As diferentes faces de um sistema de segurança inteligente no condomínio: entrevista com o especialista Luís Renato Mendonça Davini

Escrito por 

Casos inusitados e até ousados de invasões em condomínios foram desvendados no primeiro trimestre deste ano pela Polícia Civil do Estado de São Paulo.

Em uma das situações, na Capital, houve a prisão em flagrante de ex-funcionários de uma operadora de tevê, internet e telefonia, que vinham roubando baterias responsáveis pela alimentação do sistema em ruas do bairro de Vila Mariana. Com isso, eles provocavam “defeito” na rede e criavam oportunidade para entrar nos edifícios. Disfarçados de técnicos, eles invadiam e furtavam os apartamentos de clientes que haviam aberto ordem de serviço junto à operadora. O alerta foi dado pela própria empresa, que avisou a polícia dos golpes. Já na Região Metropolitana, uma quadrilha utilizava drones para espionar a vida interna dos condomínios e planejar as invasões. E em Taubaté, no Vale do Paraíba, outra quadrilha clonava controles de acesso à garagem.

Para o delegado Luís Renato Mendonça Davini, do GOE-DECAP, da Polícia Civil de São Paulo, os criminosos utilizam cada vez mais os recursos tecnológicos para “terem conhecimento do espaço (território) que pretendem invadir”. Luís Renato ministrará neste mês de maio, em São Paulo (no dia 14), um treinamento para porteiros, síndicos e zeladores dos condomínios, promovido pela revista Direcional Condomínios. A seguir, sua entrevista.

Direcional – O que seria um "sistema inteligente" de segurança para os condomínios?

Luís Renato M. Davini - A “inteligência” num sistema de segurança implica a faculdade de conhecer, aprender e resolver novos problemas, para adaptar-se a novas situações. Não podemos esquecer que o crime é dinâmico e, sendo assim, a cada dia devemos nos atualizar para estarmos mais seguros. Por sua vez, as tecnologias servem para diminuir os riscos, dispondo de maior capacidade de informações e tornando o sistema de segurança mais atualizado e seguro para o seu operador.

Direcional - O Sr. realiza Estudos de Riscos junto aos condomínios, quais as principais falhas identificadas hoje?

Luís Renato M. Davini - Existe uma cultura em nossa sociedade onde as pessoas não buscam a prevenção como a forma mais barata e segura de estar e manter-se protegidas. O maior problema de muitos condomínios é a falta de atualização dos sistemas. Também vejo que na maioria deles a segurança é vista como uma despesa, quando, na verdade, deveria ser tratada como um investimento. Um condomínio mais seguro é um condomínio mais moderno, mais valorizado e muito melhor de se viver pela tranquilidade que pode oferecer, diante da situação social cada vez mais violenta que nos cerca.

Direcional - Há condomínios que, ao investir na segurança, adotam procedimentos ou posturas equivocadas?

Luís Renato M. Davini - Na maioria das vezes, os condomínios somente buscam corrigir falhas depois que já aconteceu um crime. Devemos observar a segurança de forma diferente e buscar sempre atualizar os sistemas que utilizamos.

Observo maior incidência de erros na:

1. Falta de detecção de invasão, antes de o marginal adentrar no condomínio (carência perimetral);

2. Falta de controle interno nos condomínios, estabelecendo diferentes áreas de riscos (desatualização do CFTV); e,

3. Falta de um planejamento de pronta resposta emergencial. A maioria dos condomínios não sabe o que fazer diante de uma situação real de risco.

Direcional – O que seria um investimento mínimo em tecnologia?

Luís Renato M. Davini – Ele consistiria na instalação de fechaduras eletrônicas ou com acionamento remoto, e com controle de abertura e fechamento; sistema de CFTV com câmeras atualizadas, sem área de sombra; cercas elétricas ou com infravermelho para detecção de invasão; utilização de holofotes e sensores de presença, em especial, os perimetrais; e instalação de eclusas e controle remoto nos portões do condomínio.

Direcional - O Sr. costuma dizer que o crime se recicla, se aperfeiçoa, o que temos de novidades nas ocorrências em condomínios?

Luís Renato M. Davini - O crime é inteligente, recicla suas estratégias, mas muitas vezes volta a realizar velhas condutas, como, por exemplo: o golpe do carteiro; entrega do bolo de aniversário ou da cesta de café da manhã; o técnico da telefonia etc. Mas em termos de atualização mesmo, os marginais estão usando drone para visualizar as áreas internas dos condomínios, buscando cada vez mais terem conhecimento do espaço (território) que pretendem invadir.

Matéria publicada na edição - 212 - mai/2016 da Revista Direcional Condomínios

Não reproduza o conteúdo sem autorização do Grupo Direcional. Este site está protegido pela Lei de Direitos Autorais. (Lei 9610 de 19/02/1998), sua reprodução total ou parcial é proibida nos termos da Lei.