Gestão da Água: Múltiplas alternativas aos gestores

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Síndica local no prédio em que mora e profissional em quatro residenciais, a administradora Patrícia Rodrigues adota um mix de iniciativas para controlar o consumo d’água e fazer economia.

Longe do sufoco da seca de 2014 e 2015, os moradores da Região Metropolitana de São Paulo respiram aliviados com a recomposição dos reservatórios d’água. A situação, entretanto, não está normalizada, conforme apontava em junho o monitoramento diário de dois dos maiores mananciais da região, Cantareira e Alto Tietê. No dia 22, o primeiro estava com 59,2% de sua capacidade preenchida, enquanto o segundo não ultrapassava 47,8%.

Os dados embutem dois desafios principais aos condôminos: racionalizar o consumo para garantir o abastecimento futuro e também diminuir os gastos mensais. A política de bônus (descontos) praticada pela Sabesp se encerrou em abril, enquanto as tarifas tiveram majoração de 8,4% a partir de maio. O bônus e a ameaça da multa funcionavam como “motivação para o condômino gastar menos água”, afirma a síndica Patrícia Rodrigues. “Sem os descontos e com o aumento, as contas estão vindo mais altas. Desde fevereiro, quando entraram em vigor metas mais rigorosas de economia, temos passado uma fase muito difícil, em alguns condomínios precisamos colocar a conta d’água como rateio extra. Com certeza, iremos ‘devolver’ à Sabesp tudo o que economizamos desde 2014”, estima Patrícia.

A síndica acredita que a população ainda depende de conscientização e estímulos, principalmente “do bolso”, para fechar torneiras e chuveiro. Enquanto não fizer isso, a conta permanecerá salgada no fechamento do mês. “O principal desafio de redução de consumo em um condomínio é a água, mas isso tem que estar no morador. O síndico trabalha, porém as pessoas devem compreender que o mundo não é mais o mesmo de nossa infância, onde tínhamos visão de abundância; vai faltar água! Conforto e economia não andam juntos”, alerta.

ESFORÇO DIÁRIO

Dos cinco prédios que administra, um como residente e quatro como profissional, Patrícia dispõe de recursos distintos para controlar o consumo. Em todos, os zeladores fazem diariamente pela manhã a leitura do hidrômetro da Sabesp, anotando os dados em planilha e analisando variações que possam indicar excessos ou possíveis vazamentos. “É um parâmetro para perceber se existe consumo fora da média. Enquanto havia bônus, era uma forma também de controlar as metas de economia. A planilha é apresentada na pasta mensal de prestação de contas. Com isso, conseguimos visualizar mudanças discrepantes no gasto do prédio, por onde localizamos vazamento.”

Outro programa comum aos condomínios é a visita mensal feita pelos zeladores a cada unidade, verificando o “pinga-pinga” das torneiras e caixas acopladas. “Isso é um grande problema em todos, o morador vê o fiozinho d’água no vaso sanitário e acha que isso não faz efeito algum. Mas um dia inteiro vazando provoca diferença enorme no final do mês.”

Já os condomínios com individualização – dois, no caso de Patrícia – podem apresentar vantagem relativa sobre os demais. A tendência, observa a síndica, é que o morador, ao ver a conta no boleto, passe a controlar o gasto, procurando diminuir a taxa mensal paga ao condomínio. “Com a individualização há um maior controle porque está visível o quanto se gasta.” Já nos edifícios sem o recurso, a síndica empreende uma campanha mais sistemática de conscientização, “com circulares e divulgação embaixo de porta, pedindo que se reduza o consumo, se adotem arejadores, fiquem atentos às caixas acopladas etc.”. Em um dos residenciais, a maioria dos ocupantes instalou dispositivos de dois fluxos nas descargas.

REUSO & TRATAMENTO

De qualquer forma, a individualização nem sempre é suficiente para sensibilizar o conjunto dos moradores. Muitas vezes são necessários mais investimentos, como no Condomínio Dupret, onde, apesar da leitura individualizada, nunca se bateu a meta dos bônus. Pelo contrário, o edifício de oito anos e 32 unidades ficou próximo da multa. “Por isso procuramos um sistema de reuso mais moderno que pudesse retirar uma parte da demanda por água nobre, tratada, como na limpeza das áreas comuns e rega de plantas”, afirma a síndica.

Os moradores do Dupret estão investindo em dois sistemas de captação, com obras em andamento: o do descarte da máquina de lavar roupas, que prevê sistema de tratamento para reabastecer as unidades em prumada independente com fins não potáveis; e o da drenagem da água do lençol freático, voltado aos jardins e à limpeza do prédio. O objetivo é evitar ao máximo consumir a água potável fornecida pela Sabesp. Segundo Patrícia, a média do gasto por unidade da água tratada nas áreas comuns chegou a 9 metros cúbicos, índice reduzido para cinco após a adoção de medidas restritivas na lavagem dos pisos e irrigação dos jardins. Nos apartamentos, a média fica entre 20 e 27 metros cúbicos, o que ela considera elevado.

A síndica avalia que cada prédio possui um padrão diferenciado de gasto não apenas em função de sua infraestrutura, como também do perfil dos moradores e hábitos correspondentes. “No condomínio com predomínio de idosos, é mais fácil conscientizar e economizar, porque eles têm preocupação em relação aos custos, principalmente da cota.” Um dos prédios que administra não possui qualquer recurso de apoio, como individualização ou cisternas de água da chuva, no entanto, seus moradores, a maior parte idosos, separam a água do enxágue da máquina de lavar roupas, o funcionário a recolhe com um tambor e usa para lavar a calçada, relata.

No balanço das medidas adotadas nesses residenciais, a gestora observa que obteve sucesso significativo com a vistoria constante dos zeladores junto às unidades, pois as reduções vieram, sobretudo, do controle de vazamentos e da conscientização sobre os valores das contas, sempre expostos nos elevadores. “Aproveitei também para agradecer as economias obtidas”, encerra Patrícia Rodrigues.

SAIBA MAIS

Contatos com a síndica Patrícia Rodrigues:
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Matéria publicada na edição - 214 - julho/2016 da Revista Direcional Condomínios

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