devem ficar atentos a aspectos como:

- Corrosão de partes componentes do equipamento;

- Proteção sobre roscas de parafusos salientes;

- Reaperto constante de porcas, pinos e parafusos;

- Proteção contra cantos afiados, agudos ou protuberâncias;

- Uso de revestimentos adequados em todas as superfícies, de forma que não contenham substâncias tóxicas e/ou prejudiciais à saúde, não apenas o material original do fabricante, mas ainda a aplicação de substâncias de limpeza, reparo ou revitalização;

- Cuidado com as superfícies de apoio e de contato dos pés, as quais devem ser horizontais e uniformes. Os degraus precisam estar espaçados por igual;

- Realização de inspeção frequente pela administração do condomínio e, periodicamente, pelo fornecedor dos brinquedos; e,

- Atenção às instalações de suporte, a exemplo da elétrica, hidráulica e demais estruturas (alvenaria, madeira etc.).

Outro quesito a destacar se encontra na garantia dos brinquedos. Segundo o Código de Defesa do Consumidor, esta é de 90 dias. O síndico, porém, poderá completá-la com uma garantia contratual com o fabricante ou o fornecedor, especificando-se os itens cobertos e os respectivos padrões de segurança.

Matéria publicada na edição - 215 - agosto/2016 da Revista Direcional Condomínios

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