Um olho na conta, outro no futuro! Síndicos apostam em controle de consumo, aliado a soluções duradouras como reuso da água espumosa

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As chuvas ajudaram a recompor o volume dos reservatórios que abastecem São Paulo e Região Metropolitana, mas os condomínios se mantém vigilantes quanto ao consumo d’água. Com o aperto, desde fevereiro último, das metas de redução impostas pela Sabesp, para efeitos de descontos e/ou multas, a conta tem chegado mais salgada. “Temos que fazer ainda mais economia para não pagar multas; se continuar assim, vamos acabar devolvendo todos os bônus que recebemos nesses dois últimos anos”, afirma a síndica profissional Patrícia Rodrigues. Segundo ela, muitos condomínios vêm cobrando as contas de consumo (água e energia) separadas dos rateios ordinários, face aos aumentos contínuos.

Outra medida tem sido investir em fontes alternativas, caso do Condomínio Edifício Dupret, na Vila Clementino, zona Sul de São Paulo, que Patrícia administra. Os moradores aprovaram em assembleia a implantação de um sistema de reaproveitamento da água descartada pelas máquinas de lavar roupa, bem como da água de drenagem e mina. “Foi por unanimidade”, destaca. Orçados em R$ 130 mil, os três projetos (separados) e a execução serão pagos por meio de rateio extra; os serviços começaram no mês passado e deverão estar concluídos ao final de abril.

A engenheira responsável pelos trabalhos, Márcia Donato, diz que no prédio de oito anos já existia uma prumada independente de descarte da água da máquina, facilitando o projeto. Nova prumada foi providenciada, agora para retroalimentar esse volume tratado, que retornará à área de serviço de cada unidade. Para isso, o projeto contemplou a instalação de tanques rotomoldados de armazenamento; de um dispositivo de segurança para evitar transbordamentos; e de sistemas de tratamento d’água com duas fases (processo físico-químico de separação dos componentes espumosos, seguido de filtragem e cloração).

Engenheira com expertise em hidráulica, pós-graduada pela Politécnica da USP (Universidade de São Paulo) e de Milão, Márcia Donato estima que os 32 apartamentos do prédio gastem 6.400 litros d’água por dia somente com o uso da máquina. Em 22 dois dias, esse descarte poderá somar 140 m3. “O consumo de um dia das máquinas de lavar equivale a tudo que se gastaria num pico de banho, com chuveiros econômicos, em todas unidades”, calcula. Com o processo, aproveita-se entre 70% e 80% do volume descartado pelas máquinas, diz. Ela esclarece, no entanto, que é preciso instalar medidores para cobrança correspondente do esgoto, após o reuso.

Também se encontram em execução no Dupret serviços para o aproveitamento da água de drenagem e mina, que passarão por tratamentos diferenciados, para que possam ser destinados a usos não potáveis (como rega e limpeza). Segundo Márcia, com base na Portaria 29/14, do Ministério da Saúde, é preciso assegurar que todas as fontes alternativas de abastecimento d’água passem por controle e tenham um responsável técnico”.

Matéria publicada na edição - 211 - abr/2016 da Revista Direcional Condomínios

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